A sedutora Senhora TV

Quando a primeira transmissão de televisão chegou ao Brasil, em 1950, entretenimento era chamado de passatempo. Consistia basicamente em bater papo com o vizinho no portão, frequentar as domingueiras no clube do bairro, ir às quermesses da igreja, encontrar com a turma na pracinha, na praia ou no cinema. Enfim, fazer da rua extensão da casa. Com o advento da televisão, novos paradigmas de convivência social surgiram e modificaram os hábitos dos brasileiros por completo.

Naquela época, ter um aparelho de televisão era privilégio de poucos. Na minha casa, por exemplo, o eletrodoméstico só começou a fazer parte do nosso dia a dia em meados dos anos 1960. Antes, havia sempre um vizinho ou parente que nos convidava a compartilhar daquele momento mágico: olhar para um armário que embutia uma telinha, de onde as pessoas falavam ao vivo como se estivessem nos vendo também. Para a geração que nasceu ouvindo o rádio, a inovação era literalmente fantástica.




A magia da telinha começava a se impor de tal forma, que as personagens das histórias habitavam nossa casa como velhos conhecidos. Desse modo, antes de às duas da tarde de domingo, a garotada se juntava na casa de quem tivesse TV para assistir ao Vesperal Trol (Emissora: TV Tupi. Ano de Produção: de 1956 a 1966). Este teatrinho transportava os telespectadores mirins para o mundo da fantasia. Lá moravam fadas, príncipes e bruxas, florestas escuras e perigosas. Era a televisão realizando o imaginário infantil.


Assim, com olhos fixados na TV e silêncio total na sala, a criançada queria ver se o charmoso príncipe (Roberto de Cleto) salvaria a bela princesinha (Norma Blum) das poções poderosas da bruxa (Zilka Salaberry). Fascinados pelos contos de fada, que só conheciam em livros, os pequenos trocaram o pique-pega da rua pelo teatrinho da Tupi. Era o poder do meio modificando as relações sociais.

Entretanto, a inércia do povo diante da TV foi atenuada justamente porque aparelho no início era muito caro. Por conta disso o público, acostumado com o rádio, começou a frequentar os programas de auditório das emissoras de televisão para ver seus ídolos de perto. Além de o modelo da programação ser o mesmo, os artistas, atores, humoristas, cantores e locutores também migraram do rádio para a televisão. Desse modo, o público lotava os auditórios das emissoras, mais do que ficavam em casa assistindo pela TV.

Muitos programas de auditório daquele tempo deixaram saudade. Na TV Rio, aos sábados, tinha Hoje é Dia de Rock, com Jair de Taumaturgo (Emissora: TV Rio. Ano de Produção: de 1961 a 1965). Mas, antes desse programa destinado a jovens começar, era a vez da criançada talentosa se revelar como artista em Grande Gincana Kibon (Emissora: TV Record. Ano de Produção: de 1955 a 1971). Neste, eu tive a oportunidade de conhecer como funcionavam os bastidores de uma emissora de TV da década de 60.

Na verdade, eu fui à TV Rio só para prestigiar a minha irmã que tocaria acordeão. Entretanto, a minha curiosidade me fez conhecer muito além do auditório. Primeiramente não fiquei no auditório, mas lá atrás do palco, junto com câmeras, cenógrafos e artistas do rock, que esperavam o programa deles começar.


Conversei com o pessoal da Jovem-Guarda e até palpite no cenário eu arrisquei. Eu tinha só 12 anos, mas achei muito mais interessante ver o câmera-man girar aquela máquina pesada a fim de pegar melhor ângulo; trocar ideia com o coreógrafo e sugerir que ele riscasse mais fortemente o papel de parede, para que os círculos pretos ficassem mais nítidos na tela - pior é que ele acatou a minha sugestão -.



Gosto de contar essa minha experiência para ilustrar e valorizar as dificuldades que os profissionais de televisão tinham na hora de colocar um programa no ar, no tempo em que não havia videotape, muito menos tecnologias digitais. Com os recursos que se tem agora, parece impossível aos mais jovens que a geração de seus pais e avós tenha visto um desenho animado ou um seriado em preto e branco. Mas posso garantir que tudo é uma questão de hábito.

Por Maria Oliveira

Pubicado em Setembro de 2010

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Moda Flúor, hit das quatro estações

Quem chegou a duvidar que os anos 80 estavam de volta, agora não há mais como negar tal afirmação. O que começou como uma releitura da década mais cafona da história, tomou força e promete se estender por pelo menos mais um ano.

Destaque do verão 2010, a moda flúor invadiu não só as passarelas como também as quatro estações do ano. Chegou tímida no verão, foi marcando território no outono, curiosamente arrasou no inverno – período em que a tendência são cores mais sóbrias – e mal a primavera deu o ar de sua graça, vitrines e editoriais de moda continuam destacando peças em tons fluorescentes.

Após longos e tenebrosos períodos de hibernação, a moda flúor reapareceu em roupas, sapatos, acessórios, esmaltes e maquiagens. Verde, vermelho, pink, roxo, amarelo, azul e tantas outras tonalidades diferentes, desde cítricas até super neon.

Sem se preocupar em ser muito discreta, o colorido dessa moda dá um ar moderno ao look de qualquer pessoa. Desde que você não exagere na combinação.




Para não erra no visual, o ideal é combinar peças flúor com tons fechados, como os tradicionais preto, branco e nude. Além disso, essas cores ficam um arraso quando em estampas e detalhes das roupas.

Montando seu look

Na hora de montar seu look flúor nessa primavera, o ideal é investir em peças leves como vestidos e saias. Sempre em tons vibrantes, essas roupas ficam ótima quando combinadas à sapatos e sandálias de salto em cores neutras.


O rosa pink está em alta, principalmente em tons acesos. Combina com acessórios dourados e dá um ar “patricinha”, se usado com decote ou tomara-que-caia. Já o azul é a cor dita curinga. Dá pra usá-la tanto de dia, quanto à noite. E tem um fator importante, combina com diversas cores e tonalidades.

Enquanto isso o laranja fluorescente proporciona um ar sofisticado, quando usado em longos. Já os curtos, ficam ótimos com botinas. Para dar um toque mais simples ao visual, a dica é usar a cor apenas no busto ou barra da saia. E mais, durante o dia você ainda pode investir em regatas laranjas menos vibrantes, combinadas a um jeans boyfriend ou calça skinny rasgada.



Os acessórios também são muito importantes para complementar seu visual. A roupa até pode ser simples, mas enriquece quando bem combinada a um acessório flúor como pulseira, colar, anéis e relógio. Nessa hora, use e abuse de cores neutras, tons pasteis, jeans e o pretinho básico. Peças que proporcionam um ótimo constraste.



No quesito sapato, a sandália Melissa ainda é a percussora do estilo. Sempre muito colorida e alegre, é a cara da primavera. Agora há no mercado atual outros modelos de sandálias, trabalhadas em estilo cobra, tiras, madeira e ankle boot. Todas em tons flúor, claro.



As bolsas surgem em maxi-bolsa, carteira e hand purse. De alça grande, ficam ótimas na composição de um look romântico. Já as de palha saíram das praias para o asfalto. E agora além da cor crua, há também os modelos coloridos. A ordem é usá-la sem medo ou culpa, mesmo que durante a noite.

Make

Complementando o visual flúor, além de roupas, sapatos, bolsas e acessórios, a moda chegou também às unhas e maquiagem. Verde-água e vermelho alaranjado são apenas algumas das cores adotadas por famosos e anônimos.




Agora a maquiagem é mesmo o grande nome da estação. Olhos riscados de azul ou verde, sombras roxa, amarela, laranja e vermelha, são apenas algumas das novidades que prometem agitar a temporada.

E então, alguma dúvida de que a moda flúor chegou para ficar? O que as passarela previam, as grifes apostaram e as celebridades adotaram. À nós só resta renovar o guarda-roupa e arrasar, por no mínimo mais uma estação. 

Ah, antes que você tenha medo de errar, saiba que qualquer mulher pode aderir a moda flúor. Desde que as cores das peças combinem com seu tom de pele.

Quem tem a pele clara, pode apostar todas as suas fixas nas cores pink, magenta e azul royal. Já as morenas, o ideal é optar por tons cítricos. Amarelo, laranja e verde são ideais para valorizar esse tipo de pele.


Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Setembro de 2010

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Dor que não cabe no peito

Amor e ódio afetam profundamente nossa saúde. Situações de extrema angústia, como perda amorosa e discussões acaloradas, causam estresse e produzem no organismo reações semelhantes ao aparecimento de uma doença.

Como a doença não existe em forma concreta, nosso corpo tenta reagir e enfraquece, abrindo brechas para contrair sintomas até então desconhecidos. Recomenda-se muito cuidado nessa hora, pois o problema pode atingir o coração.

O coração é um órgão vital, cuja função é bombear o sangue aos tecidos. Simples assim? Cientificamente o conceito está correto. Entretanto, quando o assunto é amor, desejo, paixão, ódio e todo tipo de sentimento que ultrapasse os limites da razão, o coração tem sentido simbólico daquilo que não pode ser controlado nem pelo intelecto nem pela vontade: nossas emoções.

Na literatura científica, já estão falando de um tipo de síndrome que aparece associada a situações de estresse físico ou emocional e que podem desencadear o início de um infarto agudo do miocárdio: dor menos intensa no peito, alterações no eletrocardiograma e nas enzimas cardíacas.

Nesse caso, as artérias coronárias apresentam-se sempre normais, sem obstruções, mediante o resultado do ecocardiograma e cinecoronariografia. Tal doença recebeu o nome metafórico de Síndrome do Coração Partido e surgiu no Japão, no início da década de 1990, com este nome porque suas imagens, quando realizado o cateterismo cardíaco, assemelham-se às armadilhas usadas pelos pescadores locais para apanhar polvos.



 
Entretanto, este quadro não é específico às decepções amorosas. Perder algum parente ou amigo querido em acidente, ou depois de passar muito tempo doente no leito hospitalar, receber a notícia de diagnóstico médico de uma doença fatal, perdas financeiras vultosas, situações de violência como assalto a mão armada, discussões acaloradas e até mesmo a emoção de uma festa surpresa podem desencadear um aumento significativo na frequência cardíaca e demanda metabólica cardíaca.

Segundo o médico residente em Cirurgia Geral, Guilherme Oliveira, além da adrenalina, o hormônio cortisol também é liberado em situação de alto estresse físico e mental, podendo acelerar o processo de formação de placas ateromatosas arteriais, dentre as quais, as artérias coronárias envolvidas na irrigação do músculo cardíaco.

Pesquisadores da Síndrome do Coração Partido descobriram que o transtorno atinge principalmente mulheres com idades acima de 65 anos, e raramente abaixo dos 50, com histórico de forte estresse físico ou emocional ou que tenham se submetido a uma cirurgia não cardíaca.

O caso de uma mulher de mais de 70 anos, que perdeu o filho com doença neurológica incurável, pode servir para ilustrar o sintoma da doença. De acordo com relato de parentes próximos, um ano após a morte do filho, esta senhora ficou muito deprimida, mas tentava levar uma vida aparentemente normal quando seu coração começou a fibrilar.

Para esclarecer o quadro, a paciente foi submetida a todos os exames cardiovasculares de rotina, inclusive cateterismo. Nada foi encontrado nos exames que justificasse a arritmia cardíaca.




Na ficção, a metáfora do coração partido é interpretada como o final de uma relação amorosa e chama atenção por ser passível de acontecer a qualquer pessoa na vida real. No cinema, Brooke Shields é estrela de Amor sem fim, uma história avassaladora de dois adolescentes que, consumidos pelo amor, levam seus desejos ao extremo. Ao ponto de um dos jovens ir parar no manicômio.




Na minissérie A casa das sete mulheres, Rosário (Mariana Ximenes) não se conforma com a morte de Estevão (Thiago Fragoso) e sua dor lhe tira a vontade de viver. A morte foi o caminho que encontrou para juntar o seu coração partido ao do amado que estava lá, do outro lado da vida.



Em Passione, Totó (Tony Ramos) é um homem maduro, porém mesmo sabendo que Clara (Mariana Ximenes) é uma vilã e não merece seu amor, ainda assim sofre profundamente ao romper seu casamento com a mulher.



Assim, para qualquer motivo que faça doer o coração os médicos recomendam distinguir a Síndrome do Coração Partido de um ataque cardíaco. Para que assim, as pessoas vitimizadas possam ser tratadas adequadamente e saibam que seus corações estão saudáveis, em vez de serem informadas de que padecem de uma doença coronária, e tomarem remédios para o coração por toda a vida.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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Ignorar ou ser ignorado?

Outro dia conversando com uma amiga, ela me disse que estava insatisfeita com o rumo que sua vida tomou. Por conta das atribulações diárias, havia se distanciado dos amigos. E no decorrer desse tempo, muitas coisas aconteceram na vida desses mesmo amigos e ela infelizmente não estava lá para presenciar.

Curiosamente essa conversa aconteceu num período em que muitas coisas tem passado pela minha cabeça, uma delas esse distancimento entre as pessoas. Alguns dizem que faz parte da vida. Outros que nem dá para se culpar, ou culpar alguém, é normal quando tomamos caminhos diferentes.

Entendo que nada é para sempre. Que a vida toma rumos, proporções, que às vezes não temos controle. Mas, independente do que possa acontecer, não dá para explicar as mudanças comportamentais em pessoas que até “ontem” eram tão próximas.

Pouco antes eu havia passado por duas situações que, mais do que triste, me deixaram decepcionada. Ambas envolvendo um desses sites de relacionamentos, em que temos uma lista quilométrica de contatos que, nem sempre entram em contato com você.

Até aí tudo bem. Mesmo achando estranho, tento aceitar a ideia de que esse tipo de site é para você estar lá quando alguém te procurar. E vice versa. Pelo menos foi isso que uma outra amiga minha me disse, e eu relevei.

Então como explicar, quado você manda recados e a pessoa simplesmente te ignora? E mais, não adianta dizer que não tem conectado, já que o próprio site te entrega quando você cai na besteira de trocar a foto do perfil, entrar em uma nova comunidade ou simplesmente comentar algo dito por um amigo em comum.

É esse tipo de atitude que faço força, mas não consigo entender. A mesma pessoa que tem o trabalho de conectar, ler as mensagens e apagá-las, não pode se dar “ao luxo” de responder?

Isso doi. Não apenas quando você só queria dar um oi, como também naquele pedido de socorro que nem sempre vem explícito, mas na maioria das vezes contém o mesmo peso.

Façamos um teste... Para tal atitude, qual seria a resposta:

Opção a: Falta de tempo.

Opção b: O tempo que mudou seu jeito de ser.

Opção c: Sempre foi assim, mas só agora deu para perceber.

Para o caso da última resposta, teria sentido a velha frase “a gente nunca conhece as pessoas direito?” Se me tirar como exemplo, não teria tanta certeza assim. O tempo passou, mas continuo a mesma. Tá bom, só que mais amadurecida.

Ainda sou libriana, tenho loucura pela cor vermelha, café, cinema, Johnny Depp e jornalismo (nem sempre necessáriamente nessa ordem), amo àqueles que um dia se fizeram presentes em minha vida, independente da época, e sempre estou pronta para ouvir, ou ajudar, quem precisa. Basta chamar.

As palavras dessa minha amiga, quase que pedindo desculpas pelo seu comportamento apontado por ela como egoísta, me emocionaram. Logo ela, que ao se explicar tomou uma das atitudes mais altruístas. São pessoas assim que ainda nos fazem acreditar no próximo e até, que o mundo ainda tem jeito.

Bjs e até a próxima,

Josie!

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Para sempre Miss

Em 1954, o Palácio Quitandinha, em Petrópolis, abria as portas dos salões para mostrar as mais belas mulheres que representariam o Brasil no concurso de miss. Com a força de patrocinadores da linha de cosméticos e da indústria de maiôs, o evento foi ganhando repercussão na mídia e veio para o Rio na década de 1960. Desde então, tornou-se o segundo acontecimento mais importante do país, atrás apenas da Copa do Mundo de futebol.

No Rio o desfile passou a ser realizado no Maracanãzinho, onde as candidatas dos clubes de bairros concorriam primeiramente ao título de miss estadual, para depois a vencedora disputar o de Miss Brasil.

Nessa época os clubes locais promoviam os famosos Bailes de Debutantes, concursos de Rainha da Primavera e da Senhorita Rio. Eram eventos que mobilizavam organizadores e famílias inteiras em torno das candidatas que levariam o nome do clube às passarelas. E foi nesse mote que Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes escreveu sua história no concurso de Miss Guanabara.

Espetaculosas: De acordo com organizadores de concursos de Miss, “uma vez que a candidata é coroada será sempre representante do respectivo ano e lugar”. Não existe ex-miss. Portanto, onde, como e quando a sua história começou ?

Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes: Os dirigentes do clube de meu bairro, a Associação Atlética Florença, em Villa Kosmos, subúrbio do Rio, acharam que eu tinha perfil para representá-los no Miss Guanabara. Pediram permissão e me inscreveram com a promessa de acompanhamento em todos os compromissos oficiais do concurso, inclusive ajuda de custo para o vestuário. E assim foi, cumpriram direitinho o acordo. Quando cheguei à primeira reunião para conhecer as candidatas, me senti no Coliseu, cercada por leões! Como eu que era bem tímida, minha primeira vontade foi sair correndo. Depois que passou tudo, tive a certeza de que se me dessem pelo menos mais seis meses de preparo, me sairia bem melhor.

ES: Havia toda uma preparação para que as candidatas desfilassem com graça e elegância na passarela. Como foi passar por essa experiência?

MLMAG: Uma semana antes do concurso as candidatas ficavam concentradas em um hotel de luxo, cercada por profissionais como Dona Augusta da Socila. Além de cabeleireiros e maquiadores. Durante toda aquela semana ensaiávamos na própria passarela onde seria o desfile com a supervisão da Augusta, que tinha "mão de ferro" para ensinar a desfilar com elegância e postura. No dia do desfile, no Maracanãzinho, eu já estava preparada.

ES: Nas primeiras décadas do concurso de miss, o público torcia pelas candidatas com o mesmo entusiasmo que até hoje acompanham os jogos da Copa do Mundo. Qual foi a sua sensação em fazer parte de toda aquela festa midiática?

MLMAG: No dia do desfile foi maravilhoso ver a família toda torcendo. Uma farra! E já nos bastidores escutava-se o barulhão das torcidas. Sendo que, depois, ficamos sabendo que a "Miss" já era escolhida naquela semana de concentração no Hotel. Todas eram observadas pelos organizadores em tudo. Como sentar-se à mesa, caminhar, falar, gesticular e ser articulada. Achei muito justo porque não basta colocar um lindo vestido, uma linda maquiagem, desfilar lindamente para representar um estado e quem sabe o País, se não for bem preparada. Quando eleita, vem um montão de entrevistas para todos os meios de comunicação como rádio, TV e revistas e, se a representante não for bem articulada, o estado que ela representa já começa perdendo.




ES: Você foi candidata a Miss em uma época que não era comum o culto ao corpo. Ninguém malhava em academias e nem recorria a cirurgias plásticas. Como você mantinha a boa forma? Que medidas eram exigidas para chegar lá?

MLMAG: A exigência era ser magra, mas não muito. Eu tenho 1,66m e pesava 53 kg. O corpo era naturalmente malhado, não existia celulite. Pelo menos eu nem ouvia falar nisso, os frangos não tinham os hormônios de hoje (rsrs). No dia em que desfilaríamos de maiô, as maquiadoras passavam uma base nas nossas pernas para que ficassem mais bonitinhas. Todos os vestidos eram de estilistas famosos da época, o meu era do Nei Barrocas. Os tratamentos de cabelo e pele eram patrocinados pela indústria de cosméticos Helena Rubstein, que disponibilizava seus melhores profissionais para o evento. Era tratamento VIP mesmo.

ES: Mesmo não tendo vencido o concurso de Miss Guanabara, depois de passado o evento, você recebeu algum convite para trabalhar na área de beleza ou estética?

MLMAG: Sim recebi, mas não aceitei. Trabalhar em passarelas naquela época (1971) não era um emprego tão bem remunerado nem amparado por Lei como hoje. Eu já trabalhava na Standard Eléctrica, que era uma multinacional muito respeitada, dava muitas oportunidades para os funcionários. Então eu não troquei o certo pelo duvidoso, tinha receio de me jogar à sorte. Hoje não me arrependo.

ES: O que de bom essa experiência trouxe para sua vida pessoal?

MLMAG: Que mesmo já sabendo da importância da família, quando a gente fica longe sente uma falta danada. Senti muitas saudades quando fiquei concentrada naquele hotel acompanhada de uma representante do clube, que era a esposa do presidente, mas não era minha família. Quando tudo acabou, abracei um por um e tive certeza de que aquele foi o meu maior prêmio. Minha família à minha volta. E ficou a certeza de que, com dezoito anos, eu era uma menina tímida, cheia de medos e insegura para concorrer a um concurso daquele porte como era o Miss Guanabara.

ES: Os padrões de beleza mudaram ao longo dos anos e os critérios do concurso também. Concursos de miss não têm mais o glamour, nem atenção de antigamente. Como você vê essa mudança e que conselho daria para as garotas que querem se projetar por meio da beleza?

MLMAG: Mudanças e modismos vão existir sempre. Mas uma dica legal é ter por perto gente séria que quer vencer pelo trabalho e não pela trapaça. Existem meninas muito bonitas, o padrão até mudou bastante. Hoje não se valoriza tanto um rostinho bonitinho apenas, mas atitude, beleza exótica. E as leis estão cada vez mais severas para proteger o profissional que queira se projetar por meio da beleza, que é um trabalho duro e muito sério. Repito que é preciso ficar com os dois olhos muito bem abertos sempre e fugir das agências picaretas que se dizem sérias. Tem que denunciá-las e seguir em frente, sem medo de ser feliz.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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A moda minimalista

O minimalismo surgiu nos EUA, na década de 60. Estando relacionado a uma série de movimentos artísticos e culturais, que percorreram diversos momentos do século XX, teve sua maior forma de expressão em fundamentos como as artes visuais, designe e música.

Entre os artistas adeptos do minimalisto destaque para Sol LeWitt, Frank Stella, Donald Judd e Robert Smithson, cujas produções procuravam estudar as possibilidades estéticas de composição a partir de estruturas bi ou tridimensionais.

Já o design minimalista surgiu em forma de resposta contrária aos excessos visuais, causados por peças como ombros marcados, brilhos e cores fortes. Exageros característicos dos anos 80.

Essa moda é representada por uma estética clean, tendo como ícone o pretinho básico de todos os dias. Além disso, estão presentes fatores como sofisticação, atemporalidade, tecnologia e cartela de cores.



Acabou sendo focada em uma parcela da população chamada de Yuppies, ou novos ricos, que pretendiam expor sua riqueza através do despojamento formal.




Sua estética preza cores neutras, silhueta consciente e perfeita, graças à alfaiataria, com linhas sofisticadas e arquitetônicas. Despe a roupa de elementos extras, trabalhando alicerces como formas, acabamento e modelagem.



Adote esse gênero


Considerada a tendência mais inovadora e relevante das últimas temporadas a moda minimalista, muito presente nos anos 90, está sendo revista desde 2005. Com modelagens mais justas e peças que remetem ao estilo clássico, vem mostrando sua força nas passarelas. Tendo inclusive influenciado, na última temporada, coleções de marcas como Chloé, Stella McCartney e Calvin Klein, entre outras.







Caso você não seja muito adepto de peças clássicas, mas deseja se arriscar nessa moda, saiba que o mix entre a textura das roupas, ou peças com silhueta ajustada em cores fortes, torna o estilo mais atual.



Além disso, saias em couro ou shorts de alfaiataria, hits da temporada, aliadas às tradicionais camisas brancas, assim como renda, babado e cintura marcada, dão um toque feminino e equilibrado ao modelito.


E então, o que você está esperando para adotar o minimalismo ao seu look e arrasar nas passarelas da vida?

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Setembro de 2010

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Chicago e a Era do Jazz

Quem foi ao festival carioca Back2Black, voltado para a cultura negra, certamente fez uma viagem musical fascinante. O embarque foi na Estação Leopoldina e o percurso incluía ritmos e canções africanas, passando pela música dos americanos, como o blues e o jazz, mas não faltou a música brasileira na parada. Peguei carona nesse trem e fui até Chicago, cidade considerada um dos berços do blues e jazz. 

A cidade de Chicago está situada no estado de Illinois, na margem ocidental do Lago Michigan. Conhecida por Cidade dos Ventos, cuja temperatura cai muito no inverno, sua expansão econômica começou em meados do século XIX, graças à forte imigração de europeus, à construção das primeiras ferrovias e de um canal navegável que comunicava o lago com o rio Mississippi.

A história de Chicago com o jazz começou depois da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu uma significativa revolução nos hábitos e costumes americanos. O teatro e a literatura se apropriaram de uma liberdade de expressão nunca antes experimentada para se comunicar com o público. A mulher americana “ia além de qualquer limitação imposta pela decência”: encurtou os vestidos, fumava, bebia e dançava escandalosamente.

Nesse contexto, firmou-se a indústria americana de show business no cinema, no teatro, nos shows e na música como negócio lucrativo. Por conta disso, houve uma emigração de negros para as grandes cidades como Chicago e Nova York, em busca de melhores oportunidades de emprego. Entre essa massa de trabalhadores estavam os músicos de blues, que saíram do delta do Mississsipi para Chicago.

A década de 1920 é conhecida como a Era do Jazz. Nessa época, Chicago era dominada pelas gangues de Al Capone, que agiam no comércio ilegal de bebidas.

Não por acaso, o famoso gângster era dono da maioria dos cabarés, onde se misturava bebida com a música de jazz, formando o coquetel mais romântico da época. Foi assim que, atraídos pela oportunidade de tocarem profissionalmente, os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke vieram de New Orleans para se apresentarem em speakeasies de Al Capone.

De lá para cá, a música continuou tendo um lugar muito especial em Chicago. Qualquer estilo tem espaço nesta cidade, mas o jazz e blues são os gêneros que caracterizam o local. Desse modo, não faltam lugares onde se possa ouvir uma boa música típica.




A Casa de Blues, Blue Chicago, o Buddy Guy´s Legends e House of Blues Chicago são recomendados para este fim.



Assim como no Rio de Janeiro a Lapa é considerada o local da boemia, em Chicago, no baixo Naperville, o visitante vai encontrar semelhança da vida noturna carioca com a de lá, especialmente na conhecida Rush Street.



Nesta rua, iluminada por letreiros e muito movimentada, fica o famoso Jilly’s, the Piano Bar, que era o favorito de Frank Sinatra. Além da fama musical do lugar, no entorno, circulam bêbados, pedintes e prostitutas como personagens coadjuvantes da cena urbana.



Os bares ficam cheios à noite. A maioria é revestido de madeira para proteger os clientes do frio, e usam pouca luz ambiente para dar o tom aconchegante ao local. O Hugo’s Frog Bar Fish House é assim. Localizado na North Rush, quase esquina com East Chestnut Avenue, o restaurante tem cardápio que combina os sabores do mar com o do mangue.



No Frog Bar não se ouve jazz executado por Louis Armstrong. Em troca, o cliente pode degustar um delicioso Stuffed Salmon acompanhado de queijo brie. Antes, a dica é experimentar a sopa de rã. Depois, é só sair para dançar por ali mesmo, sem precisar se deslocar muito.



Chicago é tão sedutora que inspirou muitas histórias. Na literatura, a cidade é marcada por questões políticas e étnicas em “O projeto Lázarus”, de Aleksandar Hemon. No cinema, ficou eternizada pelo musical Chicago.



Como centro tradicional do blues e do Jazz, a cidade abriga The Chicago Blues Festival em que se apresentam artistas do top de Big Bill Morganfield, filho do lendário Muddy Morgarfield.



Diferentemente do tom melancólico do blues, em Chicago, o transeunte tem que conviver com o som estridente das sirenes de carros de polícia e bombeiro que circulam pelas ruas. Aparentemente, não há nada ao redor que justifique tanto estardalhaço. Entretanto, parece que o fantasma de Al Capone e de seus comparsas ainda aterrorizam a cidade, pondo a segurança sempre em alerta. Para o visitante, a impressão é de que uma aura de mistério envolve a noite de Chicago e nos remete à Era do Jazz.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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