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Entrevista - Shaman Urbano


Shaman Urbano tem 30 anos e é tatuador há três. Para ele, tatuagem é arte e trabalhar fazendo o que se ama é quase uma terapia. Através de uma conversa, a repórter Luciana Leira esclareceu curiosidades e pegou dicas úteis para quem, assim como ela, pensa em se tatuar. Confira!

Espetaculosas: Você acha que o preconceito em relação a tatuagem tem diminuído?




Shaman Urbano: Não, muito pouco. O preconceito tá mascarado pela moda. É o que passa na TV, as pessoas tem procurado por esse motivo, mas ainda há dificuldade de aceitação das pessoas tatuadas em alguns grupos e para arrumar emprego.

ES: Quem procura a tatuagem hoje?

SB: Todo mundo, não há mais um público diferenciado. A tatuagem hoje está muito difundida, TV, novelas, filmes, Reality shows. Também tá bem balanceado entre homens e mulheres.

ES: O que você acha imprescindível para ser um bom tatuador?

SU: Para mim, é uma regra. Um bom tatuador precisa antes de tudo saber desenhar; utilizar materiais e equipamentos de boa qualidade e nunca colocar o dinheiro acima de uma boa tatuagem. Quando o cara trabalha bem, o dinheiro é uma conseqüência. Tatuagem é arte e a arte tem que vir na frente.

ES: Qual o cuidado que a pessoa precisa ter quando vai fazer uma tatuagem. Principalmente, quem nunca fez e não conhece muito o assunto?

SU: É dever procurar um estúdio conhecido, que já tenha nome, pesquisar sobre o tatuador. Todo cliente tem o direito de ver e perguntar sobre os equipamentos, agulhas, esterilização, tintas, qual o processo usado... Nunca pechinchar! A boa tatuagem não se mede pelo preço e sim pela qualidade. E pensar bem, procurar um desenho que goste bastante, evitar os modismos, para não ter arrependimentos depois.

ES: Quando a tatuagem é mal feita dá para consertar?

SU: Dá, mas as vezes não dá para fazer o que o cliente queria.  Na cobertura, a gente tem que encaixar um desenho em cima do outro e nem sempre fica do jeito desejado. Às vezes, a gente tem que montar o desenho de acordo com o que o cliente já havia tatuado antes.

 Olha eu aí, com toda coragem, fazendo minha mais nova tatuagem. E ficou linda!

 ES: Quais os desenhos mais procurados?

SU: As mulheres procuram muito flores, borboletas e símbolos. Já os homens, os campeões são os dragões, carpas e desenhos Maori, estilo polinésio.

ES: Já passou por alguma saia justa tatuando?

SU: Cantadas, tem muito assédio. A gente também é meio psicólogo, tem clientes que contam seus problemas e até choram com a gente. [Risos]

EP: Se você não fosse tatuador, o que seria?

SU: Nem sei...(pensativo). Na verdade eu já fui muita coisa: cobrador de van, camelô, designer gráfico, trabalhei com estamparia, mas a tatuagem é a minha paixão desde a adolescência. Porém, quero muito mais profissionalmente. Pretendo viajar, conhecer outras culturas e outros tatuadores. E, quando estiver mais velho e mais experiente, ter meu próprio estúdio. 

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Para sempre Miss

Em 1954, o Palácio Quitandinha, em Petrópolis, abria as portas dos salões para mostrar as mais belas mulheres que representariam o Brasil no concurso de miss. Com a força de patrocinadores da linha de cosméticos e da indústria de maiôs, o evento foi ganhando repercussão na mídia e veio para o Rio na década de 1960. Desde então, tornou-se o segundo acontecimento mais importante do país, atrás apenas da Copa do Mundo de futebol.

No Rio o desfile passou a ser realizado no Maracanãzinho, onde as candidatas dos clubes de bairros concorriam primeiramente ao título de miss estadual, para depois a vencedora disputar o de Miss Brasil.

Nessa época os clubes locais promoviam os famosos Bailes de Debutantes, concursos de Rainha da Primavera e da Senhorita Rio. Eram eventos que mobilizavam organizadores e famílias inteiras em torno das candidatas que levariam o nome do clube às passarelas. E foi nesse mote que Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes escreveu sua história no concurso de Miss Guanabara.

Espetaculosas: De acordo com organizadores de concursos de Miss, “uma vez que a candidata é coroada será sempre representante do respectivo ano e lugar”. Não existe ex-miss. Portanto, onde, como e quando a sua história começou ?

Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes: Os dirigentes do clube de meu bairro, a Associação Atlética Florença, em Villa Kosmos, subúrbio do Rio, acharam que eu tinha perfil para representá-los no Miss Guanabara. Pediram permissão e me inscreveram com a promessa de acompanhamento em todos os compromissos oficiais do concurso, inclusive ajuda de custo para o vestuário. E assim foi, cumpriram direitinho o acordo. Quando cheguei à primeira reunião para conhecer as candidatas, me senti no Coliseu, cercada por leões! Como eu que era bem tímida, minha primeira vontade foi sair correndo. Depois que passou tudo, tive a certeza de que se me dessem pelo menos mais seis meses de preparo, me sairia bem melhor.

ES: Havia toda uma preparação para que as candidatas desfilassem com graça e elegância na passarela. Como foi passar por essa experiência?

MLMAG: Uma semana antes do concurso as candidatas ficavam concentradas em um hotel de luxo, cercada por profissionais como Dona Augusta da Socila. Além de cabeleireiros e maquiadores. Durante toda aquela semana ensaiávamos na própria passarela onde seria o desfile com a supervisão da Augusta, que tinha "mão de ferro" para ensinar a desfilar com elegância e postura. No dia do desfile, no Maracanãzinho, eu já estava preparada.

ES: Nas primeiras décadas do concurso de miss, o público torcia pelas candidatas com o mesmo entusiasmo que até hoje acompanham os jogos da Copa do Mundo. Qual foi a sua sensação em fazer parte de toda aquela festa midiática?

MLMAG: No dia do desfile foi maravilhoso ver a família toda torcendo. Uma farra! E já nos bastidores escutava-se o barulhão das torcidas. Sendo que, depois, ficamos sabendo que a "Miss" já era escolhida naquela semana de concentração no Hotel. Todas eram observadas pelos organizadores em tudo. Como sentar-se à mesa, caminhar, falar, gesticular e ser articulada. Achei muito justo porque não basta colocar um lindo vestido, uma linda maquiagem, desfilar lindamente para representar um estado e quem sabe o País, se não for bem preparada. Quando eleita, vem um montão de entrevistas para todos os meios de comunicação como rádio, TV e revistas e, se a representante não for bem articulada, o estado que ela representa já começa perdendo.




ES: Você foi candidata a Miss em uma época que não era comum o culto ao corpo. Ninguém malhava em academias e nem recorria a cirurgias plásticas. Como você mantinha a boa forma? Que medidas eram exigidas para chegar lá?

MLMAG: A exigência era ser magra, mas não muito. Eu tenho 1,66m e pesava 53 kg. O corpo era naturalmente malhado, não existia celulite. Pelo menos eu nem ouvia falar nisso, os frangos não tinham os hormônios de hoje (rsrs). No dia em que desfilaríamos de maiô, as maquiadoras passavam uma base nas nossas pernas para que ficassem mais bonitinhas. Todos os vestidos eram de estilistas famosos da época, o meu era do Nei Barrocas. Os tratamentos de cabelo e pele eram patrocinados pela indústria de cosméticos Helena Rubstein, que disponibilizava seus melhores profissionais para o evento. Era tratamento VIP mesmo.

ES: Mesmo não tendo vencido o concurso de Miss Guanabara, depois de passado o evento, você recebeu algum convite para trabalhar na área de beleza ou estética?

MLMAG: Sim recebi, mas não aceitei. Trabalhar em passarelas naquela época (1971) não era um emprego tão bem remunerado nem amparado por Lei como hoje. Eu já trabalhava na Standard Eléctrica, que era uma multinacional muito respeitada, dava muitas oportunidades para os funcionários. Então eu não troquei o certo pelo duvidoso, tinha receio de me jogar à sorte. Hoje não me arrependo.

ES: O que de bom essa experiência trouxe para sua vida pessoal?

MLMAG: Que mesmo já sabendo da importância da família, quando a gente fica longe sente uma falta danada. Senti muitas saudades quando fiquei concentrada naquele hotel acompanhada de uma representante do clube, que era a esposa do presidente, mas não era minha família. Quando tudo acabou, abracei um por um e tive certeza de que aquele foi o meu maior prêmio. Minha família à minha volta. E ficou a certeza de que, com dezoito anos, eu era uma menina tímida, cheia de medos e insegura para concorrer a um concurso daquele porte como era o Miss Guanabara.

ES: Os padrões de beleza mudaram ao longo dos anos e os critérios do concurso também. Concursos de miss não têm mais o glamour, nem atenção de antigamente. Como você vê essa mudança e que conselho daria para as garotas que querem se projetar por meio da beleza?

MLMAG: Mudanças e modismos vão existir sempre. Mas uma dica legal é ter por perto gente séria que quer vencer pelo trabalho e não pela trapaça. Existem meninas muito bonitas, o padrão até mudou bastante. Hoje não se valoriza tanto um rostinho bonitinho apenas, mas atitude, beleza exótica. E as leis estão cada vez mais severas para proteger o profissional que queira se projetar por meio da beleza, que é um trabalho duro e muito sério. Repito que é preciso ficar com os dois olhos muito bem abertos sempre e fugir das agências picaretas que se dizem sérias. Tem que denunciá-las e seguir em frente, sem medo de ser feliz.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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Entrevista - Mara Peres

Quando vai se casar, até a tão sonhada “hora do sim” muitas são às preocupações que competem a um casal. Se não bastasse fazer enxoval e montar a casa, ainda tem data a ser escolhida, igreja, local para festa, convites, lista de convidados, comes & bebes e o vestido de noiva.

À medida que foram surgindo empresas responsáveis por cerimoniais, as preocupações dos noivos se resumiram praticamente à moradia e o vestido de noiva. Afinal, hoje em dia há quem opte por cerimônias realizadas no próprio salão. E cabe a empresa contratada resolver todas as burocracias.

Maio é o mês das noivas e por conta disso, o número de cerimônias durante esse período do ano chega a triplicar. Consequentemente triplica também o número de profissionais da área de cerimoniais, em busca de conquistar clientes. O problema é quando essas pessoas não são tão “profissionais” assim. Aí cabe aos noivos tomar cuidado na hora de contratar os serviços.

Recentemente uma matéria exibida no Fantástico – TV Globo – alertou a respeito desse problema, ao contar a história de um casal que contratou uma empresa e na hora H levou um “bolo”, que de doce não havia nada.

Pensando nisso O Espetaculosas conversou com Mara Peres, responsável por uma empresa conceituada no mercado de cerimoniais. Aqui ela relata sua experiência na área, as funções com as quais a empresa se compromete, além dos cuidados que o casal deve tomar na hora de buscar por esses serviços.


Espetaculosas: Há quanto tempo você abriu a Mara Peres Cerimonial ?



Mara Peres: Iniciei neste ramo em 2001. Estou a nove anos trabalhando com assessoria e cerimonial. Parece pouco, mas não é. Conviver dia a dia com as noivinhas e debutantes é uma tarefa muito prazerosa. Estamos sempre buscando idéias novas para satisfazê-las. Cursei, em 2004, uma Faculdade de Organização Promoção e Produção em Eventos. Assim tive a oportunidade de aprimorar, através dos estudos a experiência adquirida ao longo dos anos.





ES.: Por que escolheu esse ramo?

MP.: Escolhi esse ramo, pois sempre gostei muito de lidar diretamente com as pessoas, presenciar momentos importantes de sua vida, ajudar, mostrar presente, ser uma boa ouvinte e o principal, passar segurança através da minha palavra. Trabalhar com festa, administrá-las, idealizá-las com as noivinhas e debutantes é uma sensação única e inexplicável. Todas são muito sonhadoras, cada uma sonha de um jeitinho diferente e é isso que me prende mais e mais ao meu trabalho. O gostinho de poder viver esses sonhos e realizá-los com bastante sucesso.


ES.: Além de casamentos, quais os tipos de cerimônias que vocês produzem?


MP.: Além de casamentos, trabalhamos também com 15 anos, bodas, aniversários, formaturas... Mas o meu maior fluxo de clientes é casamentos e 15 anos.


ES.: A partir do momento que são contratados, em que consistem seus serviços? Ou seja, quais as responsabilidades da empresa?

MP.: Independente do serviço contratado buscamos passar segurança para a cliente, para que tenha total tranqüilidade.

 Assessoramos a cliente para o seu casamento desde a confirmação de presença dos seus convidados, colocando-a a par de todos os detalhes, escolha do vestido, decoração, Buffet, carro da noiva, hotel, dia da noiva entre outros. Nossa assessoria é muito rica em detalhes e personalizada.




Juliana Bessa - debutante


ES.: Sua equipe conta hoje com quantos profissionais e quais as funções de cada um?

MP.: Tenho um quadro funcional de 20 pessoas entre elas: recepcionistas, secretária e administrativo. Tenho também uma equipe de suporte.


ES.: Para uma empresa ser bem conceituada, e conquistar o cliente, o que ela precisa ter?



MP.: A empresa precisa ser honesta, verdadeira com o cliente e o principal, saber qual o seu real papel. Eles nos procuram com o propósito de realizar um sonho. Então a  Mara Peres Cerimonial está aqui para isso, trabalhar com muito amor e assim poder mostrar para o cliente que estamos preparados para realizar sonhos!!!! Sonhos estes que ficarão eternizados em suas vidas!!!




Mara entre os noivos Renata e Rodrigo

ES.: Vocês buscam se aperfeiçoar - em termos de cursos, feiras e novidades no mercado - de acordo com a demanda? Como fazem isso?

MP.: Com certeza. Já participamos de feiras, uma delas foi a Expo Noivas, e em todas que estivemos presentes, fomos a empresa escolhida pela produtora do evento para presentear noivas e debutantes com nosso trabalho. Eu, Mara Peres, estou sempre participando de congressos e seminários. Buscando me aperfeiçoar para melhor atender.


ES.: Em média, quantos cerimoniais você realiza por ano? E no mês de maio ou dezembro, considerado o novo maio?

MP.: Em média, de 7 à 8 por mês. Exceto maio, onde chego a trabalhar todos os finais de semana de sexta a domingo. Já em dezembro, o foco maior é formaturas. Em geral, todas ocorrem durante a semana. Final de semana fico com os casamentos e 15 anos.


ES.: Quais os cuidados que o cliente deve tomar na hora de contratar uma empresa de cerimoniais?


MP.: Se ele tiver o privilégio de chegar a empresa através de indicação de uma pessoa conhecida, seria muito melhor, pois chegaria com mais segurança e confiaria mais na empresa indicada para contratar. O cliente tem que colocar o pé no chão no momento da contratação. Ler atentamente o contrato e deixar a euforia de lado. Questionar todos os detalhes das cláusulas e solicitar as promessas da empresa por escrito. Visitar festas recentes e verificar detalhes a serem ou não escolhidos pelo casal para o grande dia. Degustar do Buffet, entre outros.


Isabela (recepcionista) e Mara

ES.: Por fim, como fazer para contactar sua empresa (endereço web, telefone, e-mail de contato... o que lhe for conveniente)?


MP.:

 Mara Peres Cerimonial

 Telefones: 3012-9144 / 7860-1759


 



Marcelle Dames - debutante


Por Tatiana Bruzzi
 
Publicado em Maio de 2010

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Taty entrevista Rose

Perguntas:

1 - Quem é Roseane Marassi?

2 - Me revele um sonho, uma frustração e uma saudade.

3 - O que é pior: dias nublados ou sinal fechado? Por quê?

4 - Para você o que é, e como é, ser espetaculosa?

5 - Complete a frase: 2009 é o ano...

Respostas:

R: Não sei, rs... Acredito que a resposta esteja entre meias coloridas, arte, brigadeiro e música... ou talvez entre preguiça, silêncio, carinhos e incertezas.

R: Um sonho: morar num lugar tranquilo vivendo da minha arte. Uma frustração? Ter ficado calada, algumas vezes. Uma saudade... adolescência e tudo que havia nela.

R: Sinal fechado, ainda mais agora que estou aprendendo a dirigir.. RS... Cariocas não gostam de nenhum dos dois né, mas ficar parado esperando a minha vez me deixa impaciente.

R: Espetaculosa é toda mulher que vê a vida de forma positiva. Tem uma carreira, gosta de estar atualizada, viajar, sem deixar de ser feminina e de estar na moda. Ser espetaculosa tem sido um presente mensal, me sinto realmente feliz por fazer parte dessa equipe que promete arrasar esse ano.

R: de conquistar.

Publicado em Fevereiro de 2009

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Rose entrevista Carol

1- Pelo que sei você vai nos contar sobre países que você visitou recentemente, como é pra você esse momento de sentar e relatar o que de mais interessante você presenciou?

2- De todos os lugares que você possa imaginar, em qual lugar você se sente em paz?

3- Você poderia nos revelar uma qualidade e um defeito seus?

4- Que artista te inspira e por quê?

5- Nos conte com sinceridade, você costuma ler tudo o que é postado no Espetaculosas? Além da sua, qual a coluna que mais te chama a atenção?

Respostas!

1 - Fico muito feliz em poder dividir a experiência maravilhosa que eu tive fora do Brasil. Vi coisas que acredito que todo brasileiro deveria aprender. Me senti muito triste quando voltei. A diferença cultural e social é realmente muito grande. O Brasil, com seus 500 e poucos anos, ainda tem muito que aprender com os mais velhos.

2 - Pergunta difícil. Acho que em qualquer lugar onde eu possa ouvir uma boa música e apreciar alguma paisagem. Se bem que, depois dos Alpes, fica difícil pensar num lugar mais silencioso e calmo.

3 - Defeitos são vários, mas o pior é a falta de coragem. Sou bem medrosa, admito. Qualidade, eu sou... não dá pra vocês me dizerem não?

4 - Muitos artistas me inspiram a toda hora. Sou uma pessoa eclética em tudo. Motivada pelo que ouço, pelos ritmos, pelo que vejo, enfim, tudo me inspira!

5 - Me pegou hein. Não consigo ler tudo que nosso Espetaculosas publica, infelizmente. Eu não tenho uma coluna que mais gosto, a cada edição dou uma passada por todas elas e se vejo algum tópico que seja do meu interesse clico e leio!

 
Publicado em Fevereiro de 2009

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Carol entrevista Nanda

1 - Qual o seu maior sonho?

2 - Como você vê a crise financeira que estamos enfrentando? Ela te atingiu de alguma forma?

3 - Já cometeu alguma loucura por conta de uma TPM desenfreada?

4 - O que te deixa feliz? E o que te deixa triste?

5 - Está no Espetaculosas desde o começo? Qual a matéria mais trabalhosa que você já fez pra nós?

R: Não tenho um sonho pessoal, tenho um sonhe coletivo. Estou numa fase Martin Luther King, queria que o mundo fosse diferente. As pessoas estão muito autodestrutivas e isso me entristece.

R: Atingir-me não atingiu porque eu acredito que toda crise financeira é um reflexo do teu estilo de vida. Há muito tempo estou numa crise. RS... Seguindo este raciocínio, o mundo capitalista consumista só esta colhendo o que não plantou. Ou seja, tudo aquilo que ele poderia ter feito em termos de reservas mundiais ele preferiu transformar em papéis e em dívidas ativas.

R: Confesso a você que só tive crise de TPM depois dos trinta. E mesmo assim, não reconhecida. Não posso garantir que foi TPM porque vivo em crise. Aliás, todos dizem que TPM dá raiva e depressão, como eu vivo assim, não posso dizer se é ou não.

R: Crianças felizes. Uma criança sofrendo. Ainda acredito muito na infância.

R: Sim. Não diria trabalhosa, mas talvez a mais melancólica. Refiro-me ao caso Eloá. Aquilo realmente me deixou muito triste.

Publicado em Fevereiro de 2009

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Nanda entrevista Maria

1- Além de jornalista, você também é professora. Quais as melhores e piores lembranças da época em que lecionava e em que elas se parecem e diferem em relação aos dias atuais?

R: O exercício do magistério é uma árdua e grata missão para quem se dedica e gosta desta profissão. Seria redundante explicar por que é árdua diante da triste realidade em que se encontra a educação no Brasil. Aqui, os governantes estão mais preocupados com resultados de provinhas, que estatisticamente possam justificar os altos investimentos feitos em programas sociais, do que com a educação em si como forma de mobilidade social do indivíduo. O bolsa família, por exemplo, é um programa que sustenta discursos, garante reeleições, mas não evita a evasão escolar. Prova disso são casos de jovens estudantes que trocam o caminho da escola por rumos que lhes sejam mais lucrativos. Somado ao desestímulo do aluno, muitas escolas funcionam sem o mínimo de segurança e conforto. Muitas não têm nem carteiras para alunos sentarem e materiais adequados, para que tenham o prazer em aprender. Estes são alguns pontos negativos que desestimulam o profissional comprometido com a educação. Entretanto, é muito gratificante quando o educador é reconhecido pelo seu trabalho e considerado como um amigo que abriu caminho para o futuro de muitos jovens.

Entre muitas boas lembranças que tenho do meu tempo de professora, guardo como trunfo uma história da superação de uma aluna. Aos 10 anos de idade, Lu foi matriculada na escola pública e estava muita atrasada em relação à turma. Mas o baixo rendimento dessa menina logo se justificou após a tia me contar seu drama. Aos dois anos de idade, Lu estava no colo da mãe quando o avião em que viajavam caiu na floresta Amazônica. A criança foi a única sobrevivente da tragédia. Desde então, além de traumas físicos, que a deixou sem andar por muito tempo, a sequela psicológica quase tirou sua vontade de continuar a viver. Sua história comoveu a todos. E assim, empenhada em ajudá-la, consegui fazer com que os alunos colaborassem com sua locomoção pelos compartimentos da escola e a ajudassem nas tarefas de aula. Lu alcançou a turma e sua alegria voltou. O tempo passou. Num domingo, a campanhia de minha casa tocou. Diante de mim, estava uma linda mocinha com um bolo de chocolate nas mãos, dizendo que era uma homenagem pelo dia das mães. Ás vezes é difícil separar o papel de professora do sentido maternal.

2- O que a levou ao jornalismo?

Sempre gostei muito de ler e escrever. Fui aprovada no vestibular para Letras da Estácio, mas como eram poucos os inscritos nessa cadeira, e a faculdade não conseguiu fechar uma turma, me sugeriram outros cursos que fossem da área de Ciências Humanas. Escolhi Jornalismo e acho que fiz a opção certa.

3- Para você como é participar do Espetaculosas?

Participar de Espetaculosas é muito gratificante porque neste espaço posso expor minhas ideias de forma independente, democrática e dividi-las com leitores e amigos muito especiais.

4- Qual a melhor experiência pela qual passou, seja na vida pessoal ou profissional?

Quando escrevi o livro "Histórias que tocam", em parceria com minha irmã Marielza Neves, pude voltar no tempo e no espaço, revivendo a minha infância e as histórias de minha família. Foi muitíssimo gratificante entrevistar amigos de infância do bairro onde me criei e compartilhar com eles as memórias de momentos e fatos que marcaram nossas vidas.

5- Você tem saudades de quê?

Na memória de quem já viveu muitas primaveras, vai ficar sempre o perfume das flores que respirou na juventude. Este aroma é único.

Publicado em Fevereiro de 2009

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Maria entrevista Rô

Roberta Marassi é uma garota multimídia. Plugada e sintonizada com todos os meios de comunicação, aos 10 anos de idade despertou seu talento jornalístico quando lia os textos da prova de história diante de um espelho. Naquele momento, viu refletido no armário da mãe o sonho de ser apresentadora de telejornal. Mas o tempo foi passando e outras competências foram surgindo, além de gostar de ler e escrever. O gosto de rimar quadrinhas serviu de pontapé inicial para desenvolver a arte da poesia. Assim começou como letrista de suas próprias melodias, mesmo sem tocar nenhum instrumento musical. Roberta acreditou em seu talento e acrescentou mais este ao seu repertório cultural. Persistente, depois de formada em Jornalismo, a garota multimídia ingressou na pós-graduação em Telejornalismo até que se transformou em uma das redatoras do blog Espetaculosas.

1- Com tanto gosto pelo telejornalismo, quais chances ou convites surgiram para você trabalhar nessa função?

R: Bom, fui convidada a fazer um teste de vídeo pelo editor de imagens do Bom dia Brasil em 2004. Ele disse que gostou muito do meu desempenho diante das câmeras, e que iria enviar a fita para o departamento de pessoal junto com o currículo. Na época ainda não tinha nem entrado na pós. Depois disso, surgiram alguns projetos com amigos, mas não foram à frente.

2- Você fez algum curso para aprimorar a dicção, postura, enfim dicas para ser um bom apresentador de telejornal?

R: Quando mais nova, fiz fonoaudiologia por alguns anos, pois tive de usar aparelho ortodonto. Mas sempre que saía da consulta, tinha curso de inglês, onde a professora mandava falar colocando a língua na frente dos dentes, o que atrapalhava todo o processo de fono. (risos).

3- Na sua opinião, o jornal Nacional mantém a liderança de audiência no horário porque é uma produção da TV Globo ou porque tem o casal Bonner e Fátima como apresentadores?

R: A TV Globo é uma das maiores emissoras do país, e o Jornal Nacional é o mais antigo telejornal que ainda está no ar. Talvez, essa junção seja o ingrediente que mantém essa liderança. O entrosamento do casal e a bagagem que juntos acumulam, a experiência e busca por melhor qualidade, seja na técnica ou nas matérias, ajuda muito também.

Publicado em Fevereiro de 2009

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Rô entrevista Taty

1) Quando decidiu que seria jornalista?

R: Quando estava na oitava série, devido ao hábito de ler muito jornal e revista. Aliás, minha mãe conta que, quando eu ainda nem sabia ler, passava horas observando o jornal. Depois disso, por ordens médicas, ela passou a me dar revistinhas em quadrinhos. Foi aí que tudo começou.

2) Alguém te inspirou?

R: Não diria um profissional em especial, embora eu admire alguns, e sim as publicações que gostava de ler. Queria fazer aquilo. Também costumava assistir filmes em que retratavam profissionais dessa área. Vi O Jornal e me identifiquei muito com aquela rotina. Quer ouvir algo engraçado? Quando visitei a redação da extinta revista Manchete, o editor citou esse filme e teve as mesmas impressões e desejos que eu. Ele também se via na correria de uma redação, se embebedando de café e mastigando o copinho plástico.

3) E a família, incentivou ou teve alguém que foi contra?

R: No funda acho que ninguém gostou muito, já que nunca ouvi palavras de incentivo. Pelo contrário, quando dizia o que queria fazer, meu pai colocava mil defeitos e sempre mudava de conversa, tentando me convencer a fazer outra coisa. Quando me inscrevi para o vestibular, ele chegou a me oferecer uma academia se eu fizesse educação física. Montaria ela enquanto eu estudava. RS... Mas, em momento algum da minha vida eu tive dúvidas ou me arrependi. Jornalismo é minha vida!!!

4) Porque decidiu fazer jornalismo?

R: Porque amava escrever e acreditava que, nessa profissão, eu teria condições de aprender sobre diversos assuntos, vivenciar outras culturas e assim passar adiante, para aqueles que tivessem menos oportunidades que eu. Afinal, quando bem aproveitados, os veículos de comunicação podem ser ótimas fontes de conhecimento.

5) Como você via o curso no início (suas ilusões quanto à profissão) e como vê depois de formada?

R: Quando entrei, tudo era muito novo e diferente para mim. Me empolguei somente em ver a grade e saber que aprenderia coisas novas. No decorrer do curso, a gente encontra disciplinas bem legais em termos técnicos. E outras que acrescentam muito, em termos de conteúdo acadêmico. Agora, nada como colocar em prática o que se aprende na teoria. Nunca criei ilusões quanto a profissão, como sair de lá direto para o JN. E hoje acredito ter cometido uma única falha. Deveria ter procurado estágio fora mais cedo, o que não fiz por acreditar que o da faculdade teria certo peso. Tornei-me uma boa profissional, isso de acordo com colegas e professores, mas no mercado minha experiência não tem muita credibilidade.

6) Você é pós graduada em jornalismo cultural, porque decidiu seguir esse rumo?

R: Porque sempre me identifiquei com a arte, de um modo geral. Amo cinema, teatro, música, TV, fotografia, exposições... Meu sonho sempre foi trabalhar com isso, ser crítica de cinema, cobrir exposições de arte, festivais de música... Ou seja, escrever sobre esse meio.

7) Existe algum lugar em que seria seu sonho trabalhar, seja empresa e/ou país. Qual?

R: Se eu pudesse viver somente do Espetaculosas, viveria muito feliz... Qualquer lugar em que eu pudesse produzir, de forma que sentisse prazer e retorno de satisfação, ao ver meu trabalho reconhecido (o que difere de retorno financeiro). Se fosse ditar um veículo eu diria a revista Carícia, que serviu de inspiração para mim. Mas, ela já não existe mais. RS... Como eu amo escrever, e me identifico muito com o perfil de revista, citaria publicações com o mesmo seguimento como Capricho, Marie Claire, Cláudia, Elle, Cosmopolitan... Gêneros feminino e/ou adolescente. Agora, já passei por quatro seleções na TV Globo (Projac) e confesso que, se fosse para escolher televisão, gostaria de ir para lá. Por se tratar de uma grande empresa da área de comunicação e entretenimento, que me parece valorizar seus profissionais e, principalmente, público alvo.

8) E onde você não iria nem por 1 milhão de euros?

R: Para um lugar que não me deixassem exercer a profissão de forma ética, que fosse contra meus princípios. Onde eu percebesse que não estava produzindo e muito menos, crescendo profissionalmente.

9) Sendo especialista em jornalismo cultural, como você vê o mercado de trabalho nessa área?

R: Não acho o mercado ruim, em termos de espaço, veículo. O problema é a banalização da profissão. São pessoas que entram sem terem formação, paixão, dom. Você é ex-reality show, vira repórter. É modelo, vira apresentador... E por aí vai. Se esquecem que a pessoa para ser jornalista precisa gostar de ler, escrever bem, se atualizar, estudar leis, éticas, técnicas... Ganha pouco, trabalha muito, não tem sábado, domingo, feriado... E ainda corre riscos. Uma vez me disseram que nesse meio não havia problema, pois se trata de entretenimento. Calma que não é por aí! Eu estudei história da arte, Crítica literária, Cultura Brasileira, Cinema, Fotografia... Conheço tantos amigos que dariam ótimos profissionais nas áreas de TV, fotografia, web... Só lhes faltam oportunidades. Já pensou o que seria do paciente se um dia alguém acordasse com vontade de ser médico? Isso não acontece com carreiras desse tipo, da mesma forma que acontece com o jornalismo. Basta! E não falo só por mim, mas toda uma classe. Artistas defenderam sua arte, derrubaram a ditadura. Larry Flint foi aos tribunais lutar pela liberdade, derrubou uma sociedade falsa puritana. Estudantes foram às ruas de cara pintada, expulsaram um presidente. Eleitores votaram, elegeram o primeiro presidente negro da maior potência mundial. Isso não precisa ser apenas fatos para serem contados nos livros de história.

10) As mídias têm valorizado a cultura brasileira?

R: Não tanto quanto deveriam. Quando se pensa em cultura brasileira, logo nos revertemos para o carnaval. O problema é o Brasil ser bem mais que isso, e nem todos tem acesso ao que ocorre pelo país. Além do carnaval, há Festa de São João, Festa da Uva, Festival de Parintins... Ano passado descobri, por um acaso, que existe uma cidade no interior de São Paulo onde o lobisomem, personagem de histórias de terror, é seu anfitrião. Ou seja, a cidade sobrevive graças ao turista que vai lá conhecer de perto a capital do lobisomem, ouvir as histórias, comprar lembrancinhas... É quase o Mickey brasileiro. Isso é cultura, e aqui no Brasil. Mas, você ficou sabendo? Se leu o Espetaculosas, sim. RS...

11) Você acha que alguma coisa poderia ser melhorado, o que?

R: Muitas coisas!!! No mundo, a intolerância. No Brasil, saúde, educação, sistema penal... Em mim, gostaria de ser mais corajosa e menos depressiva.

12) Além do Espetaculosas, você escreve pra mais algum veículo? Qual?

R: Sim. Atualmente assino a coluna OlharTV no site WWW.natelinha.uol.com.br , onde faço críticas sobre programas e/ ou assuntos relacionados a TV (aberta e fechada).

Publicado em Fevereiro de 2009

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Entrevista - Luiz Carlos Oliveira Jr

Cineasta 

Luiz Carlos Oliveira Jr é um jovem cineasta, crítico e editor da revista online Contracampo. Conhecido no meio por seus textos bem elaborados, sustentados por alto conhecimento sobre a Sétima Arte, o cineasta recebe sempre convites para escrever ensaios para livros, catálogos de festivais e ministrar oficinas de crítica. Participou, por diversas vezes, de debates sobre filmes nacionais exibidos no programa Cadernos de Cinema, da TVE Brasil. Em fevereiro deste ano, foi selecionado para o Trainee Project for Young Film Critics do Festival de Rotterdam. Como diretor, Luiz Carlos já conta com dois curtas-metragens em sua cinematografia: Grumari, ainda em finalização, filmado no santuário ecológico do Rio de Janeiro, e O dia em que não matei Bertrand, baseado no conto homônimo do escritor Sergio Sant’Anna. Este último curta foi exibido no Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, em agosto deste ano.

Espetaculosas: Segundo os organizadores, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo exibiu 381 filmes de 54 países em sua 19ª edição, que aconteceu de 21 a 29 de agosto em diversas salas da capital paulista, além de itinerâncias que acontecem no Rio de Janeiro, Recife, Jundiaí e São Carlos (SP) trazendo filmes premiados em Cannes, Clermont-Ferrand, Berlim e Veneza. Entre esse volume de filmes estava o seu curta-metragem O dia em que não matei Bertrand. Como diretor estreante, o que significou para você ver seu filme sendo exibido em salas totalmente lotadas?

Luiz Carlos: Ainda não sei bem o que significou. O que sei é que as duas sessões do festival a que compareci foram agradáveis ao extremo. É difícil ter a dimensão de uma estréia, você fica meses pensando em como vai ser a primeira exibição de um filme seu e quando acontece é algo singelo, você depois vai beber cerveja com os amigos, conversam sobre o filme. E prefiro assim, sem pompa, sem tom épico. É só um filme, afinal de contas. A sala estava cheia nas duas ocasiões, mas teria sido igualmente especial para mim caso houvesse pouca gente para ver o filme. Como Manoel de Oliveira sabiamente disse: um filme só fica pronto quando conhece seu primeiro espectador. E isso precisa ser encarado literalmente: basta 1 (um) espectador para o filme acontecer como obra. Que a sala esteja lotada e o evento em que o filme passa esteja sendo abordado pela mídia é interessante, aumenta a probabilidade de surgir um espectador que, diante daquele filme, vai realmente ser cativado. Mas o número de pessoas, em si, não é o principal. No Brasil, hoje mais que nunca, insiste-se nessa tecla do público, mas só se fala em termos de número, estatística, bilheteria. Quando no fundo o cinema não é como a TV: você não precisa de pontos de audiência. Se houver um único espectador na sala, a obra terá acontecido enquanto obra da mesma forma, ninguém irá tirá-la do ar. Mas aí já começa outra história, que fugiria da pergunta e daria laudas e laudas de divagações!

ES: Curta Kinoforum - Festival de Curtas de SP- anunciou resultados de sua 19ª edição, e o filme O dia em que não matei Bertran foi selecionado para o evento do Cachaça Cinema Clube, em um programa especial no Cine Odeon BR. Como você recebeu essa notícia?

LC: Isso significa que poderei ver o filme na minha cidade, em uma sala que tem enorme importância para mim. Ou seja, significa muito. Lá no Odeon organizávamos, nós da Contracampo em parceria com o Grupo Estação, um cineclube semanal. Vi alguns dos meus filmes prediletos naquela sala, a exemplo de Aos Nossos Amores do Maurice Pialat ou Juventude Transviada do Nicholas Ray. E tantos outros. Portanto o lado afetivo vai pesar bastante nessa sessão (até porque amigos e parentes estarão lá).

ES: Na seleção do Festival de São Paulo destacaram-se filmes ligados à temática “Política Viva”. Seu filme leva para o telão um conto produzido em 1973, época em que os intelectuais mais criativos driblavam a censura em prosa e verso. Ele mostra esse tempo ditatorial através do relacionamento entre um chefe arrogante e seu humilde funcionário que, oprimido por esse tratamento hostil do patrão, planeja matá-lo. Como foi a experiência de dirigir um filme cujo tema tão delicado fosse colocado em questão?

LC: Na verdade, nunca pensamos nesse filme como sendo político. E tampouco fizemos o link entre o ambiente opressor do escritório onde ele trabalha com a situação política da ditadura. Pode ser uma especulação interessante, mas de fato não esteve na gênese do projeto. Até porque a produção não se passa em 1973. Tem lá um anacronismo na cenografia, mas não é uma ambientação de época. Houve um momento em que pensamos transpor o escritório do Bertrand para o ambiente corporativo contemporâneo. Mas logo percebemos que a potência cênica do filme se desperdiçaria num ambiente envidraçado e clean. Precisávamos daquelas paredes escuras, aqueles objetos encarquilhados, aquele clima de uma firma que, embora não esteja propriamente parada no tempo (é informatizada etc e tal), remete a uma atmosfera démodé. Caso tivéssemos feito o filme numa empresa de visual moderno e grande, talvez chegássemos mais perto de um clima de ditadura. Vejo mais opressão e controle nessas megacorporações, onde você sequer conhece o rosto de quem manda, do que naquele ambiente apertado, claustrofóbico, onde o protagonista não só conhece o rosto do patrão como tem acesso à sua sala e pode enfrentá-lo. O lado derrisório do personagem está um pouco aí: ele quer matar alguém que lhe é indiferente. E embora seu ódio seja pré-justificado (caso tomemos o patrão como o signo de uma estrutura opressora, e não como pessoa de carne e osso), por outro lado é impossível justificar pelas ações dramáticas em si (matar aquele homem? Por quê? É só mais um patrão entre milhões de outros).

ES: Quais foram suas maiores dificuldades para dirigir seu filme, em termos técnicos e logísticos?

LC: O filme impôs poucas dificuldades, felizmente, do ponto de vista logístico. Uma vez encontradas as locações, das quais a mais complicada era o prédio da Central do Brasil, tudo transcorreu de forma tranqüila. No último dia de filmagem, tivemos problemas com um gerador e a jornada de filmagem acabou se prolongando abusivamente. Ficamos quase 24 horas direto no set. No final, estavam todos exaustos – mas isso curiosamente contribuiu para o resultado do filme. Se você observa a primeira seqüência (que foi a última a ser filmada), o ator está fisicamente consumido, e isso combina à perfeição com sua personagem insone, ansioso, paranóico, delirante. O set de filmagem é um complexo conjunto de forças, e muitas vezes esse tipo de situação “adversa” pode se reverter a favor da produção e contribuir para a energia e a força que a obra, uma vez exibida na tela, apresenta ao espectador sob a forma de evidência física, percepção, estética. As maiores dificuldades que tivemos foram de ordem criativa, ou seja, a “boa” dificuldade, aquela que é instigante e nos obriga a pensar e repensar as cenas. Lembro que a seqüência do estacionamento só foi decupada minutos antes da filmagem. Tudo isso tem sua contribuição no processo.



ES: O cinema brasileiro anda com seus 6,9% de taxa de ocupação no mercado, uma fatia muito pequena em relação aos filmes estrangeiros. Essa estatística desanima os novos diretores?

LC: Não. Desanimar por conta de números seria colocar a carroça na frente dos bois. A relação entre o cinema brasileiro e seu público é completamente esquizofrênica e impossível de se explicar através de porcentagem. Os novos diretores devem simplesmente fazer seus filmes, mas fazê-los com o máximo possível de entrega, honestidade, paixão, reflexão. Toda obra de arte que preenche esses pré-requisitos encontra seu espectador. Nem que seja apenas um. E, como eu disse lá em cima, se for um espectador que reenvia ao filme essa paixão, essa honestidade, essa reflexão e tudo mais, já terá valido a pena.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2008

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Entrevista - Lucinha Araújo

mãe do Cazuza


ES: Defina como foi para a senhora ser mãe em pleno fim da década de 50, época de ouro no campo cultural e político (com a Bossa Nova, Governo Juscelino), em que a sociedade brasileira sofria certa glamourização?

LA: Acho que ser mãe é sempre igual. Não vejo diferença entre as épocas, seja no governo Juscelino, Ditadura ou qualquer regime.

ES: Dizem que mãe é tudo igual, só muda de endereço. Se compararmos as mães daquela época com as atuais acredita que existem muitas diferenças? Como a senhora acha que elas reagem a essa progressão?

LA: Acho que já respondi na pergunta anterior. A única diferença que vejo é que hoje as mães passam mais tempo fora de casa, porque tem que participar no orçamento da família. Mas acho que é mais ou menos isso: só muda de endereço.

ES: Em sua opinião, de lá para cá o que mudou na relação entre mãe e filho?

LA: Depende da mãe e depende do filho.

ES: Quem conhece a história do jovem Cazuza, vê a figura de um rapaz que inspirava alegria, inteligência, independência e rebeldia. Fruto de um quadro referente à época (anos 80). Sendo assim, a senhora acredita que tenha sido uma mãe muito rígida?

LA: Acredito que tenha sido uma mãe muito rígida, embora não aconselhe ninguém a fazer isso. Acho que o criei-nos mesmos moldes em que fui criada.

ES: Qual o momento mais marcante da Lucinha mãe com o Agenor filho?

LA: Meses antes de sua morte, já bem doente, ele virou-se para mim e disse uma frase que nunca mais esqueci “mãe, aconteça o que acontecer eu vou estar sempre junto de você”. Há 18 anos sinto isso.

ES: Como a senhora lidou diante da posição de, primeiro ser esposa de uma pessoa muito ilustre e logo depois, a mãe de uma celebridade?

LA: Com muita humildade e orgulho, pois não é para qualquer mulher conviver com duas pessoas ilustres e famosas.

ES: Quanto a Sociedade Viva Cazuza (instituição criado em prol de crianças portadoras do vírus HIV), o que a motivou a tocar esse projeto?

LA: Um trauma que o Brasil todo conhece e participou.

ES: Qual sua relação com aquelas crianças? Pode-se dizer que se sente um pouco mãe de todas elas?

LA: Com toda a certeza e honra e com toda responsabilidade e amor, me sinto um pouco mãe delas.

ES: Quais os procedimentos para quem deseja visitar e contribuir com a casa?

LA: As visitas à Sociedade Viva Cazuza são as quintas feiras, agendadas pelo telefone (21) 25515368 ou por e-mail vivacazuza@vivacazuza.org.br e as contribuições podem ser feitas de segunda a sexta feira, das 7 às 19 horas na Rua Pinheiro Machado 39, Laranjeiras ou através de depósito em nossa conta corrente: 26901-8, Banco Bradesco - Agência 0887-7.

ES: Por fim responda: “Só as mães são felizes?”

LA: Esta frase é uma utopia, porque nem todas as mães são felizes. Mãe só é feliz quando o filho é feliz.

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Maio de 2008

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Preconceito na educação?

Globalização e tecnologia em alta. Essas são algumas características dos dias atuais, mas tem uma coisa que ainda não mudou: o preconceito e machismo. Mês passado, o Espetaculosas publicou uma matéria falando sobre o assunto que está imperando nas escolas. Agora, pegando carona no assunto que ainda tem muito pano para manga, contaremos a história de Michel Amâncio Furtado. Alguém que sabe bem o que é isso.

O jovem de 23 anos é professor e leciona para alunos de 7 a 11 anos. Ele sente na pele o preconceito dos pais. “Posso dizer que acontece meio que indiretamente, pois a maioria deles não comenta nada, já que seria um crime, mas sinto nos olhares dos pais”, relata.

Michel diz que os pais ficam espantados ao saber que um rapaz é o professor de seu filho. Um deles foi à secretaria reclamar. “Eles ficam muito inseguros e procurando apenas um pequeno erro da minha parte para me julgar e conseguir um pretexto para questionar o fato de o filho estudar com um professor, mas com o tempo, graças a Deus, ganho a confiança deles, pois amo a minha profissão”.
 
O professor não entende esse tipo de atitude. “Vejo como um ato de pessoas sem cultura, que tem pensamentos totalmente pré-históricos. Se pararmos para pensar, na história de nosso país, os primeiros professores eram do sexo masculino. Oro por estas pessoas e peço ao meu Deus que me dê força”, desabafa.

Michel não se inibe e age de acordo com a gravidade do caso. Por sua vez, segundo o professor, a escola ouve e explica aos pais. “A diretoria os orientam e fala sobre minha capacitação para o cargo. Diz que um professor nas séries iniciais é muito importante na formação da identidade das crianças”.

Ele, que é o primeiro professor do sexo masculino a dar aulas para essa faixa etária no colégio, conta que teve um professor que o incentivou quando criança. “O professor Marcos, que me deu aula na 3ª série, me incentivou muito e alertou sobre tudo que iria passar em minha vida profissional. Ele pode ter passado por situações parecidas às minhas”, conclui Michel.

Por Roberta Marassi
 
Publicado em Abril de 2008

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Entrevista

Julio Leira / Equipar

TB - O que significa turismo de aventura? Esportes Radicais estão incluídos nessa atividade?

JL - O Turismo de Aventura é um segmento de mercado do setor de Turismo, que compreende no movimento de turistas, cujo atrativo principal é a prática de atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo. Atualmente, ele é um dos segmentos que mais cresce em todo o mundo e particularmente no Brasil, onde as belezas naturais e a grandiosidade do país permitem a realização de uma infinidade de atividades em diversos destinos turísticos. Atividades relacionadas a Turismo de Aventura: Escala em rocha, rafting, rapel, mountain bike, mergulho, trekking, arborismo, tirolesa, exploração de cavernas, dentre outros. De certa forma, esportes radicais também estão incluídos nas atividades de Turismo de Aventura, só que não com o termo “esportes radicais”. 

TB - O que intitula um esporte como radical?

JL - Esse termo surgiu de uma jogada de marketing para divulgar as competições de “esportes de aventura” e são usados para designar esportes com um alto grau de risco físico, dado às condições de altura, velocidade ou outras variantes em que são praticados. Atividades relacionadas a “esportes radicais”: Bungee jumping, Canoagem, Canyoning, Corrida de Aventura, Parapente, Paraquedismo, Rafting, Trekking, Vôo livre, Skate, Surf, dentre outros. O esporte radical tem uma conotação mais competitiva, já o turismo de aventura uma conotação mais recreativa.

TB - Há quanto tempo a Equipar foi fundada?

JL - A Equipar Trilhas & Montanhas existe há mais de dois anos, sempre atuando no segmento de Turismo de Aventura. Nossas atividades são voltadas mais para a escalada em rocha, trekking e rapel. Em breve estaremos fazendo também rapel de cachoeira.

TB - O que levou vocês a criarem essa empresa? A paixão pela aventura?

JL - Em primeiro lugar a paixão pela natureza e a paixão pela aventura. Não há nada melhor do que depois de uma semana de trabalho/estudo você renovar sua energia estando em contato com a natureza, seja numa trilha, seja numa rocha ou numa cachoeira. Aliado a essa paixão pela natureza, surgiu a idéia de fazer um curso de escalada em rocha. Após a conclusão do curso, levávamos alguns amigos interessados para escalar. Como o material de escalada é caro surgiu a idéia de cobrarmos um valor para a própria manutenção/compra do material. Foi aí que surgiu a Equipar Trilhas & Montanhas. Posteriormente, visando aprimorar os nossos conhecimentos e o atendimento ao cliente, realizamos o curso de certificação da ACTA – Associação Carioca de Turismo de Aventura.

TB - Qual a principal proposta e o objetivo da Equipar?

JL - Nosso principal objetivo é mostrar a cidade do Rio de Janeiro de uma forma diferente. Fazer com que as pessoas saiam de suas rotinas e conheçam a cidade através de trilhas, escaladas, locais para banhos de cachoeiras. Que elas, depois de uma atividade com a Equipar, sintam-se renovadas, que sintam a verdadeira energia da natureza aliado a uma atividade saudável.

TB - A empresa conta com profissionais especializados?

JL - Com certeza, todos os condutores da Equipar são formados em curso de escalada em rocha, além de serem certificados pela ACTA – Associação Carioca de Turismo de Aventura.

TB - Quantos profissionais fazem parte da equipe?

JL - Atualmente temos uma equipe com 6 condutores certificados e mais dois 2 condutores auxiliares.

TB - Em média, quantos grupos vocês agendam por mês?

JL - Entre 10 e 15 grupos/mês, contudo tal perspectiva difere, pois temos que levar em conta o período de férias escolares, bem como estações do ano, além é claro das condições climáticas.

TB - Em quais lugares vocês costumam agendar atividades?

JL - Trilhas: Pico da Tijuca, Bico do Papagaio, Pedra Bonita, Pedra da Gávea, Pão de Açúcar e Cachoeira do Quebra e do Chuveiro. As trilhas variam do nível fácil ao pesado.

Escalada: Morro da Urca, Morro da Babilônia e Paineiras.

TB - Para iniciarmos uma atividade física sempre há preocupação quanto às condições físicas e de saúde. E quanto a vocês? O que é preciso para se estar apto a participar das atividades propostas pela empresa? Limites de idade ou obrigatoriedades?

JL - Antes de fazes qualquer atividade, mandamos para o cliente um termo de assunção de risco. Esse termo contém toda a descrição da atividade, assim como os dados de saúde e condições físicas, o qual será lido, preenchido e devolvido devidamente assinado. Baseado nesse termo obtemos o perfil do cliente, sabendo o que se pode ou não fazer, qual lugar ideal para se levar, a que ele é alérgico, qual remédio ele não pode tomar, a quem ligar em caso de urgência. Enfim, temos todas as informações úteis em caso de alguma emergência.

TB - Há previsão de novas aquisições (cursos ou atividades)?

JL - Estamos para lançar o Rapel de Cachoeira. Aguardem!

TB - Qual o conselho que vocês dariam a quem pretende praticar esse tipo de esporte?

JL - Não existe limite de idade para o Turismo de Aventura. Desde crianças de 8 anos até pessoas com 70 anos podem praticar. Além de a atividade física ser boa para o corpo, as pessoas interagem com um grupo, assim aumentando seu circulo de amizades. Para as crianças serve inclusive como um auxílio de interação social, pois aprendem diversas coisas. Independente de praticar ou não um esporte de aventura, pratiquem qualquer tipo de atividade física. É bom para o corpo, para a mente e ajuda a renovar a energia.

TB - Como fazer para agendar um passeio com vocês?

JL - É só acessar o nosso calendário: http://equipar-rj.com/calendario/calendario.html

Lá você vai encontrar a data/atividade. É só ler a breve descrição da atividade, ver a disponibilidade para o dia e mandar uma mensagem para a gente solicitando informações/inscrição para a atividade e dia escolhido. Retornaremos com um e-mail descrevendo toda a atividade bem como o seu valor.

Caso já tenha em mente uma determinada atividade e esta não esteja em nosso calendário para aquele mês, o cliente pode nos enviar uma solicitação de agendamento, onde analisaremos a possibilidade de substituição ou inclusão.

TB - Por fim responda: vale à pena aventurar-se?

JL - Ahã, claro, of course, sem dúvida! Participe de uma das atividades da Equipar Caminhar por uma trilha e ao final se deparar com uma vista privilegiada? Ou ainda sabendo que ao final terá uma linda cachoeira?! Não há como descrever tal sensação... É preciso sentir! Garanto que não vai se arrepender. e descubra por si só! Escalar e chegar a altura na qual você só tinha ido de elevador?!

Fiquem todos na paz das montanhas!



Equipar Trilhas & Montanhas

www.equipar-rj.com



Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Março de 2008

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