“Que o nosso amor seja eterno

enquanto”... não acabe

Que tempos os nossos, hein? E pensar que me dá saudade da época do namoro escondido, eu mesma fui partidária de um, e pensar que dá saudade de achar que beijo de língua engravidava, que roçar no namorado dava filho, que decote mais ousado te deixava com ar de “fácil”. Fácil?

E quem disse que a vida desta meninada hoje em dia é fácil? Eles nascem à 1 da manhã, às 4 já estão namorando de beijo na boca, ao meio-dia já tiveram sexo (nem me convençam a usar qualquer outra expressão pois tem gente da minha geração que até hoje não sabe “fazer amor”... quer saber? Pelo que vi outro dia, quem “fazia amor” era o Jece Valadão, ahahahah)...

As 6 da tarde já estão parindo o segundo ou terceiro filho. E quando dá meia-noite já estão cansados, frustrados, envelhecidos e esgotados moral e fisicamente. Ou seja, em 24 horas vão de crianças inocentes a garanhões e mulheres altamente descoladas. E isto só causa problemas mais sérios.

Senão, vejam só: esta menina , a Elisa. Como ela, e antes dela, houve outras, menos famosas, mais famosas, com mais sorte, com menos sorte. A Cláudia Lessin, na década de 70, moça de boa família, deprimida, com amigos mais milionários ainda, encontrou um trágico fim para suas agruras existenciais aos 21 anos, estuprada, asfixiada e jogada com pedras enroladas ao corpo, em plena Av. Niemeyer.

Mônica Granuzzo, jogada de um apartamento quando foi para lá com 3 rapazes e não topou fazer nada. Teve a menina da zona sul que foi (só) ridicularizada por todos da escola e da rua, sendo gravada fazendo sexo com o namoradinho. A menina da Barra da Tijuca, que topou perder a virgindade em uma festinha. Mas se arrependeu, acabou currada por menores (!) de idade, mais novos que ela, e largada em um matagal, teve...teve...teve.... São muitas, enfim.

Toda a hora tem alguém achando que elas mudam, vão se resguardar, que eles vão ser decentes. Mas se toda esta intrincada teia de relações que desde a Antiguidade deixa vítimas e algozes em evidência, e nos faz perguntar sempre a mesma coisa, “por quê?”, não muda nunca, a velocidade com que agora as relações começam no amor e terminam no ódio profundo, é maior.

Talvez movida por muitos, muitos megas. 100 megas, 100 vergonha, 100 pudor ou 100 moral. A velocidade é rápida, a promiscuidade maior, entre homens e mulheres da nossa época. Ficou difícil saber quem são as vítimas? São as que oferecem o pescoço ao sacrifício da degola procurando facão? Ou são os cretinos que acreditam que elas ainda querem só um abraço e um carinho?

Os algozes por acaso serão os que perdem a cabeça, e tudo o mais, quando se sentem humilhados, trapaceados, traídos em seu princípio de macheza. Princípio este consolidado por uma sociedade machista e patriarcal, onde a mulher “gosta” de ser dona de casa para ter o emprego de “esposa de jogador”, “esposa de militar” ou “esposa de político” ? Ou os algozes são aquelas que rebolam até o chão, que não são do tipo “que se entrega na primeira, mas melhora na segunda, e o paraíso é na terceira”?


Tudo muito confuso. Desde os valores que cada um deve desempenhar na conquista romântica até no papel que cada um vai escolher, para representar numa relação de futuro. Os valores estão efêmeros, o conteúdo não existe, as relações são insinceras, os sentimentos fugazes e vulgares, o amor virou uma letra ruim de pagode onde tudo começa na “cama” e acaba na “lama”.

Ou seja, não existe mais “felizes para sempre” para a maioria. Existe “ felizes enquanto você- me- banque- e- me- deixe- viver-em-paz- do-jeito-que-quero-e-acho-que-mereço”. Não existe o “amor da minha vida” (embora seja muito fácil encontrar no Orkut da rapaziada uns 10 “amores da vida” deles em até 6 meses do ano), existe sim o “prazer da minha vida”.

Chato isso. Eu acho que muita coisa poderia ser evitada só com o amor mesmo. Aquele que é cego, surdo, mudo, paraplégico... e pobre.
Por Fernanda Barbosa

Publicado em Julho de 2010

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O Mundo Mágico de Harry Potter

acaba de chegar a Orlando


Britânicos invadem a terra do Tio Sam

O bruxinho mais famoso do cinema acaba de pousar com sua vassoura no Islands of Adventure. Harry Potter e sua turma agora têm um parque temático em Orlando, na Flórida, dedicado às suas aventuras mágicas.

A personagem surgiu aos 11 anos em Harry Potter e a Pedra Filosofal. Levou sua autora, a inglesa J.K.Rowling, a vender 400 milhões de livros e foi um sucesso de bilheteria, totalizando seis filmes até o momento. Hoje, aos 17 anos, com a aproximação da estreia do sétimo e último filme, se prepara para sair de cena mais amadurecido e habilidoso do que nunca.

Construído através de uma parceria entre o Universal e a Warner Bros, o “The Wizarding World of Harry Potter” – O Mundo Mágico de Harry Potter – teve um investimento de aproximadamente U$200 milhões, distribuídos em tecnologia até então inédita nos parques de Orlando.

Uma mistura de cinema e ação em 360 graus, é a sexta ilha temática do parque Islands of Adventure, no Universal Orlando Resort, e fica entre o “Jurassic Park” - Parque dos Dinossauros - e o “Lost Continent” - Continente Perdido-.

A escritora da série participou do processo de criação do parque, incluindo a escolha de seu nome. Assim como toda a equipe de direção de arte e cenografia dos filmes, que ajudaram na concepção e construção do complexo buscando transmitir mais veracidade aos visitantes.

Toda a trajetória do bruxo pode ser conferida numa área de 80 mil metros quadrados, dedicada ao personagem e sua turma, dentro do parque temático. Na versão turística, bruxos, duendes e outros seres encantados dão boas-vindas aos visitantes, em meio a casas com paredes de pedras escuras e telhados pontiagudos, cobertos de neve.

A aventura começa com a viagem no Expresso de Hogwarts, logo na entrada do parque, que leva os visitantes a um passeio pela aldeia de Hogsmeade. O percurso conduz até a escola frequentada por Potter e seus amigos.

Sua projeção dá a sensação de ter uns 215 metros de altura. Outro fator que impressiona, é o cuidado com que o ambiente foi idealizado. A reconstrução do cenário não permite que o público enxergue as outras dependências do parque temático, enquanto caminha pela Hogsmeade de Orlando.




Antes de entrar no castelo, o visitante passa na Olivaras. Segundo a tradição, assim como Potter em seu primeiro ano de escola, ele também é escolhido por uma varinha mágica.

Chegando ao castelo, você pode circular livremente entre as atrações do complexo. Dos corredores e escadas góticas, passando pela sala dos quadros que retratam importantes personagens da história da escola, inclusive seus quatro fundadores - Godric Gryffindor, Helga Hufflepuff, Rowena Ravenclaw e Salazar Slytherin.

A pedida é acompanhar um dos grandes destaques do empreendimento, a “Jornada Proibida”. Lá, os fãs dão um passeio pelos momentos mais emocionantes da vida do aprendiz de feiticeiro. Dá para ver o Chapéu Seletor, a Sala das Velas Flutuantes e até acompanhar as discussões dos professores mais antigos da escola de magia, em quadros pendurados nas paredes.

Harry Potter e seus amigos inseparáveis, Ron e Hermione, convidam o visitante a cabular uma aula chata de história da magia. Acomodando-se em um banco voador, a aventura começa através de uma partida de quadribol entre Sonserina e Grifinória. O vencedor leva de lembrança uma goles (bola usada no quadribol), também encontrada à venda na Devish and Banges.

O roteiro conta ainda com uma visita ao escritório do professor Dumbledore, onde o mestre se encontra em meio aos seus inúmeros livros, com direito às boas-vindas dadas por ele aos “trouxas”. A imagem, projetada com tecnologia de alta definição, produz um efeito quase real.




Passamos em seguida para a sala dos alunos em Grifinória e a aula de Defesa Contra as Artes Sombrias. É nesse momento que os fãs sobrevoam os jardins do castelo e se deparam com seres exóticos da trama, como o Rabo-Córneo Húngaro, a gigantesca Acromântula e os Dementores, além de escapar de um ataque de dragão e do salgueiro lutador. A brincadeira completa dura uma hora.

Do lado de fora, no Voo do Hipografo - montanha-russa para crianças - o visitante é guiado pelo gigante Hagrid e aprende a lidar com a criatura metade águia, metade cavalo, que ajuda Sirius Black, padrinho de Harry, a escapar da cadeia após ser condenado injustamente, no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Para os maiores a pedida é o Desafio do Dragão, montanha-russa de alta velocidade com trilhos que simulam as disputas do Torneio Tribruxo narradas em Harry Potter e o Cálice de Fogo, quarto livro da série.

Na hora de repor as energias, que tal passar na praça de alimentação? Lá nos deparamos com variadas opções de lanchonetes e restaurantes, que tem em seu menu às delícias da gastronomia britânica. No restaurante Three Broomsticks o cardápio é todo baseado em pratos e bebidas citados nos filmes.

Entre as bebidas servidas no pub Head Hog, suco de abóbora e cerveja amanteigada. Já na Honeydukes a grande atração é a variedade de doces, batizados com os nomes das personagens. Além dos sapos de chocolate e feijõezinhos de todos os sabores, jelly beans de sabores esquisitos e gostos duvidosos.




Quanto às compras, quem for ao parque pode aproveitar o Centro de Conveniência para escolher suas lembrancinhas. A loja Zonko, especializada em artigos de mágica, revela curiosidades como o bisbilhoscópio (sneakoscope), uma esfera que muda de cor - vai do azul ao vermelho - e gira freneticamente, alardeando a aproximação de alguém.

Na Dervish & Banges encontra-se equipamentos para os esportes praticados pelo jovem bruxo, como o quadribol. Enquanto que a Ollivanders é um espaço interativo, contando com diversas publicações dedicadas à série.

Prepara-se para a viagem

Brasileiros interessados em conhecer “O Mundo Mágico de Harry Potter”, saibam que a MC Brasil desenvolveu pacotes especiais para o passeio. Um roteiro de dez noites custa a partir de US$ 2.630, incluindo passagens aéreas, traslados, acomodação no All Star Resorts com café da manhã, assistência de embarque e desembarque, gorjetas para maleteiros em Orlando, kit de viagem, acompanhamento de guia, tesouraria para menores de idade, assistência 24 horas em português, jantar no Planet Hollywood e transporte para todas as atividades.

E ainda como brinde especial, os clientes terão direito a DVD da viagem e festa exclusiva no Suncoast USA. O pagamento pode ser parcelado em 25% de entrada e o restante, em dez prestações sem juros. Informações pelo tel.: (0xx19) 2129-0800.

Já pela SunCoastUSA a viagem de dez noites sai a partir US$ 2.994 e conta com passagens aéreas, traslados e hospedagem em apartamento quádruplo.

A empresa dispõe ainda de roteiros fly & drive em Orlando, com preços a partir de US$ 1.259 para o período de dez noites. O pagamento pode ser parcelado em até dez vezes sem juros. Informações pelo tel.: 5094-5400 ou site http://www.suncoastusa.com/

Fonte: Caderno de Turismo - O Globo  

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Julho de 2010



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Galochas para que te quero

Elas estão de volta e chegaram com força total. Estou falando das galochas, botas ideais para serem usadas nos dias de chuva. A galocha é uma bota feita em borracha, sem cadarço. Pode ser fabricada também com qualquer tipo de material impermeável.

Durantes décadas, era mais comum ser utilizada por pessoas que trabalham em roças, empresas e lugares onde precisem de proteção para os pés, ou contra acidentes, devido ao mal tempo e carga elétrica. Há ainda lugares em que são usadas para a limpeza de banheiros e cozinhas, já que são resistentes e evitam tombos.

Não faz muito tempo que esta peça fez parte do nosso guarda roupa. Lá pelo anos 80 era comum as mães obrigarem seus filhos a usarem as tais botinhas, na hora de irem para o colégio. Lembra?

Depois de um tempo adormecida, a nova onda das galochas chegou às passarelas no inverno de 2008 para nunca mais sair. Em 2009 continuaram arrasando nas ruas e passarelas, e viraram moda após serem vistas nos pés de modelos famosas.

Além de peça fundamental para o inverno, as galochas continuam sendo usadas por bombeiros, para compor o uniforme, e funcionários de empresas de limpeza. Nesse tipo de serviço ela garante a segurança, já que não machuca e evita quem usa sujar os pés com produtos que fazem mal a pele.



Mas hoje em dia elas não são apenas uma peça de uniforme e sim objeto fashion, cada vez mais badalado tanto lá fora, quanto aqui no Brasil. Acessório indispensável para a mulher inteligente e bela.

Está nos pés de artistas, modelos e pessoas comuns. E mais, além de ajudar na preservação da natureza, já que pode ser feita em material reciclável, faz um grande sucesso.



Além das ankle boots, over knees e as tradicionais botas folk ou cowboy - com franjas e fivelas, em camurça ou couro - o inverno 2010 é das galochas. E a maior prova de que elas cairam no gosto popular, são os modelos assinados por estilistas famosos, como Pucci, Burberry e Prada, que chegaram ao mercado.

Já em terras brasileiras, a Sete Léguas – fabricante das galochas usadas por crianças na década de 80 – em parceria com a Farm está reeditando seus modelos, com direito a estampas modernas e alegres.




Muito floral e xadrez para colorir a estação mais fria do ano. E na hora de usar, o conselho é abusar da criatividade. Minisaias, vestidinhos balonê, calça skinny ou legging são ideais para montar visuais descontraído ou elegante, de acordo com a ocasião.


Com que galocha eu vou


Que elas são lindas, charmosas e chegaram para ocupar um lugar ao sol, melhor na chuva, ninguém duvida. Assim como também nao são peças fáceis de achar e muito menos, com preços acessíveis para a grande maioria. Há galochas que chegam a custar R$200,00. Portanto se você quiser muito uma, sempre vale a pena dar uma boa garimpada.

Além dessa parceria entre a Sete Léguas e a Farm, a Melissa também lançou por aqui alguns modelos. Só que tradicionais, ou seja, de uma única cor. Já as coloridas, com estampas em xadrez, poa ou floridas são mais fáceis de serem encontradas em revendedoras, brechós, sites de outros estados ou países.

As galochas da marca norte - americana New Era estão disponíveis nas lojas Doc e Bayard (SP), Sportmix, Opus1 e Movement (RJ), Free Corner (Brasília), Ysto (Curitiba) e Authentic Avenue (Florianópolis).

A Nem Era também tem canais de contatos para tirar suas dúvidas, através do telefone (11) 3315-0910. Ou revendedores, no e-mail contato@newera.com.br  

Outra dica é o blog http://bonitagalocha.blogspot.com/  onde o internauta confere modelos vindos diretamente da China. Como são importadas, é opção de encontrar peças mais baratas do que as vistas nas vitrines daqui. 

Por fim, mas não menos importante, sempre vale a pena dar uma pesquisada nos Brechós espalhados pela sua cidade. Você pode se surpreender com o que vai achar pela frente.

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Julho de 2010









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Soneto do amigo - Vinicius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...


O Espetaculosas deseja a todos os nossos leitores-amigos, um feliz dia do amigo.
Publicado em Julho de 2010

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Fama efêmera

Quando Andy Warhol, em 1960, disse que um dia todos teriam direito a 15 minutos de fama, ele não só inaugurava a expressão “celebridade instantânea” como profetizava a epidemia midiática da fama, surgida no final do século XX e início do XXI.

Como a visibilidade, por vezes, é consequência de algum escândalo, programa televisivo ou fato de grande repercussão, tais celebridades têm dificuldade em se manter em evidência por muito tempo, voltando ao anonimato na mesma velocidade que saíram dele.

Por ser instantânea, tal visibilidade nem sempre é conquistada mediante valores sólidos e competência do sujeito, mas inventada pela indústria da fama, um alto negócio que circula no mundo da moda, do esporte, música, política e até religião. Não é à toa que patrocinadores buscam vender seus produtos associando estes à imagem de alguma celebridade em voga.

No entanto, os mesmos famosos que puxam a venda podem dar prejuízo ao anunciante, caso mostrem o seu lado B. O caso do goleiro Bruno, que está sendo acusado de ser o principal culpado na morte de sua ex-amante, Eliza, é um exemplo de que nem sempre os patrocinadores dão sorte com seu garoto propaganda.

Entretanto, dependendo do negócio, até a imagem negativa da celebridade vale dinheiro. Na vida real e na ficção, muitos exemplos mostram como pessoas acusadas por crimes, ou escândalos de todo tipo, acabam gerando lucro porque viram notícia e aparecem na mídia.

No cinema, o filme Chicago denuncia como isso funciona. De acordo com sua sinopse, Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones) é a principal atração da boate onde trabalha. Após matar seu marido, a famosa dançarina entra numa seleta lista de assassinas da cidade de Chicago, controlada por Billy Flynn (Richard Gere), advogado que busca sempre se aproveitar ao máximo da situação.

Ao contrário do que se esperava, o assassinato faz com que a fama de Velma cresça ainda mais, tornando-a uma verdadeira celebridade do showbizz. Enquanto isso, a aspirante a cantora Roxie Hart (Renée Zellweger) sonha com um mundo de glamour e fama, até que mata seu namorado após uma briga.


Billy fica sabendo do crime e decide adiar ao máximo o julgamento de Velma, de forma a poder explorar os dois assassinatos ao máximo nos jornais. Assim como ocorreu com Velma, Roxie também se torna uma estrela por causa de seu crime cometido, iniciando uma disputa entre as duas pelo posto de maior celebridade do meio artistico.




Em seu livro Mídias sem limite, de 2003, Todd Gitlin cita o historiador Daniel Boorstin, que ficou famoso ao descrever celebridades como “conhecidas por serem conhecidas”.

Gitlin diz ainda que, hoje, há imensas possibilidades para a microcelebridade. O convidado de programas de entrevistas, o proprietário de sites na internet, os criadores de ONGs, são alguns exemplos citados pelo professor de cultura, jornalismo e sociologia da Universidade de Nova York.

Dentro dessa perspectiva, os programas de entrevistas e os Reality Shows começaram a apresentar as pessoas como elas mesmas. Assim podem exteriorizar seus mais contidos sentimentos, encenando rituais de amor ou ódio, solidariedade ou vingança, diante da perplexidade ou mesmo deleite dos espectadores. Neste caso, câmeras de vigilância e microfones são colocados para que os jogadores sejam acompanhados no seu cotidiano.

O mais curioso, sobre o comportamento de celebridades instantâneas, reside no fato de que, ao alcançarem a fama desejada, os “famosos” começam a evitar o assédio da mídia. Logo, essa gente que tendo sido fãs e espectadores de outras celebridades, fizeram de tudo para terem fãs. Não faz sentido.

Por Maria Oliveira

Publicado em Julho de 2010

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Essa Copa foi esquisita

Diante de minha breve ausência no Espetaculosas, meu atual post só podia ser sobre este assunto. Estou falando da Copa 2010, que se despediu hoje do mundo.

Jogos preparatórios, escalação, viagem, concentração, treino, partidas, gols, vitórias... Ufa, muitas são as etapas até a conquista do tão sonhado caneco. E paralelo a isso, torcida organizada, mutirão para enfeitar as ruas, vestir a camisa, folga com gosto de feriado, olhos vidrados na TV, Fifa Fun Fest.

A copa fez o mundo voltar seus olhos para a África, um dos continentes mais pobres e sofridos do planeta. Mas nada de miséria durante este período. Tristeza, alegria ou violência, só nos campos. Em contra partida, jogadores sarados, técnicos estressados, árbitros equivocados e plateia descontraída.

Levamos quatro anos para nos prepararmos, em prol do hexa. Mas quando em confronto com a rápida Laranja Mecânica, ficamos no caminho. Deixamos o sonho para ser disputado em terras brasileiras, daqui há quatro anos.

Azurra, hermanos e “ne me quitte pas” também voltaram mais cedo para casa, assim como os britânicos e representantes do Tio Sam. Japão fez bonito como nunca visto, Gana e alguns países sul-americanos também.

Alemanha desbancou como favorita, mas a fúria espanhola acabou com seu espirito de “já ganhou”. Na outra semifinal, Holanda foi mais forte que o Uruguai de Loco Abreu. Estava definida a final, duas seleções europeias em busca do título inédito. Que vença a melhor!

E assim tivemos o desfecho de mais uma Copa do Mundo. De um lado a Laranja Mecânica, seleção com 100% de aproveitamento até a disputa final. Do outro a Fúria de Casillas - goleiro mais gato que já vi – e seus companheiros.

Especulações a parte, venceu quem fez por onde, dominou a Jabulani e não despertou a torcida de Mick Jagger. Deu Espanha, como previsto por Paul – o polvo vidente.

Bola Cheia

- Tiago Leifert, Caio Ribeiro e sua Central da Copa.

- As campanhas “Cala a boca, Galvão” e “Free Caio”, via twitter.

- A criatividade das torcidas e alegria dos sul-africanos.

- David Beckham na comissão técnica da Inglaterra.

- Jogadores belos e sarados.

- Iker Casillas.

- O carinho de Diego Maradona com seus jogadores, após a derrota para a Alemanha.

- A cavadinha de Loco Abreu.

- A final entre duas seleções que nunca ganharam o título.

- O vídeo na web de Salomão, um adolescente aos prantos após a derrota do Brasil. http://www.youtube.com/watch?v=WtYuLu-W5O8

- O beijo do goleiro Casillas em sua namorada, repórter de um canal da TV Espanhola, no meio de uma entrevista após vencer a Copa.  

- Paul o polvo vidente, the best.

Bola Murcha

- Vuvuzelas.

- Jabulani.

- Comentários de Galvão Bueno.

- Copa sem Beckham e Zidane.

- Arbitragem.

- Discussão de Dunga com a imprensa, apimentada com muitos palavrões, em rede internacional.

- O não cumprimento do técnico da França à Parreira, técnico da África do Sul.

- O não conforto de Dunga à seus jogadores, após a derrota para a Holanda.

- Felipe Melo.

- A publicidade em cima de Larissa Riquelme, torcedora do Paraguai que prometeu desfilar nua pelo campo caso seu time faturasse o título. A seleção paraguaia perdeu e ela pousou nua só para não desapontar seus fãs. Tá bom!

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Na sede da Copa, um cenário indigno

É, acabou o propalado sonho do “hexa”. Todo mundo tá muito chateado, com a perda de publicidade e outros afins. Ahn, alguém acredita mesmo que é só o fato de decepcionar criancinhas que chateiam Kaká muso da Silva e Cia? Se você acreditou, leitor, pode esperar no Natal, que o bom velhinho vai te dar um presente na meia.

Mas um detalhe não passa batido em minha cabeça e nem deveria passar na de ninguém. A África ainda é um continente de contrastes e a África do Sul continua tendo suas mazelas varridas para debaixo do tapete Ou seriam gramados?

Ainda existe muita miséria no país que tem mostrado sedes majestosas como palco para os jogos. Estádios suntuosos contrastam com um país de analfabetos, aidéticos e famélicos. E um detalhe constrangedor faz afastar ainda mais a simpatia pelo país sede da Copa, a incidência de estupros por dia chega a 20, 25 casos relatados.

Além de no passado ter sido explorado à exaustão por diversas nações européias - sem contar com a cruel chaga denominada escravidão, que levou seus antepassados para terras distantes e assombrou por séculos o continente inteiro - uma boa parte dos países africanos não teve desenvolvimento educacional.

Não foi agraciado com sistemas de saúde, que pudessem amparar suas (inúmeras) doenças pré-existentes e ainda, aquelas trazidas pelos exploradores. Além disso, foi cenário de disputas mais contemporâneas por espaços estrategicamente localizados que pudessem abrigar supostas barreiras bélicas em um conflito que nunca foi seu.

Com isto, determinados hábitos violentos e indignos se estabeleceram e maculam países como a África do Sul. Como o sofrimento devido a constante onda de estupros, que disseminam doenças terríveis como a AIDS, entre outras DST de difícil trato.

Na África do Sul, só para exemplificar, existe a crença de que se um homem aidético estuprar uma mulher virgem ele será curado. Há ainda a mítica abominadora que inclui idosas e crianças como “purificação” para determinadas doenças, além da AIDS. E existe o dito “estupro corretivo”, pois em um país de vítimas que cresce sem querer contato algum com homens, a África do Sul apresenta um elevado índice de população lésbica que acaba sendo novamente molestada para ver se é “corrigido” este tipo de “desvio de conduta”.

Inclusive houve o comentado lançamento da camisinha com dentes, lançada na Copa, para agredir ao agressor-estuprador. Mas me pego imaginando, será que a mulher realmente terá vantagem neste tipo de proteção? E se o agressor, se sentido ferido e genuinamente “mordido” de raiva, resolve revidar de modo muito mais violento? Estamos tratando com uma população ignorante e vilipendiada, descrente de sentimentos básicos como caridade e ajuda humanitária. Sinceramente, não apoiaria esta campanha.

Apoiaria sim, se cada jogador famoso de futebol, antes das partidas nesta Copa, falasse abertamente nos telões como repudia tal ato, como é indigno do ser humano tal atitude. Talvez ajudasse mais se cada seleção, mesmo desclassificada, doasse 1% por cento do que está ganhando em direitos de imagem e publicidade e exigisse o investimento em saúde, educação, pesquisa médica e medicação para o povo doente.

Se cada nação daquele continente, e em especial daquele país, no passado usurpou recursos e pessoas de seus lugares de origem, deixando pavorosas marcas naquelas pessoas. Marcas indeléveis que vão sendo passadas de geração a geração, fizesse um mea culpa e apenas ajudasse a tentar colar o que restou - claro que o Cristiano “gracinha” Ronaldo não pode pagar pelos pecados de seus tatatatatavós. Mas que seria bem mais bonito ele doar algo em nome do que seus patrícios um dia afanaram, ah, isto seria - talvez o mundo de chuteiras, que tanto gostamos de apreciar pelas TVs de LCD e plasma, que tanto nos motiva a ficar mais um dia em casa pelo espírito desportivo, pudesse ser um pouco melhor.

E menos hipócrita, irresponsável e mais solidário.

Por Fernanda Barbosa

Publicado em Julho de 2010

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