Para sempre Miss

Em 1954, o Palácio Quitandinha, em Petrópolis, abria as portas dos salões para mostrar as mais belas mulheres que representariam o Brasil no concurso de miss. Com a força de patrocinadores da linha de cosméticos e da indústria de maiôs, o evento foi ganhando repercussão na mídia e veio para o Rio na década de 1960. Desde então, tornou-se o segundo acontecimento mais importante do país, atrás apenas da Copa do Mundo de futebol.

No Rio o desfile passou a ser realizado no Maracanãzinho, onde as candidatas dos clubes de bairros concorriam primeiramente ao título de miss estadual, para depois a vencedora disputar o de Miss Brasil.

Nessa época os clubes locais promoviam os famosos Bailes de Debutantes, concursos de Rainha da Primavera e da Senhorita Rio. Eram eventos que mobilizavam organizadores e famílias inteiras em torno das candidatas que levariam o nome do clube às passarelas. E foi nesse mote que Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes escreveu sua história no concurso de Miss Guanabara.

Espetaculosas: De acordo com organizadores de concursos de Miss, “uma vez que a candidata é coroada será sempre representante do respectivo ano e lugar”. Não existe ex-miss. Portanto, onde, como e quando a sua história começou ?

Maria de Lourdes Miranda Antunes Gomes: Os dirigentes do clube de meu bairro, a Associação Atlética Florença, em Villa Kosmos, subúrbio do Rio, acharam que eu tinha perfil para representá-los no Miss Guanabara. Pediram permissão e me inscreveram com a promessa de acompanhamento em todos os compromissos oficiais do concurso, inclusive ajuda de custo para o vestuário. E assim foi, cumpriram direitinho o acordo. Quando cheguei à primeira reunião para conhecer as candidatas, me senti no Coliseu, cercada por leões! Como eu que era bem tímida, minha primeira vontade foi sair correndo. Depois que passou tudo, tive a certeza de que se me dessem pelo menos mais seis meses de preparo, me sairia bem melhor.

ES: Havia toda uma preparação para que as candidatas desfilassem com graça e elegância na passarela. Como foi passar por essa experiência?

MLMAG: Uma semana antes do concurso as candidatas ficavam concentradas em um hotel de luxo, cercada por profissionais como Dona Augusta da Socila. Além de cabeleireiros e maquiadores. Durante toda aquela semana ensaiávamos na própria passarela onde seria o desfile com a supervisão da Augusta, que tinha "mão de ferro" para ensinar a desfilar com elegância e postura. No dia do desfile, no Maracanãzinho, eu já estava preparada.

ES: Nas primeiras décadas do concurso de miss, o público torcia pelas candidatas com o mesmo entusiasmo que até hoje acompanham os jogos da Copa do Mundo. Qual foi a sua sensação em fazer parte de toda aquela festa midiática?

MLMAG: No dia do desfile foi maravilhoso ver a família toda torcendo. Uma farra! E já nos bastidores escutava-se o barulhão das torcidas. Sendo que, depois, ficamos sabendo que a "Miss" já era escolhida naquela semana de concentração no Hotel. Todas eram observadas pelos organizadores em tudo. Como sentar-se à mesa, caminhar, falar, gesticular e ser articulada. Achei muito justo porque não basta colocar um lindo vestido, uma linda maquiagem, desfilar lindamente para representar um estado e quem sabe o País, se não for bem preparada. Quando eleita, vem um montão de entrevistas para todos os meios de comunicação como rádio, TV e revistas e, se a representante não for bem articulada, o estado que ela representa já começa perdendo.




ES: Você foi candidata a Miss em uma época que não era comum o culto ao corpo. Ninguém malhava em academias e nem recorria a cirurgias plásticas. Como você mantinha a boa forma? Que medidas eram exigidas para chegar lá?

MLMAG: A exigência era ser magra, mas não muito. Eu tenho 1,66m e pesava 53 kg. O corpo era naturalmente malhado, não existia celulite. Pelo menos eu nem ouvia falar nisso, os frangos não tinham os hormônios de hoje (rsrs). No dia em que desfilaríamos de maiô, as maquiadoras passavam uma base nas nossas pernas para que ficassem mais bonitinhas. Todos os vestidos eram de estilistas famosos da época, o meu era do Nei Barrocas. Os tratamentos de cabelo e pele eram patrocinados pela indústria de cosméticos Helena Rubstein, que disponibilizava seus melhores profissionais para o evento. Era tratamento VIP mesmo.

ES: Mesmo não tendo vencido o concurso de Miss Guanabara, depois de passado o evento, você recebeu algum convite para trabalhar na área de beleza ou estética?

MLMAG: Sim recebi, mas não aceitei. Trabalhar em passarelas naquela época (1971) não era um emprego tão bem remunerado nem amparado por Lei como hoje. Eu já trabalhava na Standard Eléctrica, que era uma multinacional muito respeitada, dava muitas oportunidades para os funcionários. Então eu não troquei o certo pelo duvidoso, tinha receio de me jogar à sorte. Hoje não me arrependo.

ES: O que de bom essa experiência trouxe para sua vida pessoal?

MLMAG: Que mesmo já sabendo da importância da família, quando a gente fica longe sente uma falta danada. Senti muitas saudades quando fiquei concentrada naquele hotel acompanhada de uma representante do clube, que era a esposa do presidente, mas não era minha família. Quando tudo acabou, abracei um por um e tive certeza de que aquele foi o meu maior prêmio. Minha família à minha volta. E ficou a certeza de que, com dezoito anos, eu era uma menina tímida, cheia de medos e insegura para concorrer a um concurso daquele porte como era o Miss Guanabara.

ES: Os padrões de beleza mudaram ao longo dos anos e os critérios do concurso também. Concursos de miss não têm mais o glamour, nem atenção de antigamente. Como você vê essa mudança e que conselho daria para as garotas que querem se projetar por meio da beleza?

MLMAG: Mudanças e modismos vão existir sempre. Mas uma dica legal é ter por perto gente séria que quer vencer pelo trabalho e não pela trapaça. Existem meninas muito bonitas, o padrão até mudou bastante. Hoje não se valoriza tanto um rostinho bonitinho apenas, mas atitude, beleza exótica. E as leis estão cada vez mais severas para proteger o profissional que queira se projetar por meio da beleza, que é um trabalho duro e muito sério. Repito que é preciso ficar com os dois olhos muito bem abertos sempre e fugir das agências picaretas que se dizem sérias. Tem que denunciá-las e seguir em frente, sem medo de ser feliz.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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A moda minimalista

O minimalismo surgiu nos EUA, na década de 60. Estando relacionado a uma série de movimentos artísticos e culturais, que percorreram diversos momentos do século XX, teve sua maior forma de expressão em fundamentos como as artes visuais, designe e música.

Entre os artistas adeptos do minimalisto destaque para Sol LeWitt, Frank Stella, Donald Judd e Robert Smithson, cujas produções procuravam estudar as possibilidades estéticas de composição a partir de estruturas bi ou tridimensionais.

Já o design minimalista surgiu em forma de resposta contrária aos excessos visuais, causados por peças como ombros marcados, brilhos e cores fortes. Exageros característicos dos anos 80.

Essa moda é representada por uma estética clean, tendo como ícone o pretinho básico de todos os dias. Além disso, estão presentes fatores como sofisticação, atemporalidade, tecnologia e cartela de cores.



Acabou sendo focada em uma parcela da população chamada de Yuppies, ou novos ricos, que pretendiam expor sua riqueza através do despojamento formal.




Sua estética preza cores neutras, silhueta consciente e perfeita, graças à alfaiataria, com linhas sofisticadas e arquitetônicas. Despe a roupa de elementos extras, trabalhando alicerces como formas, acabamento e modelagem.



Adote esse gênero


Considerada a tendência mais inovadora e relevante das últimas temporadas a moda minimalista, muito presente nos anos 90, está sendo revista desde 2005. Com modelagens mais justas e peças que remetem ao estilo clássico, vem mostrando sua força nas passarelas. Tendo inclusive influenciado, na última temporada, coleções de marcas como Chloé, Stella McCartney e Calvin Klein, entre outras.







Caso você não seja muito adepto de peças clássicas, mas deseja se arriscar nessa moda, saiba que o mix entre a textura das roupas, ou peças com silhueta ajustada em cores fortes, torna o estilo mais atual.



Além disso, saias em couro ou shorts de alfaiataria, hits da temporada, aliadas às tradicionais camisas brancas, assim como renda, babado e cintura marcada, dão um toque feminino e equilibrado ao modelito.


E então, o que você está esperando para adotar o minimalismo ao seu look e arrasar nas passarelas da vida?

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Setembro de 2010

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Chicago e a Era do Jazz

Quem foi ao festival carioca Back2Black, voltado para a cultura negra, certamente fez uma viagem musical fascinante. O embarque foi na Estação Leopoldina e o percurso incluía ritmos e canções africanas, passando pela música dos americanos, como o blues e o jazz, mas não faltou a música brasileira na parada. Peguei carona nesse trem e fui até Chicago, cidade considerada um dos berços do blues e jazz. 

A cidade de Chicago está situada no estado de Illinois, na margem ocidental do Lago Michigan. Conhecida por Cidade dos Ventos, cuja temperatura cai muito no inverno, sua expansão econômica começou em meados do século XIX, graças à forte imigração de europeus, à construção das primeiras ferrovias e de um canal navegável que comunicava o lago com o rio Mississippi.

A história de Chicago com o jazz começou depois da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu uma significativa revolução nos hábitos e costumes americanos. O teatro e a literatura se apropriaram de uma liberdade de expressão nunca antes experimentada para se comunicar com o público. A mulher americana “ia além de qualquer limitação imposta pela decência”: encurtou os vestidos, fumava, bebia e dançava escandalosamente.

Nesse contexto, firmou-se a indústria americana de show business no cinema, no teatro, nos shows e na música como negócio lucrativo. Por conta disso, houve uma emigração de negros para as grandes cidades como Chicago e Nova York, em busca de melhores oportunidades de emprego. Entre essa massa de trabalhadores estavam os músicos de blues, que saíram do delta do Mississsipi para Chicago.

A década de 1920 é conhecida como a Era do Jazz. Nessa época, Chicago era dominada pelas gangues de Al Capone, que agiam no comércio ilegal de bebidas.

Não por acaso, o famoso gângster era dono da maioria dos cabarés, onde se misturava bebida com a música de jazz, formando o coquetel mais romântico da época. Foi assim que, atraídos pela oportunidade de tocarem profissionalmente, os trompetistas Louis Armstrong e Bix Beiderbecke vieram de New Orleans para se apresentarem em speakeasies de Al Capone.

De lá para cá, a música continuou tendo um lugar muito especial em Chicago. Qualquer estilo tem espaço nesta cidade, mas o jazz e blues são os gêneros que caracterizam o local. Desse modo, não faltam lugares onde se possa ouvir uma boa música típica.




A Casa de Blues, Blue Chicago, o Buddy Guy´s Legends e House of Blues Chicago são recomendados para este fim.



Assim como no Rio de Janeiro a Lapa é considerada o local da boemia, em Chicago, no baixo Naperville, o visitante vai encontrar semelhança da vida noturna carioca com a de lá, especialmente na conhecida Rush Street.



Nesta rua, iluminada por letreiros e muito movimentada, fica o famoso Jilly’s, the Piano Bar, que era o favorito de Frank Sinatra. Além da fama musical do lugar, no entorno, circulam bêbados, pedintes e prostitutas como personagens coadjuvantes da cena urbana.



Os bares ficam cheios à noite. A maioria é revestido de madeira para proteger os clientes do frio, e usam pouca luz ambiente para dar o tom aconchegante ao local. O Hugo’s Frog Bar Fish House é assim. Localizado na North Rush, quase esquina com East Chestnut Avenue, o restaurante tem cardápio que combina os sabores do mar com o do mangue.



No Frog Bar não se ouve jazz executado por Louis Armstrong. Em troca, o cliente pode degustar um delicioso Stuffed Salmon acompanhado de queijo brie. Antes, a dica é experimentar a sopa de rã. Depois, é só sair para dançar por ali mesmo, sem precisar se deslocar muito.



Chicago é tão sedutora que inspirou muitas histórias. Na literatura, a cidade é marcada por questões políticas e étnicas em “O projeto Lázarus”, de Aleksandar Hemon. No cinema, ficou eternizada pelo musical Chicago.



Como centro tradicional do blues e do Jazz, a cidade abriga The Chicago Blues Festival em que se apresentam artistas do top de Big Bill Morganfield, filho do lendário Muddy Morgarfield.



Diferentemente do tom melancólico do blues, em Chicago, o transeunte tem que conviver com o som estridente das sirenes de carros de polícia e bombeiro que circulam pelas ruas. Aparentemente, não há nada ao redor que justifique tanto estardalhaço. Entretanto, parece que o fantasma de Al Capone e de seus comparsas ainda aterrorizam a cidade, pondo a segurança sempre em alerta. Para o visitante, a impressão é de que uma aura de mistério envolve a noite de Chicago e nos remete à Era do Jazz.

Por Maria Oliveira

Publicado em Setembro de 2010

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TOC, TOC, TOC

Você sabia que comportamentos repetitivos podem esconder desvio psicológico? Verificar várias vezes se trancou a porta, antes de sair de casa. Levantar à noite para conferir se o gás está desligado. Lavar às mãos excessivamente. Só conseguir comer em um tipo de prato ou determinado posicionamento na mesa.

Quem viu o filme Melhor é Impossível lembra que a personagem de Jack Nicholson tinha hábitos parecidos como esses, que o tornavam “maluco” aos olhos dos outros. Mas tais rituais nada mais eram do que sintomas decorrente de TOC.

O que parece “manias” aparentemente inofensivas, pode esconder um quadro de transtorno obssessivo compulsivo. E embora seja apontado como modismo, o TOC é mais sério do que você imagina.

Calma! A primeira coisa que se deve saber antes de preocupar-se é diagnosticar se o que você tem não passa de uma simples mania. Manias são comportamentos repetitivos, motivados por superstição ou crença. Ou seja, é algo corriqueiro. Qualquer um pode ter hábitos que não geram efeitos em sua vida.

Como por exemplo pessoas que só levantam da cama com o pé direito. De tanto fazê-lo, vira rotina. E com o passar do tempo, vai no automático. Nem percebe que está fazendo. É involuntário.

Já Obsessões são pensamentos ou idéias. Impulsos, imagens, cenas, que invadem a consciência de forma repetitiva, persistente e estereotipada, seguidos ou não de rituais destinados a neutralizá-los.

Ao longo do transtorno o paciente é tomado por ansiedade ou desconforto acentuados. Ele tenta resistir, ignorar ou suprimi-los, com ações e pensamentos, reconhecendo-os como produtos de sua mente e não originados de fora.

Enquanto isso, compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa é levada a executar em resposta a uma obsessão. Ou ainda, em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente.

São destinados a prevenir ou reduzir o desconforto gerado pela obsessão, algum evento ou situação temidos. Em geral não possuem uma conexão realística ou direta com o que pretendem evitar, ou são claramente excessivos.

Você tem TOC ou SOC?

Existe o SOC – sintomas obssessivos compulsivos. E o TOC – transtornos obssessivos compulsivos. A linha entre o SOC e o tipo leve de TOC é muito tênue, mas em geral o próprio paciente sabe que há algo errado.

Os portadores de TOC são críticos do próprio problema e consideram seu comportamento absurdo, mas não conseguem ter o controle da situação. O que acaba potencializando seu sofrimento.

Já os sintomas obsessivos são corriqueiros em nossas vidas. Pequenos rituais que não o tiram do eixo. Se não puder cumpri-los, isso não vai gerar nenhum tipo de penitência.

Enquanto a pessoa com TOC gasta até 15 horas concluindo seus rituais, o paciente com SOC não perde nem 10 minutos, caso se distraia com alguma outra atividade.

Grande parte da população sofre de SOC. Por exemplo, aquela pessoa que checa várias vezes se a porta do carro está trancada ou o gás desligado. É obsessivo porque ela precisa cumprir o ritual. E compulsivo por causa do número de repetições com que o executa.

De acordo com especialista, o SOC não interfere tanto na rotina do paciente. Embora pareça, não deve ser apontado como algo anormal. A não ser que se torne intenso. É aí que entra o TOC.

TOC é caracterizado pela presença de obsessões ou compulsões tão severas que fazem o paciente dedicar grande parte do seu tempo com elas, causando desconforto ou comprometimento.

Até bem pouco tempo o TOC era uma doença rara, tendo smente os casos mais graves diagnosticados. Hoje sabe-se que existem vários níveis do transtorno, embora sua prevalência seja baixa. Não chega a 2% na população brasileira, mas é uma doença incapacitante já que a pessoa fica refém de suas próprias obsessões.



Os comportamentos obsessivos são causados por pensamentos, ideias, impulsos ou imagens que invadem a consciência, contra a nossa vontade, de forma repetitiva e persistente. A compulsão é realizada como forma a neutralizar ou reduzir os efeitos da obssessão e os tipos mais comuns envolvem atos de limpeza, verificação ou controle, repetições e sequência.

Normalmente é acompanhada de ansiedade e desconforto. Por exemplo, uma musica que não sai da cabeça ou a ilusão que possa haver um bicho debaixo da cama. Nas crianças aparecem como impedimento em pisar nos riscos da calçada, obrigatoriedade de contar as árvores ou os carros , na rua.

Estas idéias obrigatórias, quando exageradas e promovedoras de significativa ansiedade ou sofrimento, constituem quadro patológico. Há casos em que o paciente desenvolve ideias obsessivas com impulso suicida, como saltar de uma janela. Ou de agressão, geralmente nos filhos. A obsessão é acreditar que, diante de um mal estar súbito, a pessoa venha a perder o controle e executar, impulsivamente, aquilo que sugere tais idéias.

A doença não tem momento para aparecer. Não se sabe ainda os motivos do seu desenvolvimento, em compensação ela pode aparecer por vários motivos. Ataque de fúria, após um grave acidente ou até por estresse.



Uma variedade de anormalidades biológicas também têm sido associadas ao transtorno obsessivo compulsivo, na tentativa de estudar as causas desse problema. Como nascimentos traumáticos, epilepsia do lobo temporal e aumento de atividade metabólica no giro orbital esquerdo, constatado pela tomografia por emissão de pósitrons em pacientes Obsessivo-Compulsivo

Antes do toque bater à sua porta

A similaridade entre Obsessões e Fobias foi observada pela primeira vez em 1878 por Westphal, criador do termo “Fobias Obsessivas”. Seriam medos que dominam a consciência, apesar da vontade do paciente de suprimi-los.

A obsessão de doença e contaminação pode ser entendida como uma fobia, medo em torno da possibilidade de sofrer qualquer tipo de doença.

Ainda que o fenômeno obsessivo seja distinto do fenômeno fóbico, é bom ter em mente que ambos podem fazer parte de uma mesma moeda. Ou seja, a fobia originando obsessão e vice-versa.

Se você suspeita ter TOC, o mais importante é tentar observar seu comportamento. Notar se está gastando mais tempo do que deveria com hábitos rotineiros e se eles estão lhe causando algum tipo de sofrimento ou ansiedade, capaz de interferir em suas atividades diárias e de relacionamentos afetivos, profissionais e financeiros.

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Agosto de 2010

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Um ato de violência

Uma palavra ofensiva seguida de risos e coações. Assim começa o Bullying, termo inglês que define ato de violência, intencional e repetitivo, tão perigoso quanto a agressão física.

Geralmente são praticados em grupo, mas podem vir individualmente (bully – valentão), e o objetivo é intimidar, agredir um outro indivíduo. Ou ainda, grupos de indivíduos que supostamente sejam incapazes de se defender.

Há também as chamadas vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinado momento acabam encontrando na agressão uma forma de reação às humilhações sofridas pela turma.

O bullying divide-se em duas categorias. O direto, cuja forma é mais comum entre os agressores bullies do sexo masculino. E o bullying indireto, ou agressão social, forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas.

Casos de agressão social são caracterizados por forçar a vítima ao isolamento social, e este isolamento é obtido através de técnicas como comentários maldosos, recusa em se socializar com a vítima, intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima e ainda criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo sua etnia, religião e limitações).




O bullying ocorre em lugares de maior sociabilidade, como escolas, faculdades, local de trabalho e bairros residenciais. Em qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. E geralmente a vítima tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças sofridas ou concretizações de violência física e até sexual.

Os atos de bullying configuram como ilícitos porque desrespeitam princípios constitucionais. A responsabilidade pela prática desse tipo de violência pode se enquadrar tanto no Código Civil - que determina todo ato ilícito, causador de dano a outro, à indenização - quanto no Código de Defesa do Consumidor, já que as escolas prestam serviço aos consumidores.

Muitas vítimas têm movido ações judiciais contra seus agressores por "imposição intencional de sofrimento emocional" e incluindo as escolas como acusadas, sob o princípio da responsabilidade conjunta.

Em maio deste ano a justiça obrigou os pais de um aluno do Colégio Santa Doroteia, em Belo Horizonte, a pagar uma indenização de R$ 8 mil. A vítima, uma garota de 15 anos, sofreu bullying ao ser incluída no G.E. - sigla para integrantes de grupo de excluídos-, devido a sua aparência.

As insinuações se tornaram frequentes com o passar do tempo, e entre elas, ficaram as alcunhas de tábua, prostituta, sem peito e sem bunda. Os pais da menina garantiram que procuraram a escola, mas não conseguiram um retorno.

De acordo com uma psicóloga, que depôs no caso, a vítima se tornou uma pessoa triste, estressada e emocionalmente debilitada. Já o colégio, de classe média alta, não foi responsabilizado.

Já um caso ocorrido no pátio de uma escola dos Estados Unidos envolveu um aluno da oitava série, teve um desfecho diferente. Curtis Taylor estudava em uma escola secundária, em Iowa. O rapaz foi vítima de bullying contínuo por três anos, o que incluía espancamento e vandalismo de pertences. O fato levou a vítima ao suicídio, em março de 93. Alguns especialistas em bullies denominaram a reação do aluno como "bullycídio".

Os que sofrem o bullying podem desenvolver problemas psíquicos muitas vezes irreversíveis. Um outro exemplo disso foi o ocorrido com Jeremy Wade Delle, rapaz que se matou em janeiro de 1991, aos 15 anos, dentro de uma escola na cidade de Dallas - no Texas.

O incidente ocorreu dentro da sala de aula, na frente de 30 alunos e da professora de inglês, e foi apontado como protesto pelos atos de perseguição que o adolescente sofria constantemente. Esta história inspirou a música “Jeremy”, interpretada por Eddie Vedder, vocalista da banda Pearl Jam.

Segundo pesquisas, adolescentes agressores têm personalidades autoritárias somadas a uma forte necessidade de controlar ou dominar terceiros. E mais, comportamentos agressivos costumam ter origem na infância. Ou seja, estudos comprovam que a prática do bullying põe a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta.

Nos anos 1990 os EUA viveram uma epidemia de tiroteios em escolas, dos quais o mais notório foi o Massacre de Columbine. Muitas das crianças por trás destes tiroteios afirmaram serem vítimas de bullies, e que recorreram à violência somente depois que a administração escolar havia falhado em suas intervenções.

Em muitos destes casos, as vítimas dos atiradores processaram tanto as famílias dos atiradores quanto as escolas. Por conta disso, colégios de diversos países começaram a desencorajar a prática do bullying, através de campanhas e programas que promovem a cooperação entre os estudantes, assim como treinamento de alunos moderadores.




Uma pesquisa realizada este ano, aqui no Brasil, com 5.168 alunos de 25 escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns entre alunos da 5ª a 6ª séries.

17% dos entrevistados afirmaram estarem envolvidos com o problema, seja no papel de vítima, seja no de agressor e/ou dos dois lados. A forma mais comum por aqui é a cibernética, que surge a partir do envio de e-mails ofensivos ou difamações em sites de relacionamento, como o orkut.

No ano passado, uma pesquisa realizada pelo IBGE apontou as cidades de Brasília (35,6%) e Belo Horizonte (35,3%) como as capitais brasileiras com maiores índices de bullying. Já entre os casos destacados, em São Paulo uma menina apanhou até desmaiar por colegas que a perseguiam. Enquanto que em Porto Alegre, um jovem foi morto com arma de fogo.

Técnicas de bullying

Os bullies usam uma combinação de intimidações e humilhações para atormentar suas vítimas. Entre as técnicas utilizadas pelos bullies, estão: insulto, ataques físicos repetidos contra a pessoa ou sua propriedade, tomar posse ou destruir pertences, espalhar boatos negativos, depreciar a imagem da vítima, coação, ameaças, comentários depreciativos sobre a família da vítima, local de moradia, aparência física, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tomou ciência, cyberbullying - criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamento –, chantagem e grafitagem.

O bullying em seus diversos ambientes

- Em escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas com supervisão adulta mínima ou inexistente.

- O bullying em locais de trabalho, algumas vezes chamado de "Bullying Adulto", é descrito pelo Congresso Sindical do Reino Unido como um problema sério, apesar das pessoas acharem que seja um problema ocasional entre indivíduos. É uma intimidação regular e persistente.

- Entre vizinhos geralmente toma a forma de intimidação por comportamento inconveniente, como barulho excessivo que perturbam o sono e os padrões de vida normais. Esta forma de comportamento faz com que a vítima fique tão desconfortável que acaba se mudando.

- O bullying entre países ocorre quando um país impõe sua vontade a outro. Costuma ser feito por uso da força militar e as ameaças consistem em doações não entregues a um país menor ou ainda, a não permissão de um país se associar a uma organização de comércio.

- Em 2000 o Ministério da Defesa (MOD) do Reino Unido definiu o bullying militar como uso de força física ou abuso de autoridade para intimidar ou vitimizar outros. Ou ainda, infligir castigos ilícitos. Em alguns países rituais humilhantes entre os recrutas têm sido tolerados e mesmo exaltados como um "rito de passagem". Enquanto que em outros, jovens ou recrutas mais fracos podem ser encorajados pela política militar. Já as forças armadas russas fazem com que candidatos mais velhos, ou mais experientes, abusem, através de socos e pontapés, de soldados mais fracos e menos experientes.

Alguns famosos que sofreram bullying

Madonna - "Eu não era hippie ou fã dos Rolling Stones, então me tornei esquisita. Se você fosse diferente, os alunos eram bem perversos. As pessoas faziam questão de serem maldosas comigo", disse a diva à revista Vanity Fair em 2008. Mas quanto mais represálias às suas diferenças, mais Madonna reagia. Não depilava pernas e axilas, recusava-se a usar maquiagem ou se encaixar no modelo de garota convencional.

Steven Spielberg - O diretor de cinema mudou-se várias vezes de cidade em função do trabalho do pai. Sempre solitário, desengonçado e excluído, com sua câmera super-8 nas mãos, fazendo filmes caseiros das irmãs, Spielberg sofreu vários ataques antissemitas dos vizinhos e colegas de escola. Chegou a apanhar diariamente no recreio e ouvia as crianças berrando "Spielbergs, os judeus sujos".

Michael Phelps - O nadador que nas Olimpíadas de Pequim conquistou oito medalhas de ouro e bateu sete recordes mundiais, sofria déficit de atenção. Uma professora chegou a dizer que ele seria um fracassado. Sofreu bullying anos seguidos., Além do transtorno, era muito alto, magro, desengonçado e tinha orelhas grandes. Uma vez, seu boné foi jogado para fora do ônibus. Em outra, sua cabeça quase foi mergulhada na privada.

Kate Winslet - A estrela, indicada seis vezes ao Oscar antes de levar a estatueta para casa por seu papel em "O leitor", recebeu das crianças da escola o apelido de gorducha: "Outras meninas me provocavam terrivelmente. Eu simplesmente abaixava minha cabeça e aceitava isso. Era o meu jeito de sobreviver", disse à Parade Magazine. "Sofri bullying por ser gordinha. Onde estão elas agora?"

David Beckham - Um dos maiores jogadores de futebol do mundo sofreu bullying ironicamente por ser apaixonado pelo esporte. Quando adolescente, era um estranho no ninho. Enquanto seus colegas pensavam em diversão, ele focava no futebol. Recusava noitadas e bebidas e os agressores diziam que isso era coisa de "mulherzinha". Beckham está na campanha Beat Bullying. “O bullying é algo que todos nós temos responsabilidade de erradicar".



Fonte - depoimentos: Jornal O Globo

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Agosto de 2010

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Nadismo

Nada melhor do que não fazer nada...


Trabalho, faculdade, academia, família, filhos... Com a correria do dia-a-dia, fica cada vez mais difícil dedicar algumas horinhas para a gente. Seja para relaxar, seja para simplesmente não fazer nada. Certo? Para algumas pessoas até que não.

Fazer nada nos tempos de hoje não é sinônimo de vagabundagem e muito menos, significa ficar de bum bum para o ar. E sim, dedicar um tempinho para estarmos em contato com nós mesmos. E antes que você aponte esse papo como uma grande bobagem, saiba que o retorno, em virtude desse hábito, pode ser considerado benéfico.

E foi pensando nesse benefício que surgiu a prática do Nadismo, que nada mais é do que parar, se desligar, desconectar do mundo louco em que vivemos. Pausa essa que pode ter o poder de mudar o seu dia, a sua vida.

O precursor do Nadismo foi o designer Marcelo Bohrer. Durante uma viagem à Londres, o brasileiro percebeu que a correrira dos londrinos era na mesma proporção que a dos brasileiros. De volta ao seu país, decidiu levantar a bandeira do Nadismo. O que deu certo não só aqui, como lá fora também.




O movimento está ganhando cada vez mais força e destaque na mídia. Virou notícia em jornais, revistas, internet e até na TV. No último domingo o Fantástico, programa da Rede Globo, mostrou uma reportagem a respeito.

Graças ao aumento de adeptos, criou-se um clube de praticantes do Nadismo. Os integrantes se encontram, para não fazer nada, pelo menos uma vez por mês. O Clube de Nadismo foi inaugurado em 2006. Em 2009 chegou a marca de 5 mil membros espalhados pelo Brasil e em alguns países do exterior.



O criador do Nadismo também foi responsável pela escolha do símbolo que identifica o clube. Um cubo vazio, que simboliza a arte de não se fazer nada. Quando exposto durante os encontros, o cubo avisa, aos que passam pelo local, que aquela galera está ali para não fazer nada. E quem quiser, está convidado a participar.

Vale lembrar que sua prática é ideal para lugares a céu aberto, de preferência em parques. Mesmo assim, há os que fazem em escritório. O que não é de todo ruim, desde que desligue o monitor do computador. É necessário ainda abaixar a cabeça sobre a mesa ou, se deslocar para um lugar mais reservado.

E mais, o Nadismo não deve ser usado de forma que atrapalhe os afazeres diários e sim encarado como uma pequena pausa, que visa renovar as energias.

Mais informações através do http://www.clubedenadismo.com.br/

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Agosto de 2010

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Ecobag

É com essa que eu vou

Demorou, mas chegou. Desde o ultimo dia 16/07 que as sacolas plásticas, comuns em lojas, feiras livres e supermercados, estão proibidas de circularem. Está certo que, os estabelecimentos comerciais tem um prazo para se adaptarem a nova lei. Mas cabe também ao consumidor mudar sua rotina, tudo em prol do meio ambiente.

Não é de hoje que as ecobags surgiram, mas somente agora caiu no gosto popular. Seja para substituir a velha bolsa plástica, seja para dar um ar mais fashion ao seu visual. E falando sério, não é que são umas gracinhas?

Grande e estilosa, as ecobags – bolsas ecológicamente corretas – se tornaram peças essenciais na hora de fazer aquela compra. Hit da estação, virou febre no mundo todo e já domina o Brasil.




Percursora no mercado de ecobags, a designer inglesa Anya Hindmarch criou seu primeiro modelo com a seguinte frase "I'm not a plastic bag" (Eu não sou uma sacola de plástico).

A bolsa fez o maior sucesso, tanto lá fora, quanto aqui no Brasil. Seus exemplares, importados pela empresária Silvia Chreem, esgotaram rapidamente e ainda tiveram fila de espera.




Daí para outras grifes adotarem essa ideia, foi um pulo. Lá fora, marcas famosas como Hermès, Louis Vuitton e Stella McCartney providenciaram suas versões de ecobags.

Já aqui no Brasil, Cavalera, Maria Bonita e Blue Man, entre muitas outras, lançaram as suas durante exposição realizada no Senac, em São Paulo. O material na confecção das mesmas foi sarja sem tintura e algodão orgânico.

Save the Planet

A campanha em favor das ecobags começou com o objetivo de diminuir o consumo das sacolinhas de plástico, que causam poluição em oceanos, lagos e rios. Quando jogadas em lixões, elas demoram em média de 300 à 400 anos para se decompor. E o que é pior, enquanto isso liberam substâncias químicas na atmosfera.

Descobriu-se então que, graças a alta tecnologia, dá para se desenvolver produtos sem agredir a natureza. Como por exemplo, tecidos feitos de garrafas pet. Por isso que a ordem é aderir às sacolas permanentes.

O certo seria todos os supermercados, e estabelecimentos comerciais, distribuirem sua ecobag aos seus clientes. Mas, ao contrário do que já é feito nos EUA, aqui eles estão cobrando pelas peças. Algumas são bem baratinhas. Como é o caso das Lojas Americanas, em que custam um pouco mais de R$1,00. Mesmo assim, vale ficar de olhos abertos. E caso se sinta lesado, recorrer ao Procon.


Já para o fato de suas compras não derem na sacola - é claro que nem tudo irá caber nas ecobgas. Isso não faria bem à sua bolsa e muito menos, coluna -, a campanha agora é adotar também o uso das caixas de papelão. Lembre-se, todo supermercado deve tê-las para distribuir aos seus clientes. E por fim, ainda temos como opção o bom e velho carrinho de feira.


  
E antes que você se descabele por conta do funeral dado às sacolas plásticas, que durante muito tempo serviram para carregar seu lixo, aqui vai uma boa notícia. Aquele saco grande, encontrado nas cores preto ou azul, é bem melhor. Além de suportar uma quantidade maior de detrito, utiliza menos plástico por metro quadrado.

Moda Ecológica

Escolha seu modelo de ecobag e arrase. E o que é melhor, sem se preocupar com a estação. Afinal, essas estão liberadas o ano todo.







Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Agosto de 2010

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