Influenza A – H1N1

O surgimento e aumento nos casos da nova gripe têm deixado a população apreensiva. Tal apavoramento acaba levando as pessoas a se confundirem em relação aos sintomas da gripe suína. Às vexes, basta uma tosse para os mais apavorados procurarem às salas de emergências hospitalares. O que não é recomendado, já que além de contribuir para uma superlotação, o que acaba atrasando o atendimento, o aconselhável é evitar aglomeração de pessoas.

O inverno é a época em que gripes e resfriados se tornam freqüentes, por conta das baixas temperaturas e aumento na umidade do ar. É por isso que alguns médicos procuram listar indícios que podem nos ajudar a identificar o tipo de gripe, evitando assim conclusões precipitadas.

Sendo assim, destaquei os principais sintomas das gripes, comum e suína, para que você possa ter uma ideia das diferenças entre ambas. E ainda, confira também alguns links com mais informações sobre a Gripe A.

Principais Sintomas

Gripe Comum:

- Febre abaixo de 38%

- Dor de cabeça leve

- Fraqueza

- Suor e calafrio esporádico

- Catarro e congestão nasal

- Espirros

- Tosse menos intensa

- Dores musculares, principalmente nas costas

- Dor de garganta acentuada

- Coriza

Gripe Suína:

- Febre repentina acima de 39%

- Dor de cabeça intensa

- Dores musculares e nas articulações

- Dor de garganta e ardor nos olhos

- Calafrios

- Vômito e diarréia

- Falta de ar

- Falta de apetite

- Tosse seca e contínua

- Coriza

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Quiz: O que é gripe suína?

Por Roberta Marassi
 
Publicado em Julho/Agosto de 2009

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Woodstock

O sonho da paz e do amor

Em 1969, enquanto os americanos festejavam a chegada do homem à lua como uma causa nobre, o mundo testemunhava a violência da Guerra do Vietnã, golpes de estado espalhavam-se pela América Latina e Oriente Médio, e milhares de crianças morriam de fome na Biafra. Em meio a tantas mazelas, mudanças políticas, sociais e comportamentais, surge uma ideia de quatro jovens empreendedores que acreditavam na utopia de que dias melhores viriam: resolveram patrocinar o Festival Woodstock, que acabou sendo o maior espetáculo da contracultura.

Há 40 anos, durante três dias - de 15 a 17 de agosto -, um palco foi montado na pequena cidade de Bethel, estado de Nova York, para apresentar astros como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan, Santana e The Who. Mesmo sem nenhuma infraestrutura que garantisse o êxito do festival, os idealizadores John Roberts, de 24 anos, e Joel Rosenman, de 26, apostaram no movimento hippie da “paz e amor”, como lema que atraísse o público para o evento. Para tal, contaram com o apoio do produtor Michael Lange e do executivo da indústria fonográfica Artie Kornfeld, que também planejavam realizar um festival misturando exposição cultural, shows de rock e estilo de vida da contracultura. Ou investir numa gravadora independente, especializada em rock. Caso optassem pela gravadora, a cidadezinha chamada Woodstock, em Manhattam, já havia sido escolhida para ser o local que abrigaria o estúdio.

Os quatro empreendedores decidiram pelo festival, mas no campo, depois que a prefeitura inviabilizou um concerto de rock na cidade onde seria construída a gravadora. Foi quando o fazendeiro Max Yasgur colocou à disposiçaõ o seu sítio, em Bethel, para a realização do evento. Para que a ideia da gravadora de rock não se perdesse, deram o nome ao festival de “Woodstock”. O evento foi tomando forma, a parceria deu certo: planejado para 50 mil, Woodstock recebeu cerca de 400 mil pessoas que se espremeram para ver as memoráveis apresentações de Joe Cocker, Joan Baez, Ravi Shankar, Sly and the Family Stone, entre outros.

Apesar da grande oferta e procura de drogas, o festival não acarretou nenhum acidente ou violência de grandes proporcões, exceto um grande engarrafamento em Nova York e três mortes: um apêndice supurado, um atropelamento por trator e uma overdose de heroína. Fora a euforia, milhares de jovens, ligados por ideais e vontade de se divertir, deitavam-se ao chão para amar e sonhar com o surgimento de uma sociedade menos competitiva e apolítica. Criou-se o lema de “curtir um som, cada um na sua”. E foi nesse clima pacifista que Jimi Hendrix estilhaçara sua guitarra ao tocar o hino nacional americano “Star-Spangled Banne”, em protesto à Guerra do Vietnã. Assim nascia a nação Woodstock, formada por uma geração que sonhava com um mundo melhor.

Por Maria Oliveira
 
Publicado em Julho/Agosto de 2009

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“A lua e eeeu...”

Não. Esta matéria, leitores atentos e antiguinhos, não se trata de uma homenagem ao cantor Cassiano (alguém se lembra dele?) criador de um sucesso relativo na década de 70 e início de 80, cujo o tema entoava com muita melancolia: “mais um ano se passou, e nem sequer ouvi falar seu nome...” (tem gente de quem eu, particularmente, preferia não ouvir falar nunca mais... Mas eu não sou surda, graças ao Pai, né?).

Esta matéria é exatamente para comemorar (?) – “espetaculosaus” quae sera tamem - algo como Espetaculosas ainda que tardia! - a chegada do homem (norte-americano) na Lua. Pois é! Eles chegaram lá em 20 de julho de 1969. Não necessariamente nesta ordem. Ou não?

Se eu tenho algum (!!!) leitor assíduo e que por acaso acompanha minhas matérias pretensiosamente cínicas e genuinamente mordazes, percebeu que sou um Edmundo. Explico. Existe uma crônica de Cecília Meirelles – salve mentora!- intitulada “Edmundo, o céptico”, onde o personagem principal, desde criancinha travessa, era um céptico.

Para quem não é muito hábil com esta língua portuguesa manjada, reformada e coroinha, não confunda “céptico” com aquela coisa horrenda que acontece com gente sadia que entra de pé quebrado no Getúlio Vargas e sai na gaveta pro IML – septicemia, infecção generalizada. Os cépticos (prefiro a grafia tradicional, sou uma boêmia que respeita a velha guarda) são pessoas que querem “ver para crer”, os tradicionais e populares São Tomés da vida, que não acreditam em qualquer ladainha, em qualquer “manga com leite”, em qualquer “o FH e o Collor derrubaram o Brasil”- se o presidente de vocês lesse (?) isto diria “Respeite a história política do Collor!” tal qual fez com seu amigo de infância Sarney...

Enfim, os Edmundos não aceitam tudo muito facilmente. E já que me pediram para falar sobre esta data histórica (!!!), cocei a cabeça e descobri mais um tema onde impera o Edmundo, não a Fernanda escritora.

Vamos aos fatos. A História, que é ciência e lida com fatos (muito embora, depois de 14 anos de formada na área e de exercício pleno da cidadania histórica, eu saiba que fatos são meros detalhes a serem manipulados, ocultados, contorcidos, distorcidos, ou apresentados da maneira que convém) e os fatos contam que nesta data, posterior a uma missão lunar enviada em 1968, intitulada de missão APOLO VIII, Buzz Aldrin, Michael Collins e Neil Armstrong (o cara que pisou na bola que é a Lua, parece) na missão batizada APOLO 11 chegaram, enfim, em solo Lunar, feito que seu antecessor e antagonista (ahn, tinha a Guerra Fria, mas me recuso a explicar, pergunta pro Dr. Google), o russo Yuri Gagarin (este sim, um cara que eu tenho certeza de sua chegada bem perto da Lua, até porquê – História, fatos – é registrado que ele ejetou seu banco antes de sair da órbita lunar e reentrar na órbita terrestre, ou seja, preferia mil vezes viver no mundo da Lua, sacou?) tinha iniciado em 1961.

Pois bem. Se você, respeitado leitor meu, além de minha chefa, lê a cada mês estas prolixidades que escrevo, e já perguntou para o Dr. acima citado o que foi Guerra Fria, vai entender meu cepticismo .

Entre outras coisas, há a rivalidade norte-americana. De acordo com o que se constata na história recente dos EUA/USA (repararam? Até a sigla desfavorece, o país é narcisista e abUSAdo em inglês e em português...), os estadunidenses mentem. E muito. Não tanto seu povo, que acredita em muita coisa e ainda se alista para ir às guerras que o país impõe a terceiros, como quem vai às compras daquela preciosa bolsa Chanel, que está em liquidação e precisa ser comprada antes que a cafona da sua vizinha compre a última peça. Mas, todos aqueles que possuem investimentos no país ou estão em franca atividade na política mundial (por que, vamu combiná(sic), se você é político naquelas terras que são um país perto do Canadá a projeção da sua imagem é maior no planeta do que a daquela atriz globense, quando arruma um novo filho para criar e sustentar).

Então, uma mentirinha a mais, uma mentirinha a menos, dentro do contexto tenso da Guerra Fria – putz, ainda rolava a Guerra do Vietnã, onde aquele povinho baixa renda daquela terra cheia de bombas subterrâneas e armadilhas de bambu, “tava” aplicando a maior surra nos soldados paz & amor da terra do Tio Sam, que estavam armados até os dentes siso (mas que não indicavam o juízo daquela gente fardada) e este tipo de notícia não era exatamente aquela com que o governo americano contava para amedrontar o resto do mundo – era perfeitamente admissível para tornar as coisas mais seguras aos EUA, além de atrair parceiros e investidores de todas as partes do mundo interessados em dominar o espaço Lunar.

Ela é linda...

Eu, particularmente, sou uma criatura lunar, vivendo entre estranhos seres que apreciam sol, sal e frutos do mar com barba... Mas não sei não. David Bowie e diversos outros artistas cantaram a Lua de modos diversos (Bowie se destacou por ser o cara que escreveu a enigmática “Starman”, em homenagem aos homens que pisaram na Lua – aqui. A versão é “Astronauta de mármore”, do grupo gaúcho Nenhum de Nós. Aquele que foi uma espécie de Los Hermanos de sua época, já que ninguém aguentava mais sua “Camila-aaaa”, igual a... você - sabe - quem).

Eu não sou das que acreditam piamente que nunca se chegou à Lua, mas que houve uma data posterior àquela que foi divulgada para a história mundial, ahn, isto houve sim. Existe um site, como tantos outros, que expõe algumas incongruências nos fatos e fotos. Ah, você pode estar pensando, e você, Fernanda, tão crítica e espertinha acredita em tanta coisa que nestes sites demonstra ser apenas um movimento de resistência partidário-esquerdista-vernelhista-reacionário-espinhento- adolecencista de uns vários... Tá bom, mas lê aí, http://www.afraudedoseculo.com.br/, e procura outros similares que você vai se dar o que conhecemos como o “privilégio da dúvida”, ou, em termo jurídico preferido de uma ávida fã de séries como Law and Order, “dúvida razoável”. Não me peçam mais detalhes de inconstâncias, pois esta singela matéria já extrapolou mil palavras, para minha chefa editar será um sufoco daqueles...

Então, o que importa, para mim, é que sempre será “a lua e nós...”, e se é para celebrar alguma data ligada a ela... Celebremos!

Por Fernanda Barbosa
 
Publicado em Julho/Agosto de 2009

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Vivendo no exterior

Como professora de inglês, sempre que posso digo aos meus alunos como é importante ter uma vivência, mesmo que pequena, fora dos limites de nosso país. Não digo isso somente pela experiência de praticar o idioma que se está aprendendo. Mas, pela possibilidade de conhecer uma cultura diferente.

Quando se faz uma viagem para fora do Brasil, crescemos e amadurecemos. Primeiro pelo fato de estar longe das asas da família, segundo porque, se bem aproveitada, adquirimos muito conhecimento e voltamos com muita história pra contar.

Mas antes de viajar, é preciso tomar alguns cuidados. Ter mente aberta. Entender que você não está no seu país, as regras serão diferentes e você terá que obedecê-las. Saber, de antemão, o que pode e não pode fazer no lugar onde você está indo é muito importante. Muitas pessoas são mandadas de volta de programas de intercâmbio, justamente por não cumprirem regras bobas como não beber cerveja na rua, ou ter hora certa para voltar pra casa.

Tem que ter pique, pois a rotina do programa é puxada. Não tem moleza! Por isso, alguns programas de intercâmbio limitam a idade do intercambista para até 26 anos. Tem cursos com aulas durante todo o dia, todos os dias da semana. E ainda, existe um número fechado para faltas. Se não cumprir as regras, você volta sem o seu diploma.

Escolher um programa de intercâmbio é mais seguro do que viajar por conta própria. A não ser que você tenha amigos ou família vivendo no exterior. Hoje em dia existem milhares de possibilidade de estudo e trabalho fora do Brasil. Converse com os amigos, veja se eles indicam alguma agência que já tenham conhecimento. Escolher qualquer agência que anuncia um preço barato na internet também não é uma boa idéia. Geralmente as agências bem conceituadas promovem encontros no Brasil antes de viajar. Assim, você tem a oportunidade de conhecer o grupo de pessoas com quem viajará.

Esteja atento aos detalhes e procure saber tudo sobre sua viagem, antes de chegar lá. Pergunte sempre que tiver dúvidas. Não deixe de saber sobre as condições de moradia. Se for morar com família, procure ter fotos deles, saber como são e vivem. Se informe sobre o lugar onde vai morar, das opções de lazer, plano de saúde, enfim, mantenha-se informado.

E uma dica: mantenha a sua família, aqui no Brasil, informada de tudo o que está fazendo. Qualquer problema que aconteça, eles saberão onde você está, qual seu endereço ou telefone de contato.

Se você escolher um programa de trabalho, não se iluda. A maioria das oportunidades no exterior são subempregos. Você vai ser atendente de Mc Donald’s, diarista de hotel, garçonete de restaurante, babá de crianças. Dificilmente haverá propostas de trabalho com grandes chances de fazer carreira. Mas, isso não quer dizer que você possa ser destratado pelos empregadores ou ter péssimas condições de trabalho. Qualquer problema você deve comunicar a agência de intercâmbio, pois eles têm a obrigação de acompanhar o intercambista.

Programas diferenciados

Já existem hoje programas que não só oferecem os empregos básicos, mas também oportunidades de se divertir enquanto trabalha. É o caso do programa de intercâmbio feito na Disney, em Orlando. Lá são abertas vagas de assistentes, vendedores, mantenedores e até para os próprios personagens do parque.

Existem também os programas em cruzeiros, para aqueles que gostam do mar e não ligam de dormir em cabines apertadas. O programa mais curioso que já vi, foi seleção de voluntários para cuidar de leões na África do Sul.

O preço desses intercâmbios varia muito. Depende do destino, do seu objetivo (trabalho ou estudo), se você vai ficar em casa de família ou em hotel, do tempo de estadia (4, 6 ou 12 meses). Mas as agências parcelam e fazem de tudo para não perder o cliente.

Os destinos mais procurados hoje em dia são: Estados Unidos, Canadá, Austrália e Londres. Todos os países de língua inglesa. No entanto, é importante ressaltar que o idioma é diferente de um lugar para o outro.

Uma última dica. A maioria dos programas hoje beneficia os universitários. Os programas de férias, que duram geralmente 4 meses, só podem ser feitos por aqueles que estão no meio do curso superior.

Por Carolina Andrade
 
Pulicado em Julho/Agosto de 2009

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A moda que veio de 69

Em homenagem aos 40 anos do Festival de Woodstock, esse mês aproveito o espaço da minha coluna para dar dicas de roupas e acessórios que, apesar da idade avançada, continuam fazendo a cabeça de muita gente. Além disso, que mal há em estar com a idade da loba?





















Batas e chinelas - ideiais para o verão. Brincos argola, tirinhas e conto em couro trançado, completam o visual.





















Óculos redondos e/ou retangulares com lentes coloridas, muitas flores, pulseiras e colares de contas, e ainda, camisetas coloridas, pintadas a mão- características da época em que se pregava o a paz e o amor.


Por Tatina Bruzzi
Publicado em Julho/Agosto de 2009

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Sous le ciel de Paris

O amor é lindo, não? E ainda mais no Dia dos namorados... Que dirá na França! Tudo bem, por lá a data é comemorada em fevereiro, mas nada nos impede de sonhar em pleno junho, afinal estamos na terrinha verde e amarela.

Sempre quando vejo filmes ou ouço músicas francesas, é impossível não me imaginar apaixonada, com um lindo conterrâneo de Luis XIV, num café ao ar livre regado a chocolate quente... Vale incluir aí ser na década de 50, pois sou simplesmente louca por Paris dessa década! Talvez essa seja a imagem romântica mais difundida no ocidente e convenhamos, é simplesmente divina!

Conheço gente que faz planos de lua-de-mel ou viagens aleatórias, em busca do amor pela França. Isso sempre me faz pensar: por que isso? O que tanto atrai o desejo de milhões de pessoas? Até hoje não entendi e acho que nunca descobrirei o real porque disso... Mas, é até melhor assim. Afinal, um bom mistério só intensifica o clima de romance. Um daqueles parisienses e pra lá de chiques, rs.

Mas caso você não tenha recursos para tal viagem, faça do seu caso de amor um “affair d'amour” por aqui mesmo e seja feliz com sua cara metade, porque o amor é muito mais do que uma imagem idealizada e perfeita até os mínimos detalhes. Aliás, quem foi mesmo que disse: a verdadeira perfeição tem de ser imperfeita? Essa pessoa é um gênio... E um apaixonado, com toda certeza.

Beijos e lembrem-se, não importa a língua: "Tout ce qu'il vous faut, c'est l'amour"! (Frances). “All you need is love"! (Inglês). “Tudo o que você precisa, é amor”! (Português).

Juju!

PS: Sugiro a música que dá nome ao título. Muito bonita e a letra traduz com perfeição a aura maravilhosa da Cidade Luz.

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A França...

“A França no ano que o Brasil retribui”, “O ano em que a França é celebrada no Brasil”, “O Brasil e a França que não se conhecem”... Diversos títulos me vieram à mente para abrir esta simpática matéria sobre o que se convencionou chamar de “O Ano da França no Brasil”. Não que eu seja hostil à França, au contràire, tenho certeza inabalável que minha última encarnação foi nos dourados campos de alguma cidade florida francesa, que bem poderia ser Avignon ou Bourgogne (não, eu não queria ter nascido em Paris), e amo a cultura, a arte, os perfumes e o cinema franceses... A-M-O.

O propalado “Ano...” corresponde a uma gentileza das políticas internacionais onde em 2005 o Brasil foi o homenageado da vez na França. Portanto, não há como negar a diplomacia agradável e a iniciativa culturalmente simpática no movimento inteiro. Agora, e perdoem-me os mais singelos, nobres e elevados espíritos de leitores, e colegas que acham esta e outras iniciativas “únicas”, como Rio2016, “Anos...” de diversos países aqui no Brasil sendo agendados e programados, e outros eventos que não necessariamente possuem um contexto histórico, e disto infelizmente eu não posso fugir, porque como professora de História sei que o que falta ao brasileiro classe média, alta, baixa, econômica, artística, ou qualquer outra classe, é saber História.

As pessoas não perguntam mais: “Mas por quê?” E é esta assustadora passividade sem perguntas e uma indiferença blasé, que escondem uma sincera ignorância dos fatos, é que geram os palhaços do Senado, dos Ministérios, estas pessoas que agem de má-fé e completa indecorosidade, apenas aproveitando o fato de que o brasileiro não se pergunta o motivo de nada, e odeia as aulas de História que tentem ensiná-lo a pensar e questionar os fatos.

Por que fizemos o Pan se nem tentamos reativar de verdade os Pam’s da Saúde? Por que a corrupção virou apenas motivo de bate-papo entre amigos? Por que a violência é assustadoramente imparcial na hora de atingir o cidadão? A História, vos afirmo, teria respondido ANTES suas perguntas. E, para evitar me alongar demais, pois sou prolixa e assumo (outra coisa que eu acredito que, em tempos de agilidade e rapidez, mesmo assim, faz falta- longas explicações. Em alguns casos, evitam certos erros), afirmo aqui, com todo o respeito: Amo a França e seus costumes, tenho absoluta certeza que um dia fui bretã, os seus perfumes me entontecem de tão bons, seus filmes e atores/atrizes são belos e talentosos de fazer corar um dalit, a cidade-luz é tuuuuudo de lindo.

Um espetáculo visual e artístico, quer você seja sensível ou não, quer seja você conhecedor do porque atrás de cada arquitetura ou não, você certamente se emocionará ao avistar a Catedral de MontMarte ou a de Montserrat ou ao ver o correr tranqüilo do Rio Sena e a esplêndida arquitetura do Palácio de Versalhes, com seus bidês de ouro, mas saber a História por trás da construção de tudo aquilo, ou mesmo se indagar porque homenagear a França não é só indispensável, é absolutamente preciso.

Cada vez mais as pessoas festejam, se encantam, se comovem. Cada vez mais as pessoas ficam tristes com o coitado do Diego Hypólito, que não tem patrocínio de ninguém (agora tem, ele e a irmã assinaram com o banco mais PAC-gracinha do Brasil, a Caixa Econômica) e cada vez menos pessoas param de se perguntar se o Hypólito já comeu suas “mínimas” três refeições por dia, se ele estudou bem e até que série, se o César Cielo por acaso, coitado, já deixou de ser atendido ou diagnosticado com virose. Ou então cada vez menos se importam em ser tão passivas, com o fato de haver um circuito inteiro para exaltar um país amigo, enquanto o brasileiro do Rio não sabe e nem conhece o que é uma “carpideira”, e nem de que cantão do país vem este termo, a menos que a Andréa “Grande Família” Beltrão, junto com a Marieta”um-dia-fui-srª Buarque” Severo (e não quero demonstrar desrespeito, adoro o talento de ambas) encenem uma peça no Teatro da LAGOA...

Sim. Sou francesa por afinidade. Pudesse falava francês e fazia biquinho todos os dias, e passaria tardes deliciosas admirando os museus. Mas enquanto eu falar EM português-brasileiro DE brasileiros PARA brasileiros e tantos quantos outros queiram ouvir, eu ainda vou preferir saber por que o mundo está acabando e por que todo mundo só lamenta muito?

Por Fernanda Barbosa
 
Publicado em Junho de 2009

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