A onda que veio da França

Quem disse que francês não pega onda, não conhecia o kitesurf. O esporte que consiste num voo do atleta sobre a água, puxado por uma pipa, foi criado por dois franceses e está cada vez mais conquistando adeptos pelo mundo.

O kitesurf é um esporte relativamente novo e sem muito mistério. Uma mistura de surfe, windsurf e wakeboard, que virou opção para os praticantes desses esportes em dias onde as condições do tempo não estão favoráveis.


Seu equipamento é basicamente a pipa, feita do mesmo material utilizado na fabricação da asa-delta, e a prancha, que pode ser tanto uma especial para sua prática, como também a velha conhecida do surf.

Qualquer pessoa pode se tornar um kiteboarder (nome que se dá a quem pratica essa modalidade), sendo fundamental apenas estar acompanhado de um instrutor. O esporte é praticado no mar, em lagos e até represas. Com ventos fortes ou fracos, pois a aerodinâmica da prancha facilita o voo nas diversas condições de vento. Porém o ideal é seguir a mesma temática do windsurf, quanto mais vento, menor a área. E mais, por se tratar de uma atividade perigosa, na hora de velejar é importante manter a distância de pelo menos 100 m de banhistas e embarcações.

Em suas competições, cada bateria é composta de dois atletas que disputam, entre si, a classificação para a próxima fase. Aquele que avançar direto da 1ª fase, aguarda o campeão da repescagem para a decisão.

As manobras utilizadas no esporte são uma mistura das feitas no surf, wakeboard e windsurf. Quando adaptadas, criam novos conceitos e nomes. Mas, o princípio é o mesmo. Costuma-se apresentar três tipos de manobras: transição, de salto e as feitas na onda. E para cada uma dessas, existem termos e pontuações diferentes.

As de transição consistem nas mudanças de direção feitas pelo atleta. Com uma manobra desse tipo, o kiteboarder muda a direção que estava seguindo.

Já as de salto são feitas no ar, o que as tornam visivelmente mais bonitas. Para se ter ideia, já foram registrados saltos de até sete segundos. Não é a toa que dizem ser nesse tipo de manobra, que o kiteboarder voa literalmente.

Por fim, as manobras feitas na onda. Geralmente essas são adaptadas do surf e o grau de dificuldade costuma ser alto. Há um risco maior de queda, e nesse caso o atleta tende a se enrolar nas linhas da pipa.

O Brasil oferece uma grande vantagem aos atletas de kitesurf, graças aos seus 8.000 km de costa e ao clima, que permite a prática do esporte durante o ano todo. Os locais mais procurados por aqui são Nordeste e o litoral paulista, com destaque para o Ceará e Ilhabela. Já tivemos campeonatos em Porto de Galinhas, Porto das Dunas, Praia do Coqueiro e Barra da Tijuca.

Agora os principais picos mundiais são Coche Island (Venezuela), Fuerteventura (Ilhas Canárias), Tarifa (Espanha) e Bélgia (República Dominicana).

Em 2000 foi criado o Kiteboard Pro World Tour, primeiro Circuito Mundial de Kitesurf. O campeonato passou por países como Cabo Verde, República Dominicana, França e Rio de Janeiro. O francês Christopher Tasti e a neo-zelandesa Stephanie Gamble, se tornaram os primeiros campeões mundiais da modalidade. Tinha que ter um francês no meio!

Como surgiu o Kitesurf

O kitesurf moderno (que se pratica hoje) foi inventado pelos irmãos franceses Bruno e Dominique Legaignoix, que eram navegadores, surfistas e windsurfistas. Em 1984 eles desenvolveram uma pipa com câmaras de ar. Quando infladas, o ar não escaparia delas, permitindo que fossem erguidas novamente da água toda vez que caíssem, sem precisar da ajuda de ninguém.

A partir do momento que sua criação foi patenteada, eles começaram a participar de regatas internacionais de velocidade com esquis aquáticos.

O invento mesmo só foi desenvolvido entre os anos de 85 e 86. E a partir de 1993, as pipas começaram a ser comercializadas.

Algumas tentativas de combinar pipas com canoas, patins, patins de gelo, esquis, esquis aquáticos, entre outros, foram surgiram ainda na década de 80. Uma delas pelo suíço Andréas Kuhn, que levantava da água sobre uma prancha similar à de wakeboard, impulsionado por um equipamento de parapente. Ele foi o primeiro a saltar, a grandes alturas, com ventos fracos. O feito foi transmitido pela TV européia.

Uma curiosidade

Dizem que antes da invenção feita pelos irmãos Legaignoix, o kitesurf já existia. Há rumores que apontam a China como o lugar de origem das pipas, há mais de dois mil anos. Elas ajudavam a navegação de barcos e o transporte de materiais pesados de construção.

Por Tatiana Bruzzi
 
Publicado em Junho de 2009

Read More

Ahh... Paris!

A terra do romance e do luxo, certo? Uhm... Por pouco, quase não foi!


A primeira impressão que tivemos de Paris foi a pior possível. Já tínhamos passado pela Alemanha, onde tudo é limpo e com cara de novo, e em Paris tudo era velho, escuro, havia pichações em muros, me lembrava o Brasil em alguma coisa. O metrô e o trem, a neve que caía forte, as ruas escorregadias, o nosso cansaço da viagem longa, o céu nublado, tudo parecia desmanchar a imagem linda que tínhamos da cidade. Para completar, encaramos a má vontade dos recepcionistas do hotel e da vendedora do ticket para o transporte, que nos fez pagar duas vezes o valor da passagem. Pagamos caro por não falar tão bem o francês. Ou quase nada!



Mas, felizmente, depois de comer o pior crepe da França para matar a fome e de cochilar um pouco para recarregar as baterias, fomos jantar com amigas na Champs Élysées. E aí tudo mudou. A neve tinha parado, o metrô que era estranho passou a ser cultural.

Pegamos a linha amarela, a mais antiga da Europa, que passa por pontos como o Arco do Triunfo e o Louvre. Descemos na estação George V sem saber o que iríamos encontrar. E quando estávamos nos últimos degraus da escada (aja pernas!), tivemos a visão mais linda e sentimos pela primeira vez o clima francês. Eram as árvores iluminadas da Champs Élysées. Elas brilhavam em azul e branco, e a extensão da avenida era enorme. Terminei o último degrau da escada, olhei em frente e lá estava o arco do triunfo. “Estamos em Paris!”, eu e minha irmã dissemos quase juntas!

Daí em diante foi só alegria. Andar pela Champs Élysées, mesmo sem dinheiro, é um luxo só. As calçadas são largas e as vitrines das lojas são maravilhosas, tais quais a Regent Street, em Londres. Jantamos num restaurante italiano chamado Bistrô Romain e comemos o que pra nós vai sempre ser o melhor Creme Brulee da frança.

Nessa mesma noite, depois do jantar, voltamos para o hotel onde planejamos rapidamente o que faríamos no dia seguinte. Afinal, eram apenas mais dois dias em Paris. Tínhamos que ser estratégicas.

O primeiro dia!

Depois de um café da manhã delicioso, com panquecas, queijos e manteigas francesas, fomos para a Sacré Coeur, a igreja do Sagrado Coração, que fica no alto do bairro de Montmartre. Para chegar nela você tem que subir uma escadaria fora do comum, ou pegar um elevador que mais parece um bondinho. Com neve e escorregando, não dá pra subir a pé, certo?! Como nosso ticket do transporte pagava a entrada do bondinho, subimos.


A basílica é maravilhosa, por dentro e por fora. A vista de Paris, lá de cima, também é incrível. Não é permitido tirar fotos no interior da igreja, mas conseguimos, discretamente, gravar o áudio das freiras cantando durante a missa. Celestial!

Da basílica, descemos algumas ruazinhas para pegar o metrô e andar mais uma, ou duas estações, a caminho do Moulin Rouge. Tínhamos que pelo menos ver o teatro. O espetáculo custava 90 euros pra cada uma, no assento mais barato. Então ficou para uma próxima. Mas, não deixamos de comprar suvenirs na lojinha ao lado do teatro.

Almoçamos por lá mesmo e partimos em direção a outra igreja, a famosa Catedral de Notre Dame. A arquitetura é totalmente diferente da Sacré Coeur, mas é tão maravilhosa quanto. A quantidade de turistas também é grande e obviamente encontramos brasileiros. Nessa hora, são fotos pra todo lado, e acabamos trocando ideia com pessoas de várias partes do mundo.

A Notre Dame é a maior igreja que vimos em toda a viagem. Ao contrário da Sacré Coeur, pudemos tirar fotos dentro da Catedral. O interessante das duas igrejas é que ambas tem um altar central grande, com os bancos à frente, mas em volta existem corredores que levam a outros pequenos altares e capelas. A mais impressionante delas, em minha opinião, é a capela de Nossa Senhora, logo atrás do altar da Notre Dame.


Uma dica interessante é visitar a área paga da Notre Dame, onde estão expostos “riquezas da igreja”. São apenas 3 euros e podemos ver ostensórios de ouro e brilhante, roupas de Papas, peças usadas nas cerimônias, entre outras coisas. Muito interessante!

Por fim, depois de andar muito, era hora de ir pra Champs Élysées fazer compras e jantar.

O segundo dia!

Em Paris tudo é distante, nosso roteiro no primeiro dia valeu muito porque conseguimos fazer coisas perto uma das outras. No segundo dia, nossa primeira parada foi a Torre Eiffel. Demos muita sorte. O céu estava azul e o sol brilhando. Porém, um gelo.

Ficamos esperando pouco mais de 30 minutos para subir apenas até o 1º andar da torre, por conta da neve e manutenção. Mas era suficiente para sentir muito frio. Não havia nenhum café aberto lá em cima, então apreciamos a vista, tiramos muitas fotos e descemos para tirar mais lá embaixo e partir para nosso segundo ponto do dia, talvez o mais importante para nós, o Louvre.

Não estou desmerecendo a torre. Ela é, sem dúvida, muito bonita, muito alta e um símbolo de poder na França. É possível ver o holofote que fica no alto dela, brilhar a noite em diversos pontos da cidade. Só para gente não esquecer que ela está lá. Mas, mais do que a torre, uma coisa que me emocionou muito foi ver o rio Senna. Lá de cima, conseguimos ver os contornos do rio e as várias pontezinhas que o cortam.
Enfim chegamos ao Louvre. Reservamos a tarde toda para ele, pois sabíamos que demoraria. E vale a pena! Na grande área que abriga o Louvre vemos o seguinte: são três prédios enormes e clássicos que se encontram formando uma letra “C”. No meio dos prédios existe um pátio com fontes e a grande pirâmide de vidro, que se tornou a entrada principal para o museu. Lembram-se do Código Da Vinci?



Entrando na pirâmide, descemos as escadas e vemos um saguão (como se fosse um piso subsolo) que dá acesso a todos os prédios do museu. Não existem guichês com vendedores para comprar a entrada. É tudo feito em máquinas, como num metrô. Tem áreas do museu que visitamos e que ninguém nos pediu o ticket. Mas todos o compram direitinho, mesmo sem a fiscalização. Ponto pros Europeus e para os turistas que respeitam a lei.

Passamos quatro horas lá dentro. Vimos obras famosas como a Monalisa. Mas também nos encantamos com esculturas e pinturas por todos os lados. O teto do Louvre, que antes era um palácio, é uma obra de arte por si só. Cada cômodo um teto diferente. Impressionante!



Ao contrário do que eu imaginava, é possível fotografar, filmar e até tocar nas obras. O que torna o museu muito mais interessante. Uma área que eu não conhecia e que agora aviso a todos para visitarem, é uma parte que eles chamam de “Apartamentos do Napoleão”. É um pedaço do que restou da casa do Napoleão que, em algum momento, foi dentro do que hoje é o Louvre. Maravilhoso!


Cuidados e curiosidades:

- Em busca de uma refeição mais em conta, olhávamos o cardápio na porta dos restaurantes e lanchonetes, mas sempre dando mais atenção ao prato do que a bebida. Numa dessas, pedimos uma pizza (muito boa) que era barata, mas o refrigerante saiu a 5 euros uma garrafinha. E nós tínhamos bebido três. Vacilo!

- Cada ticket para o Louvre custou 9 euros. Compara com o refrigerante!

- Comprar o serviço de internet do hotel vale a pena. Eram 10 euros por 3 horas de uso, que podiam ser interrompidos. Usamos a net para acessar o Google Map e pegar localizações, além de nos comunicar com a família.

- É sempre bom iniciar uma conversa em francês e depois passá-la para o inglês. Eles vão te receber melhor. É fácil dizer “Bonjour” ou “Excuse moi”.

- Nossos recepcionistas eram tão chatos que nem boa viagem, na hora de ir embora, eles desejaram.

Por Carolina Andrade
 
Publicado em Junho de 2009

Read More

“O último tango em Paris”

Ahn, La vie est belle, La vie est rose... Já dizia aquela antiga canção. Tudo o que vem até nós com a mínima referência francesa, afeta uma memória afetiva que ninguém sabe exatamente o motivo, um “je ne sais quoi” (“não sei bem por que, ou como”), que nos faz viajar na imaginação pela Torre mais famosa do mundo, seja por um aroma magnifiqueé de parfum français, seja pela letra daquela bela chanson que diz sussurradamente “não me deixes, não me deixes, não me deixes” (“Ne me quitte pas”), ou qualquer outra referência gaulesa a esta terra tão miticamente romântica, culturalmente bela e indescritivelmente enchanté (“Encantadora, encantada”).

A França é talvez uns dos únicos, senão o ÚNICO país, onde os homens exageram no romantismo sem medo de serem rotulados de gays. País do romance, da beauté, de Chanel, Cacharel, Saint-Laurent, Paco Rabanne, Dior, perfumes e roupas ma-ra, que nos deu a L’Oréal, a Citroën, o Carrefour, o croissant e etceterá. A França também nos brindou com algumas invasões territoriais, dos séculos XV até XVII, que possivelmente justifiquem este tal de ano França-Brasil (desculpe, chefa, eu avisei que iria avisar ao povo da verdade meio “Código Da Vinci” por trás desta fanfarronice) e também (particularmente o que eu mais AAAAMO) com o cinema francês.

A Nouvelle vague foi um movimento artístico do cinema francês que se insere no movimento contestador e próprio dos anos sessenta. No entanto, a expressão foi lançada por Françoise Giroud, em 1958, na revista L’Express ao fazer referência a novos cineastas franceses. Sem grande apoio financeiro, os primeiros filmes conotados com esta expressão eram caracterizados pela juventude dos seus autores, unidos por uma vontade comum de transgredir as regras normalmente aceites para o cinema mais comercial. Hoje, virou meio que moda o cineasta filmar e dizer que sua obra tem algo de “nouvelle vague”. Ponto pra França!

Eu até perdoo a França pelas invasões quando vejo filmes como O Corte, O Closet, Este obscuro objeto do Desejo, Meu melhor amigo, O fabuloso destino de Amélie Poulain, Maria Antonietta, Asterix, Je Vous Salue Marie, As diabólicas, A bela da Tarde, só para citar algumas preciosidades.

Ver nomes como Daniel Auteill interpretando o obsessivo chefe de família, que sai matando um a um os candidatos a uma vaga em grande empresa, e por quem de certo modo nutrimos simpatia, só não é melhor que ver este mesmo ator dividindo a bola com o Asterix e o “Cyrano de Bergerac” mais famoso do mundo, que atende pelo nome de Gerárd Depardieu e trabalha como colega de trabalho de Auteill, em outro filme mordaz sobre uma sociedade supostamente inclusiva, mas homofóbica até a raiz, como a nossa, atualmente. Não, não vou identificar os filmes propositalmente, para que você, leitor atento, se interesse e procure correndo, estas atuações tão particulares.

Eu ouvi um personagem em uma série televisiva um dia dizer que, o cinema francês era chato porque só mostrava a vida real e alimentava o sofrimento humano com muito carinho. E não pude conter um riso complacente – é a mais pura verdade. Os franceses, até quando querem ser inventivos e não autobiográficos (François Truffant, um dos inúmeros diretores franceses que admiro, é uma espécie de Glauber Rocha atormentado, não acreditava no maniqueísmo do bom e do mal, todos eram seres humanos) são sofridos, intimistas, peculiares e demonstram a vida do jeito que é, sim.

Até porquê, convenhamos, esta coisa de TODA A HORA o mundo EUA (é, já que quando acontecem coisas extraordinárias, para o bem e para o mal, os EUA esquecem que são apenas UM país no continente americano e acabam levando para as telas filmes improváveis como Fim dos tempos ou o O dia depois do amanhã) ficar sendo destruído e acabar salvando o resto do universo é um pé no saco, e nada melhor do que ver uma mulher linda como Catherine Deneuve, que chega a dar raiva de tão bela, discreta e elegante, traindo o marido como uma simples mortal e voltando para seu doce lar ao fim da tarde.

E já que elogiei o quesito superficial mais adorável, cujos franceses veneram, que é a beleza, como não falar de Isabelle Adjani, insubstituível em A rainha Margot, na década de 90. Ou da covardia que uma mulher como Carole Bouquet faz, com mulheres comuns como nós, simples mortais, sendo linda cada vez mais ao longo dos anos?
 
Claro que a natureza não foi generosa, e nem será, com todas as belas ao mesmo tempo. Sim, estamos falando dela mesma, o furacão Brigite Bardot, que prova também que podem mulheres belas ficarem a visão do inferno quando querem... Só quando querem! Duvidam?
 
O cinema francês tem consciência histórica, não grava qualquer historieta apenas pela bilheteria (reza a lenda que um dos diretores mais cabeças do universo cinematográfico francês, que atende pelo nome de Jean-Luc Godart, foi avisado que a igreja católica iria boicotar com seus fiéis aquele que prometia ser o filme mais herege e polêmico de todos os tempos, Je vous salue, Marie – onde uma paródia com a vida de Cristo, mas não uma paródia qualquer, uma paródia humana, plausível e adaptada para a sociedade da década de 80, de uma mãe solteira que come o pão que Deus torrou demais no forno até chegar a algum tipo de redenção – e ainda assim, não mudou uma linha sequer do que pretendia filmar. E mesmo seus diretores mais chegados ao universo hollywoodiano, como Luc Besson (dirigiu o cara mais espetacular para ser o Dr. House depois do Hugh Laurie, claro – o ator Jean Reno, em O profissional, e que até quis ganhar um dindim filmando películas como Nikita, Joana D’Arc e o Quinto Elemento) são bastante pessoais em suas direções e acabam imprimindo tanto esta herança cultural francesa, que no fim das contas se importam com a mensagem, e não com cenas impactantes, apenas para pagar peitinho, nem sexo gratuito fora do contexto, nem violência exagerada, para dar uma bilheteria vultosa sem ao menos se saber muito o motivo.

Um filme francês até pode virar um blockbuster (como foi o caso do que batiza esta matéria, e virou ícone de uma geração) mas nunca é concebido e gravado com esta intenção.

Eles, os franceses, conscientes de que seus filmes e diretores (tenho que encurtar, então cito alguns atores e atrizes franceses de todos os tempos, como Vincent Cassel, Alain Delon – Deus, o que é este homem hoje sessentão? - Anouk Aimée,Annie Girardot, Alain Resnais, Jean-Paul Belmondo, Carole Bouquet, Maurice Chevalier, Isabelle Hupert,Christopher Lambert, Yves Montant, Michel Serraut, Juliette Binoche, Audrey Tatou, Olivier Martinez – outro meu-Deus-do-Céu - Emanuelle Beàrt, Irene Jacob, Eva Green, Krzysztof Kieslowski - diretor polonês que filmou uma trilogia fantástica na década de 80 baseada nas cores da bandeira francesa e em seu lema principal histórico-, Fanny Ardant, Simone Signoret) criara sua própria versão do Oscar, para valorizar este que é um tipo de cinema conceitual, pessoal, realista e triste, essencialmente triste. Nem sempre existem finais felizes nos filmes, para nos lembrar que a vida é isto aí mesmo. Nem sempre o mocinho vence no final e casa com a mais bonita.
 
Enfim, se você ainda acredita na tal lenda urbana de “Ano da França no Brasil”, ao menos aproveite e tente entender Este obscuro objeto do desejo que é para mim, como para alguns, o cinema francês.
 
Por Fernanda Barbosa
 
Publicado em Junho de 2009

Read More

Uma senhora Torre

Para registrar sua passagem pela Terra, o homem foi cada vez mais aperfeiçoando a técnica e a arte de eternizar algum fato historicamente importante. Por conta dessa vontade de materializar suas conquistas, desenvolveu a escrita, a pintura, a escultura, a arquitetura, a fotografia, e por aí vai. Assim, cada povo, a seu modo, foi deixando rastros e monumentos colossais espalhados pelo mundo todo, que acabaram se transformando em pontos turísticos dos mais visitados. Nesse rol de maravilhas se encontra a Torre Eiffel.

Construída para a exposição universal em comemoração ao centenário da Revolução Francesa, a Torre Eiffel foi inaugurada a 31 de março 1889. Coube ao engenheiro Gustave Eiffel a responsabilidade de projetar o monumento em 1884, mas sua edificação só começou em 1887 porque, na época, muitos intelectuais questionaram a finalidade da obra. Por conta disso, apesar de sua estrutura colossal (7.300 toneladas), previa-se sua demolição após a exibição. Graças ao bom senso do povo parisiense, e ao seu uso para estudos meteorológicos e radiofônicos, a Torre não foi ao chão. Totalmente salva, a "Dama de Metal" recebe cerca de 6 milhões de visitantes por ano.

Inicialmente a Torre Eiffel tinha 312,27 metros. A partir da instalação das antenas transmissoras de canais parisienses, no seu topo, a Torre passou a medir 324 metros de altura, com 352 projetores de 1000 watts para iluminá-la. Para manter a centenária Dama em forma, a "Sociedade Nova de Exploração da Torre Eiffel" contrata obreiros acrobatas que, a cada sete anos, pintam sua estrutura metálica usando cerca de 50 toneladas de tinta.

A Torre possui três plataformas. O acesso pode ser feito por escadas, se o visitante estiver disposto a subir 1652 degraus. Felizmente, um sistema de elevadores também foi instalado, o que democratizou seu uso. Na primeira plataforma se encontra o elegante restaurante Jules Verne, com vista deslumbrante de Paris. Mas, se o turista quiser desfrutar de uma excelente cozinha francesa, é bom ficar atento para o preço das refeições. As porções são calculadas em grama e quando vem a conta, tem-se a ideia de que foi cobrada em arroba. Mesmo assim, a concorrência por esse lugar é grande, logo é necessário fazer reserva com antecedência.

Entre as outras atrações da Torre, um pequeno museu de cera em que figura seu criador, o engenheiro francês Gustave Eiffel e um cinema, que relata sua história. Por falar em cinema, a destruição da Torre Eiffel é tema de um filme que leva os Comandos em Ação à telona. O longa tem direção de Stephen Sommers (Van Helsing) e será lançado mundialmente em 7 de agosto, pela Paramount Pictures.

Portanto, ficção ou não, enquanto a senhora Torre estiver erguida majestosamente no Campo de Marte, ao lado do Rio Sena, sempre será interessante visitá-la. Afinal, é o marco da Revolução Francesa, que inspirou a outros países buscarem a Liberdade, Igualdade e Fraternidade tão sonhadas.

Por Maria Oliveira
 
Publicado em Junho de 2009

Read More

O modismo que veio da França















Por Tatiana Bruzzi
Publicado em Junho de 2009

Read More

Lá vai a noiva

O mundo é um ovo realmente, não? E como estamos no mês das noivas, me lembrei de um caso que comprova isso. Há uns cinco anos atrás, meus vizinhos de porta foram a um casamento. Tudo muito bonito... Na igreja teria um super jantar depois da cerimônia e a família, não poderia estar mais feliz. Exceto por um pequeno detalhe: a noiva não chegava.

E não parecia ser daqueles pequenos - e obrigatórios – atrasos... Horas se passavam e nada da estrela da festa chegar. O noivo foi ficando cada vez mais nervoso, o calor e a fome começaram a apertar. Até que, mais de 120 minutos depois, foi resolvido o seguinte: a cerimônia aconteceria depois da comilança. Segundo minha vizinha, ninguém reclamou.

Durante os comes e bebes, a noiva chegou com as madrinhas. Seu vestido branco, estava manchado de vermelho. Ela fora assaltada no caminho para a igreja e o meliante, atirara no pé da moça durante a tentativa de roubo do carro.

Não se preocupem! Ela se casou e no fim, tudo foi lindo como planejado. Com um pouco mais de adrenalina e bandagens do que o previsto, mas soberbo de qualquer forma, afinal foi um casamento.

O curioso é que, dois anos após o acontecido, uma amiga minha foi contar a história de uma das noites mais loucas em sua igreja: o casamento, que quase não aconteceu, porque a noiva estava se esvaindo em sangue após uma tentativa de furto.

Ela foi contando a história, mais que animada, enquanto eu só pensava: "Epa, isso eu já conheço!". Quando cheguei em casa tive a oportunidade de perguntar aos vizinhos... data e lugar batiam. E pensar que, de todas as histórias que ela poderia contar, essa foi a escolhida...

Depois dessa, passei a acreditar em coincidências. Até porque quais são as chances de ser amiga, da amiga, da conhecida, de uma noiva que no dia do casamento é assaltada, leva um tiro e só não perde o carro por sabe-se-lá-Deus-o-motivo?!

Pelo menos foi a mais memorável das cerimônias. Mesmo para os não presentes, como eu.

Beijos, Juju!


PS: Espero que o casal tenha toda a sorte que não tiveram nesse dia, ironicamente tão especial. Rsrs.

Read More

Ta chegando a hora do sim

Será que falta alguma coisa?


Quando se fala em casamento, pensamos logo na marcha nupcial, uma bela moça vestida de branco, uma igreja super decorada e um noivo ansioso no altar. É, mas sabia que por trás desse “quadro” que acabei de pintar, os noivos têm que ralar muito para que fique tudo perfeito? É sim! São muitos detalhes envolvidos nessas seis horinhas. Eu posso afirmar isso por experiência própria. Muitas coisas acontecem antes do sim!

Ainda existem muitas moças que fazem enxoval de casamento, muito antes de encontrar seu amado. Mas eu não fiz nada disso. E o pior, ainda nem comecei e o meu casamento será em pouquíssimos meses. Como diz minha mãe, estou fazendo tudo ao contrário.

Começamos pelos móveis da sala. Depois de várias pesquisas, idas e vindas à shoppings, lojas de móveis e decoração, resolvemos pelo primeiro conjunto de sala, com dois sofás, mesa de centro, mesa de canto, aparador e uma bela estante. E partimos para a cozinha.

Depois de chorar preço com um vendedor, ir a outra loja, e olha que me descobri uma verdadeira negociante, consegui um super desconto. Essa é uma das primeiras dicas que deixo para quem está se preparando para o casório. A melhor coisa que tem é comprar a vista. Assim, você pode negociar e ganhar um belo desconto. Tanto que não saí da loja apenas com o fogão, mas com um home theater também.

Alguns padrinhos e familiares se prontificaram em ajudar com outros eletros, o que é muito bom! E não seja interesseira (o) em chamar aquelas pessoas que têm uma boa situação financeira. Essa escolha é delicada, já que queremos chamar todos que são importantes em nossas vidas. Mas procure os que você tenha mais afinidades, os que te apoiaram e os que acompanharam a história do casal desde o início.

Um dos grandes dilemas é o cantinho dos dois. No meu caso, ainda estamos em busca de uma casa. Como diz o ditado: “Quem casa quer casa”. E é verdade. Mas os precinhos estão um tanto salgados. Por isso, você pode optar pelo aluguel. Invista numa casinha pequena e com um pequeno aluguel, afinal de contas, no início serão só os dois mesmo, enquanto procuram a sonhada casa própria.

Partimos então para a busca de um belo local para a realização desse sonho. Confesso que achei essa a melhor parte, pois todas as casas de festas oferecem uma degustação. Gostamos tanto da idéia, que quase tornamos um roteiro de todo sábado a noite. Além de conhecer novos locais, lanchamos sem pagar nada (nessa época temos que economizar em tudo, risos!).




O local deve agradar aos noivos, não adianta apenas um gostar. E nada de querer ostentar sem poder. Um lugar simples, com uma bela decoração, deixará todos de queixos caídos. Procure um salão que disponibiliza serviço de buffet. É mais prático e eu acho que sai mais em conta, sem contar com menos uma preocupação.

Fotografia e filmagem. Quem num quer guardar pra sempre esse belo momento? Não feche com o primeiro que encontrar. Pesquise bastante antes. Peça para ver as fotos que ele já fez e os vídeos também. Às vezes você pode achar que um profissional está te cobrando baratinho e vai nele, mas a qualidade do trabalho pode não ser legal. E tem muitos cobrando um pouquinho a mais (R$ 100,00, 200,00) e oferecem mais coisas, do tipo: maior quantidade de fotos, banner, foto externa, CD com todas as fotos, telão, filmagens e muitos outros atrativos.

Você não pode esquecer de fazer o repertório com as músicas: entrada do noivo, dos padrinhos, da noiva e se tiver alguém que vá cantar, etc, etc, etc. Hoje em dia não se usa mais as famosas lembrancinhas. O que você pode fazer é caprichar no bem casado. Mas se quiser fazer um agrado a seus convidados, faça! Não se esqueça que essa noite é sua. Você tem que realizar o seu sonho.

Resolvidas essas questões, que tal partir para a escolha da roupa do grande dia? Tenho que fazer outra confissão. Senti-me uma diva, uma princesa, uma miss, e muito mais. É muito divertido e emocionante esse momento. Ainda mais como foi comigo. Fui com minha mãe em apenas três lojas. E fui super bem tratada nas três. Em uma, quem me atendeu foi a proprietária e na outra, tive uma sala exclusiva, cheia de espelhos e ar condicionado só para minha mãe e eu. Senti-me uma pop star.

Vestido escolhido, mistério para as amigas e principalmente, para o noivo. Nada melhor que um clima de suspense. Ah! Outra dica. Essas lojas costumam fazer descontos e/ou pacotes se você levar mais pessoas da sua festa para alugar lá. E tem mais, algumas delas diminuem o valor do vestido da noiva, dependendo da quantidade de vezes que foi utilizado. E outra, tem lugar que no aluguel da noiva inclui as bijouterias, sapato, luvas e todos os acessórios. Vale a pena perguntar!

Outro problema que nos aflinge, é a lista de convidados (eu já tive de cortar um monte de gente) e o abençoado convite. Uma amiga me falou uma coisa, e eu parei pra pensar... é verdade. Não vale a pena gastar muito com isso, já que muita gente joga fora. Normalmente os que guardam são os familiares mais próximos. Então você pode escolher um modelo mais moderno (que eu tenho achado mais barato), se você souber fazer, melhor ainda.

Tem muita gente que acha feio (eu mesmo pensava assim, mas vou adotar) colocar lista de presente em algumas lojas e ainda anexar ao convite um cartãozinho da loja. Mas, sabia que isso é uma das melhores coisas? É sim, com esse novo método, dificilmente você terá presente repetido. E se mesmo assim ganhar algo que já tenha, você pode ir a loja e trocar por outra coisa que esteja precisando.

Outro detalhe que todos estão adotando, são os bonequinhos de biscuit personalizados. A maioria dos casais está colocando seus pontos fortes nesse item e os valores que eu pesquisei, variam de R$ 80,00 à R$ 100,00.

Não podemos esquecer de dar entrada nos papeis no cartório. Para isso, prepare seu bolso, que lá se vão mais uns R$ 400,00 e deve ser feito com três meses de antecedência. Assim como o check-up. Isso mesmo, faça todos os exames médicos necessários. Comece essa nova vida com todos os problemas, se é que há algum, sanados.

E, para ficar relaxada no momento do tão esperado sim, que tal passar o dia em um spa? Isso mesmo, o famoso dia da noiva. Lá você vai encontrar serviços de massagens relaxantes, banhos para hidratar e relaxar a pele, maquiagem, cabelo, manicure e pedicure, entre muitos outros. Existe salão de festa que possui equipe especializada. E ainda fazem o making-off.

Depois de ter pensado em tudo isso, ainda falta uma coisa: a lua-de-mel. Tem salão que também oferece três dias em um determinado local. Mas se o seu salão não lhe oferecer isso, faça que nem eu. Tenha cara de pau e veja se seus amigos e parentes não conhecem ninguém no local em que deseja, para emprestar casa (risos!). Sem essa de que “isso é feio”, ou ficar com vergonha. Se gasta muito na produção do casamento, então porque não economizar agora? Caso não consiga, veja se um dos padrinhos não quer dar de presente.

E você pensou que era fácil casar, né? Dá um pouquinho de trabalho, mas estou adorando toda essa agitação. E todas as minhas amigas, que já passaram por esse momento, dizem que não se arrependem e fariam tudo outra vez. Pode ser cansativo, estressante, mas sei que vai valer a pena. Afinal de contas, qual menina nunca sonhou em se casar?

Por Roberta Marassi
 
Publicado em Maio de 2009

Read More
 

©2009Espetaculosas | by TNB