Na sede da Copa, um cenário indigno

É, acabou o propalado sonho do “hexa”. Todo mundo tá muito chateado, com a perda de publicidade e outros afins. Ahn, alguém acredita mesmo que é só o fato de decepcionar criancinhas que chateiam Kaká muso da Silva e Cia? Se você acreditou, leitor, pode esperar no Natal, que o bom velhinho vai te dar um presente na meia.

Mas um detalhe não passa batido em minha cabeça e nem deveria passar na de ninguém. A África ainda é um continente de contrastes e a África do Sul continua tendo suas mazelas varridas para debaixo do tapete Ou seriam gramados?

Ainda existe muita miséria no país que tem mostrado sedes majestosas como palco para os jogos. Estádios suntuosos contrastam com um país de analfabetos, aidéticos e famélicos. E um detalhe constrangedor faz afastar ainda mais a simpatia pelo país sede da Copa, a incidência de estupros por dia chega a 20, 25 casos relatados.

Além de no passado ter sido explorado à exaustão por diversas nações européias - sem contar com a cruel chaga denominada escravidão, que levou seus antepassados para terras distantes e assombrou por séculos o continente inteiro - uma boa parte dos países africanos não teve desenvolvimento educacional.

Não foi agraciado com sistemas de saúde, que pudessem amparar suas (inúmeras) doenças pré-existentes e ainda, aquelas trazidas pelos exploradores. Além disso, foi cenário de disputas mais contemporâneas por espaços estrategicamente localizados que pudessem abrigar supostas barreiras bélicas em um conflito que nunca foi seu.

Com isto, determinados hábitos violentos e indignos se estabeleceram e maculam países como a África do Sul. Como o sofrimento devido a constante onda de estupros, que disseminam doenças terríveis como a AIDS, entre outras DST de difícil trato.

Na África do Sul, só para exemplificar, existe a crença de que se um homem aidético estuprar uma mulher virgem ele será curado. Há ainda a mítica abominadora que inclui idosas e crianças como “purificação” para determinadas doenças, além da AIDS. E existe o dito “estupro corretivo”, pois em um país de vítimas que cresce sem querer contato algum com homens, a África do Sul apresenta um elevado índice de população lésbica que acaba sendo novamente molestada para ver se é “corrigido” este tipo de “desvio de conduta”.

Inclusive houve o comentado lançamento da camisinha com dentes, lançada na Copa, para agredir ao agressor-estuprador. Mas me pego imaginando, será que a mulher realmente terá vantagem neste tipo de proteção? E se o agressor, se sentido ferido e genuinamente “mordido” de raiva, resolve revidar de modo muito mais violento? Estamos tratando com uma população ignorante e vilipendiada, descrente de sentimentos básicos como caridade e ajuda humanitária. Sinceramente, não apoiaria esta campanha.

Apoiaria sim, se cada jogador famoso de futebol, antes das partidas nesta Copa, falasse abertamente nos telões como repudia tal ato, como é indigno do ser humano tal atitude. Talvez ajudasse mais se cada seleção, mesmo desclassificada, doasse 1% por cento do que está ganhando em direitos de imagem e publicidade e exigisse o investimento em saúde, educação, pesquisa médica e medicação para o povo doente.

Se cada nação daquele continente, e em especial daquele país, no passado usurpou recursos e pessoas de seus lugares de origem, deixando pavorosas marcas naquelas pessoas. Marcas indeléveis que vão sendo passadas de geração a geração, fizesse um mea culpa e apenas ajudasse a tentar colar o que restou - claro que o Cristiano “gracinha” Ronaldo não pode pagar pelos pecados de seus tatatatatavós. Mas que seria bem mais bonito ele doar algo em nome do que seus patrícios um dia afanaram, ah, isto seria - talvez o mundo de chuteiras, que tanto gostamos de apreciar pelas TVs de LCD e plasma, que tanto nos motiva a ficar mais um dia em casa pelo espírito desportivo, pudesse ser um pouco melhor.

E menos hipócrita, irresponsável e mais solidário.

Por Fernanda Barbosa

Publicado em Julho de 2010

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Futebol, paixão mundial

FIFA fan fest e Alzirão reforçam a paixão do brasileiro pelo futebol


Nas três primeiras décadas do século passado, o futebol era considerado um privilégio de ricos. Hoje, por ser um esporte popular acessível a todas camadas sociais, pode ser usado como símbolo nacional, coesão social e racial. Isto ficou claro nesta Copa, sediada pela África do Sul, onde torcidas de diferentes nações se confraternizam nos estádios ou em lugares escolhidos pelo FIFA Fan Fest para exibição dos jogos.

Nesta Copa, o FIFA Fan Fest (IFFF) está sendo realizado em seis cidades do mundo, entre as quais o Rio de Janeiro. O evento oficial da FIFA combina a transmissão de todos os 64 jogos da Copa 2010, trazendo ainda atrações musicais. Patrocinado por grandes anunciantes e corporações mídiáticas, a festa em Copacabana agrega pessoas de diferentes lugares e classes sociais.

Dessa maneira, a multidão que se concentra a cada jogo do Brasil, diante do telão de 120m², não está ali só por causa da peleja. O principal motivo é usufruir o prazer de compartilhar com o outro a emoção que o futebol provoca. Naquele momento, o interesse individual fica de lado e prevalece a vontade da maioria.


Vontade que o povo manifesta nos estádios, nos carros, nas ruas, nas praias e nas fachadas das casas, quando veste - no sentido mais amplo da palavra- as cores da seleção pela qual torce. É um espetáculo único da emergência das massas que, projetado no telão do FIFA Fan Fest, traz a África do Sul para mais perto da galera que assiste aos jogos. O que se vê, dentro e fora do telão, é uma mistura de nacionalidades representadas, caricaturalmente, por pessoas fantasiadas, bem no estilo que o carioca gosta.



Como símbolo de identidade nacional, a imagem que é veiculada, através do futebol brasileiro, é de que nossos jogadores são mais espertos e criativos no trato com a bola. Imagem que, na Copa de 1970, foi utilizada pelo Governo do Brasil para associá-la ao milagre econômico e, dessa forma, enaltecer a Ditadura. Este é o princípio da democracia moderna pelo qual Tocqueville norteou seus estudos sobre política da multidão.


Segundo Tocqueville, se antes a multidão situava-se fora, como turbas que ameaçavam com sua barbárie a sociedade, agora as massas se encontram dentro, dissolvendo o tecido das relações de poder.

Teorias à parte, ao torcedor só interessa a taça, que o fará sentir-se também um vencedor. Afinal, a multidão que assite aos jogos, seja em Copacabana ou no Alzirão – Tijuca -, representa a vontade da maioria composta por mais de 190 milhões de brasileiros. Patriotas que, mesmo em meio a euforia da Copa, não deixam de levar donativos para o local do FIFA Fan Fest para ajudar os irmãos nordestinos, desabrigados em decorrência das chuvas que destruíram várias cidades de Pernambuco e Alagoas.

O Brasil é assim, caracterizado por uma sociedade de imensas diferenças sociais e econômicas, mas que tem uma tendência de transformar manifestações culturais em motivo de coesão social, que são apropriadas como formas de identidade nacional, como é o caso do futebol.

Em tempos de Copa, que inveja não devem ter os gringos dessa nossa identidade. Ainda ficarão mais despeitados se o Brasil vencer. Aí é que vão ver como se samba no campo e fora dele. Mais uma identidade que eles não tem.

Tome Nota

As doações para os desabrigados da chuva nos Estados de Alagoas e Pernambuco serão aceitas em uma tenda montada na entrada do evento, na altura da rua Duvivier. Serão aceitas doações de alimentos não-perecíveis, cobertores e água.

Por Maria Oliveira
 
Publicado em Junho de 2010

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No clima da Copa

Eventos como a Copa do Mundo são uma ótima oportunidade para lançamento de moda. A torcida se animar na hora de enfeitar as ruas e veste literalmente a camisa, quando vai curtir os jogos da seleção.

Além dos objetos em homenagem ao Brasil, há os que não se importam em ter um ou outro relacionado a alguma seleção participante do mundial. Seja ela da América, Europa, Ásia ou África.

Pensando nisso, muitos comerciantes investem em produtos destinados a data. Bandeiras, bandanas, roupas e acessórios invadem às vitrines das lojas, principalmente as populares.

E mais, juntando-se a esse modismo temos também o mercado gastronômico. Há tempos o McDonald’s, rede de fast food, coloca em seu cardápio, durante a Copa, sanduíches representantes das principais seleções que competem no mundial.

Sendo assim, selecionei alguns ítens que vieram com tudo nessa Copa. Do esmalte ao cardápio, escolha os seus favoritos e faça bonito nessa reta final de campeonato. Ainda dá tempo!



 
 
 
 
 
No topo da nossa lista as Vuvuzelas, grande nome desse mundial. Alguém duvida?
 
 
 
 
 
 
 
 
Não dá para torcer sem vestir a camisa, mesmo que não seja oficial. O que importa é a intenção somada a criatividade.   
 
 
 
 
 
 
 
Dos pés á cabeça, vale tudo na hora de vibrar com a seleção. Ese ano as Havaianas arrasaram ao lançar uma linha de sandálias. O feito só não foi completo porque essa leva de chinelos são apenas para o público masculino. : (  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além dos chinelos, uma linha de tênis também está disponível no mercado. Preconceito ou não, mas uma vez os machos levaram a melhor. Snif!
 
 
 
 
 
 
 
 
Não tem problema! A Impala colocou uma linha de esmaltes com as cores da nossa bandeira. Segura essa bola, cuecada!!!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Veja o que faz a cabeça da mulherada que curte futebol. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Achou pouco? Prepare seu kit Copa do Mundo.
 


 
 
 
 
 
 
 
 
Os agasalhos também são um charme, independete da seleção que represente. Olha que lindo esse da Itália?



 
 
 
 
 
 
 
Para finalizar, torcer de barriga vazia não dá. Que tal curtir os sanduíches das seleções, no McDonald's? Eu adoro!  



Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Junho de 2010

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Proteja seu cão durante a Copa

Se em época de brasileirão fica difícil segurar a torcida, imagina na Copa do Mundo. Fogos, apitos, cornetas e até a famosa vuvuzela são um atrativo a mais na hora de juntar a galera para aquele belo churrasco.

Mas no momento da comemoração não podemos nos esquecer de nosso melhor amigo, o bichinho de estimação. E entre a lista, os cachorros e gatos são os que mais temem a hora da algazarra.

De acordo com veterinários, alguns animais sentem um medo natural pelo barulho. Enquanto que outros, um pouco menos. E segundo estudos realizados, os cães foram apontados como os mais medrosos. Questão de evolução.

A melhor forma de proteger seus amiguinhos é através da prevenção. Se seu pet ainda é um filhote, com cerca de três a quatro meses, o ideal é brincar com ele ou distraí-lo durante o barulho. Mantenha uma atividade prazerosa e aos poucos, estimule-o à ruídos. Assim ele não se tornará um adulto medroso.



Já no caso de seu pet ser adulto, mas morrer de medo quando exposto a um ambiente barulhento, o melhor é acolhe-lo. Naquele momento ele precisa se sentir protegido. Evite deixá-lo sozinho e em casos que isso não seja possível, reserve um local mais aconchegante. Se possível dentro de casa.

Animais que já sofreram trauma podem ser tratados. Mas para isso é necessário a ajuda de um profissional, e o tratamento tende a ser mais demorado. Aconselha-se o uso de um CD com sons de fogos. Os ruídos começam baixos e vão aumentando gradativamente, até que ele se acostume. Ao mesmo tempo, uma atividade com o pet é realizada através do uso de bolinhas e até alguns petiscos.

Abaixo confira a lista de medidas para garantir a segurança de seu bichinho. Afinal, você não vai querer arriscar a saúde de quem sempre tem muito amor para lhe dar.

Tome nota:


- Solte a coleira

Durante as festividades não deixe seu cachorro ou gato na coleira. Muitos animais, enquando presos, morrem por enforcamento no desespero de fugir dos fogos e rojões.

- Deixe-o num local tranquilo

Se precisar isolar seu pet, deixe-o fechado em um local sem vidro e seguro. Por conta do medo, alguns animais tentam atravessar a vidraça e acabam se ferindo.

- Acalme-o

O uso da medicina alternativa pode diminuir a tensão nos pets, como homeopatia, florais e acupuntura. Mas lembre-se, para obter resultado esses tratamentos devem ser feitos a longo prazo e o melhor é se aconselhar com o veterinário do seu bichinho. Somente ele indicará o tratamento adequado.

- Algodão no ouvido

Alguns veterinários indicam colocar um chumaço de algodão nos ouvidos do bichinho. A medida pode dar resultado em casos extremos, mas alguns animais estranham. Caso opte por essa alternativa, fique ligado no comportamento do seu.

- Cuidado com as fugas

Não deixei portas e janelas abertas. Cães e gatos tendem a fugir para a rua, com receio dos fogos. Se não estiverem acostumados, correm o risco de serem atropelados. Ou nunca mais voltarem para casa.

-Televisão ou rádio ligado

Para trazer conforto, coloque-o em um local seguro, com a luz acesa e a televisão ou rádio ligados, para abafar o som dos rojões. Mas não com o volume muito alto, pois o mesmo pode provocar mais nervoso no animal.

- Sem vizinhança

Para casos extremos, em que o animal sofre de fobia grave, a melhor opção é afastá-lo de qualquer transtorno. Leve-o para um hotel, longe da cidade e da vizinhança.

Fonte: Revista Criativa

Por Tatiana Bruzzi

Publicado em Junho de 2010

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Efeito Jabulani

Jamais em outros Mundiais a bola foi tão mencionada como nesta Copa, em que a Jabulani virou estrela que ofusca e desconcerta qualquer jogada ensaiada. Moderna e tecnologicamente correta - como anunciam os fabricantes-, a bola da vez não tem costuras, é rápida e aerodinâmica. Por conta disso, seu “ponto de crise” se antecipa ao da bola tradicional. Nesse caso, podemos concluir que a Jabulani passou por uma análise rigorosa antes de atuar em campo.

Segundo as teorias de Freud, o papel do analista é buscar recuperar a história primitiva do sujeito, a fim de apaziguar experiências traumáticas. Dentro dessa perspectiva, parece que os criadores da Jabulani fizeram uma análise detalhada do objeto bola para que esta deixasse os problemas do lado de fora do campo.

Como o tal ponto de crise foi alterado, a bola evitaria um desvio de conduta, uma bola murcha e desanimada, ou outros problemas que prejudicariam a celebração do gol. Entretanto, os idealizadores da bola não contavam que o efeito Jabulani se estendesse aos jogadores também.

No jogo entre Brasil e Costa do Marfim os ânimos dos atletas, de ambos os lados, estavam totalmente alterados. Parecia que, ali, todos os 22 jogadores em campo queriam exorcizar seus problemas. Dos marfinenses já se conhecia a fama de usarem a força física, doada pela própria natureza, para vencer na marra. Aos pentacampeões restou a técnica e o jeitinho brasileiro de jogar.

Estes não sambaram com a bola somente no pé, mas no ombro, no braço e seja o que Deus quiser! O juiz francês estava confuso e se omitiu na arbitragem. A Jabulani, entretanto, fez a sua parte, ao tirar Luís Fabiano do jejum e presenteá-lo com dois gols.

Mas o magnetismo da bola “Celebração” continuou a surtir efeitos quando Kaká, que vinha sofrendo críticas da imprensa por sua pífia atuação em campo, resolveu trazer à tona seus traços do inconsciente. Reagiu a provocações dos africanos e saiu expulso do jogo, mas sorridente e apaziguado com seus traumas de menino bonzinho.

No dia seguinte, no jogo entre Portugal 7 X Coréia do Norte 0, mais uma boa ação da Jabulani: a redonda resolvida rolou carinhosamente pelas costas de Cristiano Ronaldo para que este fizesse o seu primeiro gol na Copa e o sexto da Seleção Lusitana.

Por fora do campo também corre a Jabulani que, ao acertar o nosso técnico Dunga, chacoalha sua cabeça e o faz delirar em palavrões. Desconfiado e marrento, ele xinga jornalistas e esbraveja para todo o mundo ouvir seus pensamentos mais contidos.

Só Freud explica este comportamento do técnico da Seleção Brasileira: “os desejos reprimidos na infância e os conflitos de ordem sexual podem se configurar como origem dos sintomas atuais”. Pelo visto, Dunga foi a maior vítima de seu autoritarismo ao proibir bebida, sexo e balada na concentração.

Além disso, o treinador do Brasil correu o risco de ser punido por ter ofendido o árbitro Stéphane Lannoy e o atacante Didier Drogba, após a vitória da seleção brasileira sobre a Costa do Marfim por 3 a 1, no último domingo, e repetir o feito com o jornalista Alex Escobar, da TV Globo, na coletiva de imprensa.

Será o efeito Jabullllllanni?

Por Maria Oliveira

Publicado em Junho de 2010

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Melhor pensar do que vê-la passar

Reencontrar amigos, saber o que estão fazendo, como anda o casamento, filhos, família, tem provocado reações em mim. Hora acho normal, outra não sei até que ponto me fazem bem.

Muitas tem sido as reclamações de minhas amigas. Já não acreditam tanto assim no amor eterno e muito menos, na existência de um príncipe encantado. Só no momento que pararam de exigir, é que a coisa fluiu.

Sempre imaginei que aos 25 estaria morando em meu próprio AP. Hoje, algum tempo depois, percebo que não sou auto suficiente e sinto crescer uma vontade imensa em brincar de casinha. Sinto falta de coisas que nunca tive e diria que estou em busca do tempo perdido.

O engraçado disso tudo é que, acredito que serei ótima mãe, esposa e dona-de-casa, mas ainda não tenho certeza se conseguirei dividir meu espaço com outra pessoa. Ou seja, não sei se sirvo para “estar casadinha”.

É, tenho pensado muito na minha vida e no rumo que ela vai tomar. Bom, melhor pensar do que vê-la passar e nada fazer.

Bjs,

Josie!

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Porque o amor...

(na versão moderninha)


Porque o amor não é só postar foto no Orkut.

Porque o amor não é só aproveitar as alegrias de uma vida descompromissada.

Porque o amor é um pouco mais que passear em shopping e ver as vitrines vendendo “amores”...

A paixão é incrivelmente devastadora. Tem mecanismos químicos e psíquicos comprovados pela ciência.

Ativa dopaminas, serotoninas, e quantas inas que se tem notícia só para ver o objeto desejado.

A paixão emagrece. O amor , quando é amor, não liga para dobrinhas na cintura da calça.

O amor cuida dos doentes. A paixão adoece quem dela vive.

Para se chegar ao amor, há de se apaixonar primeiro pela idéia – de se ter um alguém, de se ter um cantinho para dois, de viver uma nova vida, aquela conhecida como “a dois”.

Para se apaixonar, basta um olhar diferente. A paixão vê coisas aparentemente belas em pessoas aparentemente normais.

Já o amor, não precisa de olhos. Ele vê as mesmas coisas iguais, sem photoshop ou muito enfeite, e normalmente não aparenta se importar com isto.

A paixão se sustenta de coisas boas. O amor se alimenta de qualquer coisa.

Mas não pense que o amor vive de restos. Acontece que sua dieta inclui sofrimento, doença, risos e altos e baixos. O amor se alimenta de amizade, simpatia, vontade de mudar e mudar o que está meio torto só para ver a todos sorrir.

Para a paixão, basta o sorriso de um. O do apaixonado. Porque a paixão vive do que vê, e se alimenta do que não existe.

Muitas vezes o apaixonado só escuta o que precisa, só aceita o que lhe convém, só dorme com o que acha necessário. Na maioria das vezes, nem quer saber da dor do outro, só quer completar seu desejo.

O amor não mede esforços. Para o próximo. A paixão não mede esforços. Para si próprio – e quem se engana achando que faz muita coisa pelo objeto da paixão, ilude-se: a paixão pede satisfação, o tempo todo. O amor se satisfaz com pouco. Talvez um sorriso, talvez um abraço sincero, talvez uma dormida nos braços um do outro.

A paixão precisa ser vista. Se não for vista, não satisfaz. É um desejo egoísta de mostrar sua “pessoa linda” a um mar de pessoas sem “lindas pessoas” a apresentar.

Já o amor não precisa de vitrine. Ele expõe sua admiração em gestos contidos, palavras mudas e atitudes singelas.

Acredito que todos nós já tivemos paixão. E muita. Acredito até que já tivemos amor – e nem soubemos. Acredito que já fomos a paixão de alguém, e o amor de outrem.

Só não acredito que nos tempos modernos aos 14 estas crianças já amem e aos 16 já amem de novo. Este amor de agora nem paixão é.



É solidão pedindo companhia. Ninguém quer ser triste, inseguro, infeliz, amedrontado e aborrecido sozinho. Precisa de alguém para passar por tudo isto junto.

Por Fernanda Barbosa
 
Pubicado em Junho de 2010

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