segunda-feira, 29 de março de 2010

Mulheres, mulheres

Uma vida à parte

Chegamos ao mês mais feminino do ano, e vou me ater a este onde uma simbólica data (em genial jogada de marketing político com este gênero, o feminino, que é a maioria mais minoria AINDA do planeta) faz recordar (eu não, confesso, até porque não esqueço esta minha condição de “mulherzinha”) que as mulheres evoluíram em seus direitos desde a Era de Neander, o que se achava o Thal, que o nosso sexo frágil cada dia mais se comprova muito mais forte e capaz, que as conquistas em diversos setores da chamada evoluída sociedade capitalista (esta mesmo, que está ao seu lado, em crise aguda de rins, mas que não vai morrer tão cedo) demonstram o quanto conquistamos a sangue, suor e batom nosso espaço no cenário mundial... Blábláblá.

Perdoem-me as colegas de redação e as leitoras mais radicais, adeptas do feminismo, mas acho que, nós, como toda a raça humana, mesmo com todo o avanço e conquista, em certos aspectos morais... involuímos. E dois filmes também me evocam algumas considerações que passaremos a tecer (no melhor estilo feminino).

Um deles, O sorriso da Monalisa, como a paródia feminina do poético e libertador Sociedade dos poetas mortos, onde um Robin Williams inspirado, antes do estrondoso sucesso travestido como a babá mais legal do planeta (aliás, eu ainda prefiro este ator em papéis dramáticos como este do “Sociedade...”pois o considero caricato demais para comédia) era um professor de Literatura que incitava seus alunos a uma nova visão a respeito da vida, da educação, da cultura, e de como se colocarem perante uma sociedade hipócrita (cada dia mais, observo) de acordo com suas tendências naturais.

Foi um marco em minha vida assistir a um professor subir em carteiras escolares e convocar seus alunos a fazerem o mesmo, e de certa forma isto me influenciou tão fortemente até os dias atuais. Aliás, confesso que inicialmente quando percebi a similaridade entre as obras não me julguei feliz em ver a Sra. Roberts, livremente inspirada no seu colega de dramaturgia, com a imensa responsabilidade de conduzir a classe de meninas às reflexões que contradiziam as regras de ouro da escola (que era uma escola de “formar esposas”, a grosso modo).

Mas, serviu para minha primeira reflexão na época: concordo que a emancipação feminina vai além de casar, ter filhos, cuecas e fraldas para lavar, fora o lar, doce lar para arrumar e otras cositas más. Comecei a pensar também que esta crescente onda da mulher querer cada vez mais se equiparar aos homens em gestos como liberdade sexual, encarar profissões tidas como masculinas ou mesmo adotar posturas antes contidas, e tidas, como transgressoras para as mulheres até a década de 80, como fumar e beber até “cair, levantar”, não foi exatamente o positivo de nossa emancipação.

O outro filme que nos remete a uma reflexão grande é Mulheres Perfeitas, onde Dona Nicole Kidman vai parar com o marido Matthew “Curtindo a vida adoidado” Broderick em uma cidade onde as mulheres são as perfeitas “do lar” e ela descobre que na verdade foi um chip de computador que programou as esposas e fez este padrão de comportamento se repetir pelo bairro inteiro. Vamos lá: que moral se tira deste episódio? Que apesar de tudo o que conquistamos, através de mulheres como Indhira Gandhi, Elizabeth I, Chiquinha Gonzaga, Simone de Beauvoir, entre outras, tudo o que nossa evoluída sociedade capitalista quer de nós é apenas a nossa porção “do lar” para o mundo moderno.

E, segundo o papa pop “Chico” Bento XVI a culpa é da máquina de lavar pela emancipação e liberação femininas... Sim, e do micro-ondas também! O que seria do nosso tempo livre sem o querido micro, para em tempo recorde nos livrar da árdua tarefa de esperar o fogo fazer o trabalho todo no fogão sozinho! Então, este filme demonstra que nossa sociedade continua machista e acreditando piamente que, mesmo que aquele empresário bem-sucedido tenha uma chefia feminina de alto gabarito e diversas qualificações, ela bem que poderia ser apenas a companhia forno&fogão mais aconchegante “que um homem merece”. Merece?

Merece é que repensemos... Que apesar das Beauvoirs, das Dilmas, das Marinas Limas e Mírians Leitão de nossas vidas, ainda existem muitas Piovanis, muitas Suzanas, muitas bbb’s... Que acabam levando o mundo masculino a cometer o engano de realmente desejar apenas uma “Amélia” ao seu lado, quando pensam nas Galisteus e nas Gimenez que ainda podem acordar ao seu lado... E o que é ainda pior, ficar ao seu lado.

Por Fernanda Barbosa

Publicado em Março de 2009

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